Representação social do trabalho em equipe na atenção à mulher sob a ótica da enfermeira
Cássia Barbosa Reis
Sônia Maria Oliveira Andrade
Palavra-Chave: Saúde da Mulher; Equipe de Assistência ao Paciente; Assistência à Saúde.
Com a implantação dos princípios da reforma sanitária, iniciou-se a reorganização do modelo assistencial em saúde, cujas bases estão descritas no Manual para Organização da Atenção Básica¹. Essa reorganização está pautada no modelo de vigilância em saúde, que tem como base a formação das equipes de saúde da família². Para que haja sucesso desta estratégia, espera-se que as equipes possam:
1) fazer o planejamento de acordo com o diagnóstico local detalhado para que as ações sejam efetivas;
2) trabalhar com o conceito positivo de saúde de forma a fazer a promoção e a vigilância à saúde;
3) desenvolver o espírito de trabalho interdisciplinar de forma a valorizar os diversos saberes e práticas na abordagem das famílias; e
4) fazer uma abordagem integral da família.
Denominado Programa de Saúde da Família (PSF), passa a ter a família como foco de atenção na promoção da saúde e na prevenção de doenças, mas sem descuidar do indivíduo, assistido também nas áreas curativa, de tratamento e de reabilitação.
O PSF é uma estratégia de mudança e implanta-se gradualmente nos estados e municípios desde 1994. Em se tratando de uma estratégia disseminada em um país de dimensões continentais como o Brasil, entende-se que é um processo longo, permeado por avanços e retrocessos. O PSF está propagado em 4.646 municípios e em 97,4% dos municípios do estado de Mato Grosso do Sul.
Entretanto, apesar das mudanças quantitativas já observadas, diversos estudos que compõem o diagnóstico da situação de saúde da mulher no Brasil apontam para a mesma conclusão de Pinto e Luiz, que mostrou não haver ampliação significativa da qualidade e acesso na atenção à saúde da mulher.
Um dos problemas apontados é que grande parte dos profissionais inseridos nas equipes de PSF não apresenta perfil para o trabalho preconizado nas diretrizes do programa. Isso leva a uma assistência não muito diferenciada do modelo centrado no médico e com baixa resolutividade.
Vale ressaltar que a evolução do SUS nos anos de 1980 e 1990 mostra o aumento do número de profissionais de enfermagem na rede de saúde nessas décadas. Neste sentido, a enfermagem é resgatada como prática social, mostrando o seu desenvolvimento na relação com as outras profissões de saúde, especialmente a medicina e os modelos de assistência à saúde no Brasil.
As autoras das duas fontes citadas reforçam, ainda, o enfoque de Schraiber na responsabilidade dos profissionais de saúde na construção do Sistema Único de Saúde (SUS) e colocam a integralidade da assistência à saúde como o maior desafio nas práticas de saúde na esfera das ações técnicas. Explicitam que, para atingir a integralidade da assistência no plano macro, um dos objetivos a perseguir é a integralidade da assistência no atendimento de cada profissional e no conjunto de cuidados desses profissionais a cada indivíduo e/ou comunidade.
Moretto discute a formação do enfermeiro frente ao SUS e analisa sua inserção na saúde pública sem o devido aparato teórico, e principalmente, prático. Enfoca também o papel do ensino de graduação na discussão da cidadania com os acadêmicos, de forma que haja engajamento desses como parte integrante do coletivo. Moscovici lista os componentes principais do funcionamento do grupo, que, em conjunto com os valores, as normas e os sentimentos individuais de seus integrantes, definirão a cultura, o clima, o comportamento e o desempenho grupal.
A presente pesquisa tem como objetivo descrever as representações sociais das enfermeiras sobre o trabalho em equipe nas unidades de saúde.
REIS, Cássia B.; ANDRADE, Sônia M. O. Representação social do trabalho em equipe na atenção à mulher sob a ótica da enfermeira. UFRJ, Esc Anna Nery Rev Enferm 12 (1), março 2008. Disponível em: <http://www.eean.ufrj.br/revista_enf/20081/10ARTIGO06.pdf>. Acesso em: 11 nov. 2008.