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A importância da produção de novos produtos medicamentosos dentro das universidades brasileiras


1 de janeiro de 2008


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Nos Estados Unidos, o papel das universidades e indústrias farmacêuticas na descoberta de novos medicamentos está bem definido. Já não se alimenta mais a discussão sobre quem deve investir em pesquisa básica e pesquisa aplicada. Todos fazem de tudo e protegem (via patentes) o que foi desenvolvido. No Brasil, este conflito parece estar longe do fim. De um lado, as indústrias têm mais condições de desenvolver novos fármacos em larga escala. Do outro, as universidades detêm o "conhecimento" para a criação de novos medicamentos, à medida que mantêm nas instituições os pesquisadores especializados na área. 

Para o professor adjunto do Departamento de Química da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Ruben Dario Sinisterra, em um país como o nosso, essa não deveria ser a maior preocupação. A prioridade deveria ser dar idéia ao produto sem fazer uma dissociação entre os dois tipos de pesquisa. "Pela realidade brasileira, falar para a universidade que ela só pode fazer pesquisa básica e que a indústria só pode investir em pesquisa aplicada, é um crime", afirma. 

Sinisterra diz ainda que, pelo desenvolvimento típico do país, cada vez mais é necessário que haja uma interação forte entre universidade e empresa, como já ocorre no exterior. "Penso que este é um processo muito mais dinâmico, pois é uma exigência da sociedade. Por outro lado, também deve-se dar sustentabilidade ao Brasil. Não há país que se sustente hoje sem poder valorizar o que produz."

Na opinião do professor, muitos dos conflitos que ocorrem na área farmacêutica hoje estão diretamente relacionados à falta de uma decisão política que indique que fármacos e medicamentos são uma questão estratégica para o país. "Temos muitas pesquisas básicas nas áreas de química, física e farmacologia, porém pouca iniciação no número de patentes que podemos transferir para o meio produtivo", lamenta. 

Por que transferir medicamentos?

Em muitos casos os medicamentos produzidos dentro das universidades são transferidos para a indústria, justamente porque as universidades não têm condições de processá-los em larga escala. Além disso, Sinisterra destaca que este tipo de produção vai contra o verdadeiro objetivo da universidade que é o de descobrir o medicamento, testar sua eficácia e repassá-lo para a sociedade sem cobrar nada por isso. "O conhecimento que a instituição pública produz não pertence a ela, mas sim à própria sociedade".   

Atualmente muitas instituições de ensino superior têm condições de desenvolver um novo fármaco até a fase pré-clínica e poucas delas até a etapa clínica. Por serem instituições espalhadas por diferentes regiões do país, o ideal seria haver uma integração que possibilitasse a produção de um fármaco genuinamente brasileiro. Certamente, um produto deste tipo teria um custo muito menor do que o valor que as indústrias alegam gastar. (Em média, R$ 900.000,00 por medicamento). 

"Este valor foi terrivelmente criticado por quem é da área. Tenho a impressão de que se acertamos nossa estrutura  para a produção de fármacos no Brasil, conseguiremos fazer medicamentos a um preço muito mais baixo do que este", enfatiza.   

Mas afinal, de onde vêm os fármacos disponíveis no mercado?

Quando feita a ele esta pergunta, Sinisterra destaca que este é um questionamento internacional. As indústrias multinacionais, que possuem centros de pesquisa no exterior, especialmente em países desenvolvidos, certamente têm uma grande representatividade em termos de medicamentos disponíveis. Já as empresas brasileiras são, muitas vezes, consideradas meras embaladoras de cápsulas. 

Segundo o professor, isto ocorre pelo fato de que 90% do conhecimento específico está concentrado nas grandes universidades brasileiras. "Não é que esteja errado, o problema  é que este modelo faz com que as indústrias não tenham uma política de desenvolvimento de novos fármacos", diz. Ou seja, esperam que as universidades dêem o primeiro passo. Ele acrescenta ainda que frequentemente as indústrias não têm sequer um interlocutor no mesmo nível que possa mediar este diálogo entre universidade e empresa, o que dificulta ainda mais o processo.

Sinisterra considera que a universidade desempenha papel fundamental na formação de recursos humanos e geração de ciência para a sociedade. "A universidade não só pode como deve ter compromisso de transferir o conhecimento que gera para a sociedade". O professor declara ainda que aos poucos, as universidades têm tomado consciência de que o conhecimento que elas produzem tem muito valor e que precisa ser protegido por meio de patentes - antes, claro, de efetuar o processo de transferência.

Há um consenso no meio acadêmico de que este impasse em relação aos fármacos no país é um forte entrave para o desenvolvimento da economia nacional. À medida que ambos os setores, universidade e indústria, perceberem o quão vantajoso pode ser para o Brasil que ambas caminhem lado a lado no desenvolvimento de novos remédios, certamente o país ganhará posição vantajosa no setor. "O Brasil detém 1,5% do conhecimento mundial nesta área, portanto é um país que tem lá seu valor", encerra.

Fonte: http://www.universia.com.br/html/materia/materia_fcaj.html

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