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Tetracilcinas


29 de outubro de 2010


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Características Farmacológicas

As tetraciclinas são principalmente antibióticos bacteriostáticos ativos contra um grande número de organismos Gram-positivos e Gram-negativos.

As drogas do grupo das tetraciclinas têm espectros antimicrobianos estritamente semelhantes, e é comum entre eles a resistência cruzada. Além disso, bacilos Gram-negativos resistentes à tetraciclina podem apresentar também resistência cruzada ao cloranfenicol. Os microorganismos podem ser considerados sensíveis se a C.I.M. (Concentração Inibitória Mínima) não for superior a 4,0 mcg/ml, e intermediários se a C.I.M. estiver entre 4,0 e 12,5 mcg/ml. Se for usado o método Kirb-Bauer de sensibilidade em disco, um disco de tetraciclina de 30 mcg deve originar uma zona de pelo menos 19 mm, quando testado contra uma cepa bacteriana sensível à tetraciclina.

As tetraciclinas são absorvidas rapidamente e ligam-se às proteínas plasmáticas em diferentes graus. São concentradas na bile pelo fígado e excretadas em altas concentrações na sua forma biologicamente ativa através das fezes e urina.

Indicações

A tetraciclina é indicado no tratamento das infecções causadas por microorganismos sensíveis. Recomenda-se realizar, antes, testes de sensibilidade (antibiograma).

As tetraciclinas não são as drogas de escolha para o tratamento de qualquer tipo de infecções estafilocócicas.

As tetraciclinas são eficazes no tratamento de infecções uretrais, endocervicais ou retais não complicadas em adultos causadas pela Chlamydia trachomatis.

Pode ser usado no tratamento de tracoma, embora o agente infeccioso não seja sempre eliminado, conforme evidências fornecidas por imunofluorescência.

A conjuntivite por inclusão pode ser tratada com tetraciclinas orais ou com uma combinação de agentes tópicos e orais.

A tetraciclina é usada para o tratamento da uretrite não gonocócica.

Na amebíase intestinal aguda, as tetraciclinas podem ser úteis adjuvantes terapêuticos de amebicidas.

Na acne severa, as tetraciclinas podem ser úteis como terapia adjuvante.

A tetraciclina pode ser útil no tratamento de exacerbações agudas de bronquite crônica.

É usada no tratamento do sprue tropical.

A tetraciclina tem sido usada com quinina no tratamento de malária aguda causada por falciparum resistente à cloroquina quando as drogas de escolha são contra-indicadas ou ineficazes.

Contra-Indicações

As tetraciclinas são contra-indicadas para pessoas hipersensíveis a qualquer uma das tetraciclinas ou aos componentes desta formulação.

A tetraciclina não deve ser usada em pacientes com comprometimento renal severo ou doença hepática. 

Advertências

O uso de drogas do grupo das tetraciclinas durante o desenvolvimento dos dentes (segunda metade da gravidez, na lactação, e em crianças de até 8 anos de idade) pode provocar descoloração permanente dos dentes (amarelo-cinzento pardo).

Esta reação adversa é mais comum durante o uso prolongado destas drogas, porém, foi observada após tratamentos repetidos de curta duração. Relatou-se também a hipoplasia do esmalte. Por isso, as tetraciclinas não devem ser usadas neste grupo etário a menos que outras drogas sejam ineficazes ou contra-indicadas.

Na existência da insuficiência renal, mesmo as doses parenterais ou orais usuais podem levar a um acúmulo sistêmico excessivo da droga, com possível hepatotoxicidade. Nestas condições, doses menores que as usuais são indicadas e, se a terapia for prolongada, aconselha-se determinar o nível sérico da droga. A ação antianabólica das tetraciclinas pode causar um aumento do nitrogênio uréico no sangue. Enquanto isto não representa problema para os pacientes com função renal normal, níveis séricos mais elevados de tetraciclina podem levar à azotemia, hiperfosfatemia e acidose para aqueles com deficiência significativa.

As tetraciclinas não devem ser usadas em pacientes com insuficiência renal. São lentamente removidas por hemodiálise, porém, não de maneira eficaz por diálise peritonial. Relata-se hepatotoxicidade severa e, às vezes, fatal, associadas com alterações de gordura no fígado e pancreatite, em mulheres grávidas recebendo tetraciclina intravenosa para pielonefrite, em pacientes com comprometimento renal ou aqueles recebendo altas doses. Pacientes com insuficiência hepática ou renal pré-existente, desnutridos, e recebendo outras drogas hepatotóxicas possuem elevado risco de hepatotoxicidade.

