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Diabetes e Renal


25 de setembro de 2009


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          Além de secretar enzimas digestivas exócrinas no duodeno, o pâncreas desempenha funções endócrinas através das ilhotas de Langherans. Estas estruturas ocorrem principalmente na cauda e no corpo do pâncreas, e os hormônios envolvidos consistem no glucagon e na insulina, que são secretados diretamente na corrente sanguínea. O diabetes melito surge em conseqüência de uma anormalidade na produção ou na utilização da insulina. A anormalidade na produção afeta as células beta das ilhotas e pode ser de dois tipos: produção deficiente de insulina pelas células beta ou síntese relativamente normal, porém com liberação anormal do hormônio. Além desta anormalidade na produção, o diabetes pode ser produzido por certos fatores extrapancreáticos, como disfunção dos receptores celulares nos tecidos periféricos, com conseqüente resistência à ação celular da insulina, ou por anormalidades de hormônios não-pancreáticos que afetam a secreção de insulina ou o metabolismo da glicose no sangue.
          As provas de função renal e as provas de função hepática apresentam muitos problemas em comum. Tanto no rim quanto no fígado, verifica-se a coexistência de uma multiplicidade de sistemas enzimáticos e de transporte — alguns relacionados e outros separados do ponto de vista espacial e fisiológico. Os processos que ocorrem em uma parte do néfron podem ou não afetar diretamente os de outros segmentos. A exemplo do fígado, o rim não desempenha um único papel, mas exerce inúmeras funções, que podem ou não ser afetadas num determinado processo patológico. Ao avaliar a capacidade de executar essas funções individuais, consegue-se obter informações anatômicas e fisiológicas. lnfelizmente, as provas disponíveis no laboratório clínico são poucas e grosseiras quando comparadas com a delicada rede de sistemas em ação. Com freqüência, é difícil isolar funções individuais sem recorrer a uma série complicada de pesquisas, sendo ainda mais difícil diferenciar entre lesão localizada e generalizada, entre disfunção temporária e permanente e, por fim, entre distúrbios primários e secundários. Só podemos medir aquilo que passa pelo rim e aquilo que sai dele. Os processos que ocorrem no seu interior são também importantes, porém devem ser deduzidos através de meios indiretos. Um dos grandes problemas decorrentes desta situação consiste na incapacidade das provas de função de revelar a etiologia do distúrbio. De fato, a única informação obtida é a presença ou ausência de certo grau de disfunção, com estimativa aproximada de sua gravidade. Por conseguinte, só podemos obter informações úteis através do conhecimento da base fisiológica de cada prova e através de uma cuidadosa correlação com outros dados clínicos e laboratoriais.

Geisse Carlos de Lima
Farmacêutico Bioquímico

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