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SUS e a Saúde no Brasil


21 de novembro de 2008


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Gisele Damian Antonio

 Em 1990, são publicadas a Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990 e a Lei 8.142, de 28 de dezembro de 1990, conhecidas como Leis Orgânicas da Saúde, regulamentando o Sistema Único de Saúde (SUS). A Lei 8.080 estabeleceu a forma de repasse de recursos financeiros a serem transferidos para estados e municípios, e que deveriam ser baseados nos seguintes critérios: perfil demográfico; perfil epidemiológico; rede de serviços instalada; desempenho técnico; ressarcimento de serviços prestados.

A edição das Normas Operacionais Básicas (NOB’s) trata das normas operacionais para o funcionamento e operacionalização do SUS, de competência do Ministério da Saúde, tendo sido editadas até hoje: a NOB-SUS 01/91, NOB-SUS 01/93, NOB-SUS 01/96.

- NOB 01/91: definia o repasse direto e automático de recursos do fundo nacional aos fundos estaduais e municipais de saúde, sendo 50% por critérios populacionais e os outros 50% segundo o perfil epidemiológico e demográfico, a capacidade instalada e a complexidade da rede de serviços de saúde, a contrapartida financeira, etc. - redefiniu toda a lógica de financiamento e, conseqüentemente, de organização do SUS, instituindo um sistema de pagamento por produção de serviços que permanece em grande parte vigorando até hoje.

- NOB 01/93: criou critérios e categorias diferenciadas, gestão para a habilitação dos municípios, e segundo o tipo de gestão implantado (incipiente, parcial, semiplena) haveria critérios também diferenciados de formas de repasse dos recursos financeiros

- NOB-SUS 01/96: representa um avanço importante no modelo de gestão do SUS, principalmente no que se refere à consodolidação da Municipalização. Revoga os modelos anteriores de gestão propostos nas NOB anteriores (gestão incipiente, parcial e semiplena), e propõe aos municípios se enquadrarem em dois novos modelos: Gestão Plena de Atenção Básica e Gestão Plena do Sistema Municipal, conforme pode ser visto no quadro 1 abaixo:

GESTÃO PLENA DE ATENÇÃO BÁSICA

GESTÃO PLENA DO SISTEMA MUNICIPAL

Elaboração de programação municipal dos serviços básicos, inclusive domiciliares e comunitários, e da proposta de referência ambulatorial e especializada e hospitalar.

Elaboração de programação municipal dos serviços básicos, inclusive domiciliares e comunitários, e da proposta de referência ambulatorial e especializada e hospitalar.

Gerência de unidades ambulatoriais próprias

Gerência de unidades próprias, ambulatoriais e hospitalares, inclusive as de referência

Gerência das unidades ambulatoriais do estado e/ou da União

Gerência das unidades ambulatoriais e hospitalares do estado e/ou da União

Introduzir a prática do cadastramento nacional dos usuários do SUS

Introduzir a prática do cadastramento nacional dos usuários do SUS

Prestação dos serviços relacionados aos procedimentos cobertos pelo PAB para todos os casos de referência interna ou externa ao município

Prestação dos serviços ambulatoriais e hospitalares para todos os casos de referência interna ou externa ao município

 

Normalização e operação de centrais de procedimentos ambulatoriais e hospitalares

Contratação, controle, auditoria e pagamento aos prestadores dos serviços contidos no PAB

Contratação, controle, auditoria e pagamento aos prestadores de serviços ambulatoriais e hospitalares

Operação do SIA/SUS, conforme normas do MS, e alimentação, junto às SES, dos bancos de dados de interesse nacional

Operação do SIH e do SIA/SUS, conforme normas do MS, e alimentação, junto às SES, dos bancos de dados de interesse nacional

Autoriza AIH e Proced. Ambulatoriais Especializados

Autoriza, fiscaliza e controla as AIH e Proced. Ambulatoriais Especializados e de alto custo

Execução de ações de vigilância sanitária e de epidemiologia

Execução de ações de vigilância sanitária e de epidemiologia

Quadro 1 Modelos de Gestão - Fonte: NOB/96

  Uma das alterações importantes da NOB 96 foi a forma de repasse dos recursos financeiros do governo federal para os municípios, que passa a ser feito com base num valor fixo per capita (Piso Assistencial Básico - PAB) e não mais vinculado a produção de serviços , o que possibilita aos municípios desenvolverem novos modelos de atenção à saúde da população.

(Fragmento extraído do curso de Epidemiologia e Saúde Pública do Portal Educação – http://www.portalfarmacia.com.br/farmacia/cursos/cursos_detalhes.asp?id=211).

  

GENTIAN, Gisele A. Epidemiologia e saúde pública. Portal Farmácia. Disponível em: 

<http://www.portalfarmacia.com.br/farmacia/cursos/cursos_detalhes.asp?id=211>. Acesso em: 29 out. 2008.

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