Observou-se fotossensibilidade manifestada por excessiva queimadura provocada pelo sol em alguns indivíduos tomando tetraciclinas. Os pacientes que se expuserem à luz solar direta ou à luz UV deverão ser alertados de que esta reação pode ocorrer com a ingestão de tetraciclinas, portanto o tratamento deve ser interrompido à primeira evidência de eritema da pele.

Nota: reações de fotossensibilização ocorreram mais freqüentemente com dimeclociclina, menos com clortetraciclina e muito raramente com oxitetraciclina e tetraciclina.

Uso durante a gravidez

Os resultados dos estudos em animais indicam que as tetraciclinas atravessam a placenta, são encontradas nos tecidos fetais, e podem apresentar efeitos tóxicos no feto em formação (freqüentemente relacionados ao desenvolvimento retardado do esqueleto). Notou-se também evidência de embriotoxicidade em animais tratados no início da gravidez.

Categoria de risco na gravidez: D

Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica. Informe imediatamente seu médico no caso de suspeita de gravidez.

Uso durante a lactação

As tetraciclinas estão presentes no leite humano.

Gerais

Pseudotumor cerebral (hipertensão intracraniana benigna) em adultos foi associado com o uso de tetraciclinas. As manifestações clínicas usuais são cefaléia e visão turva. Fontanelas protuberantes foram associadas com o uso de tetraciclinas em crianças. Uma vez que estas condições e os sintomas relatados geralmente são resolvidos logo após a descontinuação da tetraciclina, existe a possibilidade de sequela permanente.

Como ocorre com outros antibióticos, o uso desta droga pode resultar em supercrescimento de organismos não sensíveis, incluindo fungos. Na ocorrência de superinfecção, o antibiótico deve ser interrompido e ser estabelecida uma terapia adequada. Nota : superinfecção do intestino por estafilococos pode provocar risco de vida.

Em doenças venéreas quando há suspeita de coexistência de sífilis, os pacientes devem realizar um teste sorológico para sífilis antes que o tratamento seja iniciado. Pacientes tratados com tetraciclina deverão ter um acompanhamento com teste sorológico para sífilis após 3 meses.

Deve-se usar de cautela no caso de tetraciclinas serem administradas a pacientes com função hepática comprometida, uma vez que o seu uso tem sido reportado por causar toxicidade hepática; altas doses devem ser evitadas. Drogas potencialmente hepatotóxicas (incluindo eritromicina, cloranfenicol, isoniazida e sulfonamidas) não devem ser administradas concomitantemente.

Tetraciclina degradada pode induzir disfunção renal indistingüível da síndrome de Fanconi e lesões da pele similares àquelas do lupus eritematoso sistêmico.

Reacão de Jarisch-Herxheimer ocorre ocasionalmente quando tetraciclinas são usadas para tratar brucelose ou infecções por espiroquetas. Esta reação ocorre geralmente 12 a 24 horas após o início da terapia com tetraciclina.

Na terapia prolongada, deverão ser realizadas avaliações laboratoriais periódicas dos sistemas orgânicos, incluindo estudos hematopoiéticos, renais e hepáticos. 

Visto que a ocorrência de reações de sensibilidade são mais passíveis de ocorrer em pacientes com história de alergia, asma, febre do feno, ou urticária, as tetraciclinas devem ser usadas com cautela em tais indivíduos. 

Interações Medicamentosas

Anticoagulantes orais: devido as tetraciclinas terem apresentado o enfraquecimento da atividade protrombínica do plasma, os pacientes que estão em terapia anticoagulante podem necessitar de uma redução da dosagem do anticoagulante.

Agentes anti-infecciosos: uma vez que as drogas bacteriostáticas podem interferir com a ação bactericida da penicilina, é aconselhável evitar a administração concomitante de tetraciclina e penicilina.

Contraceptivos orais: o uso concomitante de tetraciclinas e contraceptivos orais pode tornar estes últimos menos eficazes. Sangramentos ocasionais foram reportados.

