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Nifedipino


29 de agosto de 2009


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Características Farmacológicas

O nifedipino é um antagonista do cálcio do tipo 1,4-diidropiridina. Os antagonistas do cálcio reduzem o influxo transmembranoso de íons de cálcio para o interior da célula através do canal lento de cálcio. O nifedipino age particularmente nas células do miocárdio e nas células da musculatura lisa das artérias coronárias e dos vasos de resistência periférica.

No coração, o nifedipino dilata as artérias coronárias, especialmente os vasos de grande condutância, mesmo no segmento da parede livre de áreas parcialmente acometidas de estenose. Além disso, o nifedipino reduz o tônus da musculatura lisa vascular nas artérias coronárias e evita vasoespasmos. O resultado final é o aumento do fluxo sangüíneo pós-estenótico e maior suprimento de oxigênio. Paralelamente a isso, o nifedipino reduz a necessidade de oxigênio com a redução da pós-carga. Em uso prolongado, o nifedipino também pode prevenir o desenvolvimento de novas lesões ateroscleróticas nas artérias coronárias.

O nifedipino reduz o tônus da musculatura lisa das arteríolas, diminuindo desta forma a resistência periférica excessiva e, conseqüentemente, a pressão arterial. No início do tratamento com nifedipino, pode haver aumento reflexo transitório da freqüência cardíaca e, portanto, no débito cardíaco. No entanto, este aumento não é suficiente para compensar a vasodilatação. O nifedipino aumenta também a excreção de sódio e água tanto no tratamento de curto prazo como no prolongado. O efeito de redução da pressão arterial do nifedipino é particularmente pronunciado em pacientes hipertensos.

Indicações

-Hipertensão arterial.

- Doença arterial coronária. Angina do peito crônica estável (angina de esforço).

Contra-Indicações

Choque cardiovascular e hipersensibilidade ao nifedipino. Gravidez e amamentação. O nifedipino não deve ser usado em associação com a rifampicina, pois, devido à indução enzimática, o nifedipino pode não atingir níveis plasmáticos eficientes.

Interações Medicamentosas

O efeito anti-hipertensivo do nifedipino pode ser potencializado por outras drogas anti-hipertensivas. Indica-se monitoração cuidadosa do paciente quando da administração simultânea de nifedipino e betabloqueadores, pois pode ocorrer hipotensão significativa. Também é conhecida a possibilidade de desenvolver-se insuficiência cardíaca em casos isolados.

O nifedipino é metabolizado por meio do sistema citocromo P450 3A4, localizado tanto na mucosa intestinal quanto no fígado. Drogas conhecidas por inibir ou induzir esse sistema enzimático podem, portanto, alterar o efeito de primeira passagem (após a administração oral) ou a depuração do nifedipino.

Digoxina: O uso associado de nifedipino e digoxina pode acarretar redução da depuração da digoxina e, conseqüentemente, aumento de sua concentração plasmática. O paciente deve ser monitorado quanto aos sintomas de superdose de digoxina e, se necessário, a dose desta deve ser reduzida, levando-se em consideração suas concentrações plasmáticas.

Quinidina: Em casos isolados, observou-se queda no nível de quinidina no seu uso concomitante com nifedipino e quinidina, assim como aumento do nível plasmático de quinidina após a interrupção do nifedipino. Portanto, no caso de adição ou interrupção de nifedipino, no tratamento com quinidina, a concentração desta deve ser monitorada, podendo ser necessário ajustar a dose. Alguns autores relataram aumento das concentrações plasmáticas do nifedipino sob administração concomitante de ambas as drogas, enquanto outros não observaram alteração no perfil farmacocinético do nifedipino. Portanto, a pressão arterial deve ser cuidadosamente monitorada quando se adicionar quinidina à terapêutica com nifedipino. Caso necessário, a dose de nifedipino deverá ser diminuída.

Rifampicina: Induz acentuadamente o sistema citocromo P450 3A4. Quando administrada simultaneamente com rifampicina, a biodisponibilidade do nifedipino é reduzida e, portanto, sua eficácia diminui. O uso de nifedipino em associação com a rifampicina é, portanto, contra-indicado.

Fenitoína: A fenitoína induz o citocromo P450 3A4, portanto, quando administrada concomitantemente, a biodisponibilidade do nifedipino é reduzida. Assim, no uso associado deve-se considerar a eventual necessidade de aumentar a dose de nifedipino ou de reduzi-la quando o tratamento com fenitoína for descontinuado.

Diltiazem: Diminui a depuração do nifedipino. A administração concomitante de ambas as drogas deve ser feita com cautela; podendo-se considerar nesses casos uma redução na dose de nifedipino.

