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Tratamento do Alcoolismo


2 de abril de 2009


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  Prof. MSc. Ronaldo de Jesus Costa

nin_ron@hotmail.com 

Existem diversos tipos de procedimentos para o tratamento do alcoolismo, como por exemplo:

·        tratamento médico;

·        terapias cognitivas e comportamentos;

·        psicoterapias;

·        grupos de auto-ajuda (do tipo Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos); comunidades terapêuticas, entre outros.

Contudo, nenhum desses modelos de ajuda no tratamento do alcoolismo consegue dar conta de todos os tipos de dependências e dependentes. Se alguns podem se beneficiar mais de um determinado modelo outros necessitam de diferentes alternativas.

De acordo com Campos (2003) , geralmente, não é necessária internação para desintoxicação, pois a eficácia não é maior. No entanto, certos casos devem obrigatoriamente ser internados.

Devem ser internados para desintoxicação:

Aqueles que sofrem sintomas de abstinência moderados a severos;

Aqueles com delirium tremens;

Aqueles que são incapazes de seguir acompanhamento diário;

Aqueles que possuem outra doença física ou psiquiátrica que necessita de internação;

Aqueles incapazes de tomar medicação por via oral;

Aqueles que já tentaram tratamento fora do hospital, sem sucesso.

 

Tratamento farmacológico do alcoolismo

 

       Dissulfiram

O dissulfiram (DSF) foi a primeira intervenção farmacológica aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration) para o tratamento da dependência de álcool.

O DSF é um inibidor irreversível e inespecífico de enzimas, que decompõe o álcool no estágio de acetaldeído. Ao inibir a enzima acetaldeído-desidrogenase (ALDH), ocorre um acúmulo de acetaldeído no organismo, que causa um intenso mal-estar ao paciente usuário desse medicamento que ingere bebida alcoólica.

No entanto, em alguns casos, é comum o paciente, mesmo passando mal, não deixar de beber, levando a reações graves, inclusive à morte.

 

Naltrexona

 A naltrexona é uma substância conhecida há vários anos; seu uso restringia-se ao bloqueio da atividade dos opióides.

Recentemente verificou-se que a naltrexona possui um efeito bloqueador do prazer proporcionado pelo álcool, cortando o ciclo de reforço positivo que leva e mantém o alcoolismo.

A naltrexona foi a primeira substância a atingir a essência do alcoolismo: o desejo pelo consumo de álcool. Como era uma medicação conhecida quanto aos efeitos benéficos e colaterais, sua utilização para o alcoolismo foi relativamente rápida pois já se encontrava no mercado há muitos anos: bastou que se acrescentasse na bula uma nova indicação, o tratamento do alcoolismo.

Os principais efeitos colaterais da naltrexona, o enjôo e o vômito não são intensos o suficiente para impedir o seu uso. Os principais efeitos da naltrexona são inibir o desejo pelo álcool e mesmo que se beba, o prazer da sensação de estar "alto" é abolido. Assim, a bebida para o alcoólatra em uso de naltrexona se torna sem graça.

Como não há uma interação danosa entre Álcool e naltrexona, a naltrexona exerce uma real atividade terapêutica. Os estudos mostram que a recaída do alcoolismo é menor entre as pessoas que fazem uso de naltrexona em relação ao placebo; o baixo índice de efeitos colaterais da naltrexona permite que os pacientes adiram ao tratamento prolongado. Fica mais fácil diferenciar o alcoólatra impotente perante seu vício daquele que simplesmente não quer abandonar o prazer da embriaguez. O paciente que se nega a tratar-se por perceber que a naltrexona abole o prazer é o alcoólatra por opção; aquele que adere ao tratamento era a vítima do vício.

Há, contudo, uma parcela da população que mesmo em uso da naltrexona mantém o prazer da bebida e nesses o tratamento é ineficaz.

 

Acamprosato

 Criado especificamente para o tratamento do alcoolismo, o acamprosato está sendo introduzida no mercado brasileiro pela Merck, mas já é usada na Europa há alguns anos.

O acamprosato atua mais na abstinência, reduzindo o reforço negativo deixado pela supressão do álcool naqueles que se tornaram dependentes.

 Podemos dizer que há basicamente dois mecanismos de manutenção da dependência química ao álcool: inicialmente há o reforço pelo estímulo positivo, pela busca de gratificação e prazer dadas pelo álcool.

 À medida que o indivíduo se torna tolerante às primeiras doses passa a ser necessária sua elevação para voltar a ter o mesmo prazer das primeiras doses. Nessa fase o indivíduo já é dependente e está em aprofundamento e agravamento da dependência.

A bebida não dá mais prazer algum e por outro lado trouxe uma série de problemas pessoais e sociais; o alcoólatra está preso ao vício porque ao tentar interromper o consumo de álcool surgem os efeitos da abstinência. Nessa fase o alcoolista bebe não mais por prazer, mas para não sofrer os efeitos da abstinência alcoólica.

É nesta fase que o acamprosato atua. Além de inibir os efeitos agudos da abstinência como os benzodiazepínicos fazem, o acamprosato inibe o desejo pelo álcool nessa fase, diminuindo as taxas de recaída para os pacientes que interromperam o consumo de álcool.

A principal atividade do acamprosato é sobre os neurotransmissores gabaérgicos, taurinérgicos e glutamatérgicos, envolvidos no mecanismo da abstinência alcoólica. O acamprosato tem poucos efeitos colaterais: os principais indicados foram consufão mental leve, dificuldade de concentração, alterações das sensações nos membros inferiores, dores musculares, vertigens.

Referências  

CAMPOS, S. Tratamento do alcoolismo. Disponível em: <http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/8031>. Acesso em: 30 Mar. 2009.

CASTRO, Luís André and BALTIERI, Danilo Antonio. Tratamento farmacológico da dependência do álcool. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2004, v. 26, suppl. 1, pp. 43-46.

MAROT, R. Psicosite. Alcoolismo. Disponível em: <http://www.psicosite.com.br/tra/drg/alcoolismo.htm>. Acesso em: 30 Mar. 2009.

UNIFESP. Centro brasileiro de informações sobre drogas psicotrópicas. Tratamento. Disponível em:

<http://www.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_drogas/tratamento.htm>. Acesso em: 01 Abr. 2009.

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