Cátions: quelatos de tetraciclina com cátions bivalentes ou trivalentes, tais como alumínio, bismuto, cálcio, ferro, magnésio e zinco formam complexos insolúveis. Isto resulta em uma absorção diminuída e irregular do antibiótico. Portanto, a administração concomitante de tetraciclinas com antiácidos, drogas anti-diarréicas, preparações de ferro, outras preparações contendo tais cátions, ou alguns alimentos tais como leite e laticínios podem resultar em concentrações séricas subterapêuticas do antibiótico

Anestesia com metoxiflurano: a administração concomitante de tetraciclina e metoxiflurano causa toxicidade renal séria e há relatos de óbitos. O uso concomitante deve ser evitado.

Diuréticos: a administração concomitante de tetraciclinas e diuréticos pode resultar no aumento dos níveis de nitrogênio uréico no sangue.

Teofilina: relata-se níveis plasmáticos aumentados de teofilina associado com a terapia concomitante de tetraciclina.

Glicosídeos digitálicos: aproximadamente 10 dos pacientes convertem quantidades significativas de digoxina a metabólitos inativos, via metabolismo bacteriano, no trato gastrintestinal. As tetraciclinas podem alterar a flora bacteriana gastrintestinal interferindo, dessa maneira, na inativação da digoxina. Podem ocorrer aumentos nos níveis de digoxina sérica nestes pacientes. Os efeitos de antibióticos na flora bacteriana que inativou a digoxina pode persistir por meses.

Lítio: foram relatadas alterações nos níveis plasmáticos de lítio durante a terapia com tetraciclina.

Retinóides: reportou-se um aumento na incidência de hipertensão intracraniana benigna quando retinóides e tetracilinas são administrados concomitantemente. 

Reações Adversas

Gastrintestinal: anorexia, dor epigástrica, náusea, vômito, diarréia, fezes soltas volumosas, estomatites, dor de garganta, glossite, língua negra (melanoglossia), disfagia, rouquidão, enterocolite, pancreatite e lesões inflamatórias (com supercrescimento de cândida) na região anogenital, incluindo proctite e prurido anal. Estas reações têm sido provocadas pela administração tanto oral como parenteral de tetraciclinas, porém são menos freqüentes após o uso parenteral. Esofagite e ulcerações esofágicas raramente foram reportadas, em particular após a ingestão de cápsulas com líquido insuficiente imediatamente antes de dormir.

Dermatológicas: erupções maculopapulosas e eritematosas.

Relatou-se dermatite esfoliativa, apesar de não ser freqüente. Há ocorrência, de forma rara, de onicólise e descoloração da unha. Ocorreu fotossensibilidade (ver advertências).

Renal: a elevação do nitrogênio uréico no sangue tem sido registrada e está, aparentemente, relacionada com a dose (ver advertências).

Hepática: aumentos nas enzimas hepáticas; colestase raramente foi reportada e, em geral, está associada com altos níveis de dosagem de tetraciclina (ver advertências)

Hematológicas: anemia, anemia hemolítica, trombocitopenia, trombocitopenia púrpura, neutropenia e eosinofilia foram reportadas.

Sistema nervoso: relatou-se tonturas e cefaléia. Ocorreu elevação da pressão intracraniana e fontanelas protuberantes em lactentes após dose terapêutica completa. Estes sinais desaparecem rapidamente quando a droga foi interrompida. Pseudotumor cerebral raramente tem sido reportado em adultos recebendo tetraciclina (ver advertências).

Reações de hipersensibilidade: urticária, edema angioneurótico, anafilaxia, púrpura anafilactóide, pericardite e exacerbação do lúpus eritematoso sistêmico e reações como as da doença do soro, tais como febre, erupção cutânea e artralgia. É comum a sensibilização cruzada entre as várias tetraciclinas.

Quando usadas por períodos prolongados, as tetraciclinas podem produzir uma descoloração microscópica castanho-preta da glândula tireóide. Não foi verificada nenhuma anormalidade nos estudos da função da tireóide.

Pigmentações da pele e de outros orgãos têm sido associadas com o uso de tetraciclinas. Não houve sintomas ou disfunção orgânica. Presume-se que a pigmentação é resultado da deposição do complexo droga-melanina.

A descoloração dentária é raramente reportada em adultos recebendo tetraciclinas (ver advertências com relação a descoloração dentária em crianças em desenvolvimento dentário). 

Fonte: PDAMED 

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