Cimetidina: Devido à inibição do citocromo P450 3A4, a cimetidina eleva as concentrações plasmáticas do nifedipino e pode potencializar seu efeito anti-hipertensivo.

Quinupristina/dalfopristina e cisaprida: Na administração simultânea de nifedipino e quinupristina/dalfopristina ou nifedipino e cisaprida, pode ocorrer aumento da concentração plasmática de nifedipino, devendo-se, portanto, monitorar a pressão arterial e, se necessário, considerar a redução da dose de nifedipino.

Interações teoricamente possíveis: Apesar de não haver estudos formais de investigação do potencial de interação entre nifedipino e uma das seguintes substâncias associadas, devem ser considerados os possíveis efeitos: necessidade de redução da dose de tacrolimo, aumento da concentração plasmática de nifedipino quando este for associado a eritromicina, ácido valpróico, fluoxetina, amprenavir, indinavir, nelfinavir, ritonavir, saquinavir, nefazodona, cetoconazol, itraconazol ou fluconazol e redução da concentração plasmática de nifedipino quando este for associado à carbamazepina ou ao fenobarbital.

Ausência de interações medicamentosas: A administração concomitante de nifedipino e, respectivamente, de ajmalina, benazepril, debrisoquina, doxazosina, irbesartana, omeprazol, orlistate, pantoprazol, ranitidina, rosiglitazona, talinolol e hidroclorotiazida triantereno não tem efeito sobre a farmacocinética do nifedipino.

A administração concomitante de nifedipino e candesartan cilexetila não tem efeito sobre a farmacocinética de qualquer das substâncias.

Aspirina: A administração concomitante de nifedipino e de 100 mg de aspirina não produz efeito sobre a farmacocinética do nifedipino ou alteração do efeito da aspirina sobre a agregação plaquetária e o tempo de sangramento.

Outras formas de interação: O nifedipino pode causar um falso aumento dos valores de ácido vanililmandélico urinário determinados espectrofotometri-camente. Contudo, as determinações feitas por HPLC não são afetadas.

Suco de toronja (grapefruit): inibe o citocromo P450 3A4. A ingestão concomitante de suco de toronja e nifedipino resulta em concentrações plasmáticas elevadas do nifedipino devidas à redução no metabolismo de primeira passagem. Como conseqüência, o efeito hipotensor pode aumentar. Após a ingestão regular de suco de toronja, esse efeito pode permanecer por até três dias após a última ingestão.

Efeitos sobre a capacidade de dirigir veículos e operar máquinas: Reações à droga, que variam em intensidade de indivíduo para indivíduo, podem reduzir a capacidade de dirigir veículos ou de controlar máquinas. Isso pode ocorrer sobretudo no início do tratamento, na mudança de medicação ou sob ingestão alcoólica simultânea

Advertências

Cuidados adicionais devem ser dispensados a pacientes com níveis muito baixos de pressão arterial (hipotensão grave, com pressão sistólica inferior a 90 mmHg), em casos de insuficiência cardíaca manifesta e em caso de estenose aórtica grave. 

Nifedipino é contra-indicado durante a gravidez. Contudo, se seu emprego em mulher grávida for absolutamente necessário, deve-se ter cautela ao administrar nifedipino em associação com sulfato de magnésio por via endovenosa.

Deve-se efetuar monitoração cuidadosa em pacientes com disfunção hepática e, em casos graves, pode ser necessário reduzir a dose.

A eficácia deste medicamento depende da capacidade funcional do paciente.

GRAVIDEZ E LACTAÇÃO

O nifedipino é contra-indicado durante a gravidez. Sua administração em animais foi associada a efeitos embriotóxicos, fetotóxicos e teratogênicos. Nesses estudos em animais, todas as doses relacionadas com os efeitos mencionados induziram também toxicidade materna e correspondem a níveis muito acima da dose máxima recomendada para uso humano. Não há estudos adequados e bem controlados em mulheres grávidas.

O nifedipino é eliminado no leite materno. Como não há experiência dos seus efeitos sobre o lactente, a amamentação deverá ser suspensa se o tratamento com o nifedipino se tornar necessário.

FERTILIDADE

Em casos isolados de fertilização in vitro , o uso de antagonistas do cálcio como o nifedipino associou-se a alterações bioquímicas reversíveis do núcleo do espermatozóide, que podem resultar em disfunção espermática. Nos homens que repetidamente não têm sucesso em gerar uma criança por fertilização in vitro , e quando não há outras causas que justifiquem o insucesso, o nifedipino deve ser considerado como causa da falha.

 

Fonte: PDAMED

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