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quarta-feira, 19 de maio de 2010 - 10:11

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Utilização de Ervas Medicinais

por: Colunista Portal - Educação

Ervas Medicinais
Ervas Medicinais

          A utilização de plantas com fins medicinais, para tratamento, cura e prevenção de doenças, é uma das mais antigas formas de prática medicinal da humanidade. No início da década de 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou que 65-80% da população dos países em desenvolvimento dependiam das plantas medicinais como única forma de acesso aos cuidados básicos de saúde. (AKERELE APUD VEIGA JUNIOR et al., 2005). A OMS estima que as vendas totais de ervas medicinais alcançaram a cifra de US$ 400 milhões no Brasil em 2001 (SOYAMA, 2007).

          Ao longo do tempo têm sido registrados variados procedimentos clínicos tradicionais utilizando plantas medicinais. Apesar da grande evolução da medicina alopática a partir da segunda metade do século XX, existem obstáculos básicos na sua utilização pelas populações carentes, que vão desde o acesso aos centros de atendimento hospitalares à obtenção de exames e medicamentos. Estes motivos, associados com a fácil obtenção e a grande tradição do uso de plantas medicinais, contribuem para sua utilização pelas populações dos países em desenvolvimento (VEIGA JUNIOR ET al., 2005).

          O uso de ervas medicinais, muitas delas cultivadas no fundo do quintal, é uma prática secular baseada no conhecimento popular e transmitido oralmente, na maior parte das situações. É difícil encontrar alguém que não curou a cólica infantil com camomila ou erva-doce ou o mal estar de uma ressaca com chá de folhas de boldo, sem qualquer receita médica. Numa população com baixo acesso a medicamentos, como a brasileira, agregar garantias científicas a essa prática terapêutica traz variadas vantagens (BARATA, 2003).

           Atualmente, grande parte da comercialização de plantas medicinais é feita em farmácias e lojas de produtos naturais, onde preparações vegetais são comercializadas com rotulação industrializada. Em geral, essas preparações não possuem certificado de qualidade e são produzidas a partir de plantas cultivadas, o que descaracteriza a medicina tradicional que utiliza, quase sempre, plantas da flora nativa desenvolvimento (VEIGA JUNIOR ET al., 2005).

          Nos Estados Unidos e na Europa há mais controle no registro e na comercialização dos produtos obtidos de plantas. Nesses países, as normas para a certificação e o controle de qualidade de preparações vegetais são mais rígidos (VEIGA JUNIOR ET al., 2005).

          Na Alemanha, onde se consome metade dos extratos vegetais comercializados em toda a Europa, foi verificado que a auto-medicação com preparações à base de plantas medicinais é muito comum. Durante o ano de 1997, 1,5 milhão de pessoas utilizaram ervas medicinais durante o tratamento alopático. Mais da metade destes pacientes não comunicaram esse uso ao médico. Há entre 600 e 700 ervas medicinais utilizadas terapeuticamente, "sozinhas" ou em combinação com outras ervas, vendidas em farmácias, drogarias, mercados e lojas especializadas em produtos naturais na Alemanha (VEIGA JUNIOR ET al., 2005).

          No Estado do Ceará – Brasil, existe o Projeto Farmácias-Vivas, criado em 1985 pelo farmacêutico Francisco José de Abreu Matos, da Universidade Federal do Ceará. O projeto é direcionado para a saúde pública, cujas plantas permitem, hoje, o tratamento de aproximadamente 80% das enfermidades mais comuns nas populações de baixa renda. Abreu Matos explica que 64 espécies de plantas medicinais disponíveis no nordeste já foram selecionadas e tiveram seu uso analisado cientificamente, de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (BARATA, 2003).

          Nas farmácias-vivas, os medicamentos são preparados em laboratório de fitoterápicos sob responsabilidade de um farmacêutico especialmente treinado. Para sua administração, o princípio ativo é mantido nas plantas (e não isolado como faz a indústria farmacêutica) na forma de chás, xaropes, tinturas e cápsulas gelatinosas (BARATA, 2003).

          De acordo com Veiga Junior et al., no Brasil, as plantas medicinais da flora nativa são consumidas com pouca ou nenhuma comprovação de suas propriedades farmacológicas, propagadas por usuários ou comerciantes. Comparada com a dos medicamentos usados nos tratamentos convencionais, a toxicidade de plantas medicinais e fitoterápicos pode parecer trivial. Isto, entretanto, não é verdade. A toxicidade de plantas medicinais é um problema sério de saúde pública. Os efeitos adversos dos fitomedicamentos, possíveis adulterações e toxidez, bem como a ação sinérgica (interação com outras drogas) ocorrem comumente. As pesquisas realizadas para avaliação do uso seguro de plantas medicinais e fitoterápicos no Brasil ainda são incipientes, assim como o controle da comercialização pelos órgãos oficiais em feiras livres, mercados públicos ou lojas de produtos naturais (2005).

Autora: Jeana Mara Escher de Souza, Farmacêutica, Tutora EaD Portal Educação.

Referências Bibliográficas
SOYAMA, Paula. Plantas medicinais são pouco exploradas pelos dentistas. Cienc. Cult. [online]. 2007, v. 59, n. 1, pp. 12-13.
VEIGA JUNIOR, Valdir F.; PINTO, Angelo C. and MACIEL, Maria Aparecida M.. Plantas medicinais: cura segura?. Quím. Nova [online]. 2005, vol.28, n.3, pp. 519-528. ISSN 0100-4042.
BARATA, Germana. Medicina popular obtém reconhecimento científico. Cienc. Cult. [online]. 2003, v. 55, n. 1, pp. 12-12.

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