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Aspectos Biológicos do Envelhecimento

Artigo por Colunista Portal - Educação - terça-feira, 1 de janeiro de 2008

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Definição
O envelhecimento pode ser analisado como um processo gradual, causador de alterações no funcionamento do organismo, tornando o indivíduo cada vez menos capaz de se adaptar ao meio ambiente e, portanto, mais vulnerável às doenças. Envelhecer não significa necessariamente adoecer. O indivíduo pode envelhecer de forma natural, sabendo conviver bem com as limitações impostas pelo passar dos anos e mantendo-se ativo até fases tardias da vida (é o que chamamos senescência); infelizmente, porém, o que ocorre com mais frequência é o envelhecimento anormal (patológico), no qual o indivíduo sofre o efeito negativo das doenças e problemas que podem afetar o idoso (é o que chamamos senilidade), fazendo com que haja uma incapacidade progressiva para uma vida saudável e ativa.
Devemos procurar entender quais são as alterações normais, não representativas de doenças, que ocorrem em todas as pessoas, à medida que envelhecem; assim evitaremos fazer confusão entre o que deveria ser encarado como normal e quais seriam aquelas alterações que poderiam significar doenças, merecendo então atenção médica.
Alterações Normais Associadas à Idade
  • Composição Corporal: a quantidade de água total do corpo diminui e aumenta o conteúdo de gordura (não significa obesidade), daí o cuidado que devemos ter com a hidratação do idoso (oferecer muito líquido); os músculos tornam-se mais frágeis e atrofiados, podendo-se aumentar o risco de quedas.
  • Pele: a pele torna-se mais seca, com manchas e com menor quantidade de pelos, sendo que o conteúdo de gordura abaixo da pele também diminui, deixando-a mais fina; isto ocasiona um aumento da incidência de pruridos (coceira) e de hematomas (manchas roxas de sangue); devemos ter cuidado extra com o sol, usar cremes hidratantes e evitar, na medida do possível, a incidência de traumas (batidas ou pancadas).
  • Órgãos dos Sentidos: a visão e a audição diminuem, atenuando também o número de dentes; o paladar (capacidade de sentir gostos ou sabores) se torna menos eficiente, sendo que o idoso acaba por ingerir mais sal e açúcares, em prejuízo de sua saúde; devemos estimular o uso de óculos e de aparelhos auditivos, bem como o de dentaduras, além de orientá-los para uma alimentação correta, evitando assim o surgimento de anemias ou de desnutrição.
  • Ossos: a quantidade de ossos saudáveis diminui, havendo uma maior rarefação dos ossos (desgaste), que se tornam mais fracos e quebradiços (osteoporose); todo o cuidado para se evitar quedas e fraturas deve ser tomado.
  • Postura: o idoso é mais "curvado", devido à diminuição da altura das vértebras da coluna (pela osteoporose); perde-se um centímetro de altura a cada 10 anos; o andar também se modifica, ficando menos equilibrado e com passos mais curtos, aumentando-se o risco de quedas.
  • Artérias: as artérias (vasos sanguíneos que levam o sangue do coração para todo o corpo), estão mais endurecidas e estreitas (com maior teor de gordura e de cálcio), dificultando a circulação de sangue e causando aumento da pressão arterial.
  • Coração: a capacidade de "bombear" o sangue está diminuída no coração do idoso, o que pode provocar problemas durante algum esforço físico com o qual o indivíduo não esteja habituado.
Obs: a necessidade de se exercitar é fundamental no idoso, tornando-o mais confiante e menos propenso a quedas; os exercícios devem ser orientados por profissionais gabaritados, após avaliação médica específica.
  • Pulmões: a capacidade respiratória diminui devido à elasticidade da caixa torácica (costelas e músculos), que se torna mais rígida, além da diminuição da força dos músculos respiratórios.
  • Aparelho Digestivo: o pâncreas produz menos insulina, aumentando a incidência de diabetes (aumento da glicose no sangue); a mucosa (parede interna) do estômago se atrofia, ocorrendo prejuízo na absorção de algumas vitaminas, podendo levar à anemia; o intestino se movimenta menos, trazendo como resultado a constipação intestinal (intestino preso); para compensar tais fatos, é necessário estimular o idoso a praticar exercícios, tomar muito líquido e a ingerir alimentos ricos em fibras vegetais e vitaminas. Diminui também o fluxo sanguíneo hepático (circulação de sangue no fígado), havendo prejuízo na metabolização (transformação) de vários medicamentos, ocorrendo aumento do risco de intoxicações.
  • Aparelho Genitourinário: a função dos rins também se encontra diminuída, havendo menos eliminação pela urina, de vários medicamentos, o que em somatório às alterações já descritas em relação ao fígado, acaba por tornar o idoso mais sensível aos efeitos negativos de diferentes drogas ou remédios.
No homem idoso, verifica-se um aumento gradual do tamanho da próstata, o que pode acarretar infecção e retenção de urina. Nas mulheres idosas, ocorre atrofia vaginal (devido à falta de hormônio feminino após a menopausa), levando à dor no ato sexual e a um maior risco de infecções de urina.
  • Sistema Nervoso Central: com o envelhecimento surgem pouco a pouco alterações cerebrais que levam a uma lentificação do aprendizado e a dificuldades de memória, tais como a redução do número de neurônios (células cerebrais) e a redução do fluxo sanguíneo cerebral (circulação de sangue no cérebro).
Para concluir, devemos atentar para o fato de que mesmo algumas alterações consideradas normais podem provocar desconforto e dificuldades para a vida diária devendo na medida do possível serem minimizadas. O envelhecimento anormal ou patológico acontece na medida em que surgem as doenças debilitantes da terceira idade, as quais vêm acentuar as limitações impostas pelo envelhecer normal, conforme vimos anteriormente. Tais doenças virão a se manifestar em consequência de hábitos nocivos à saúde, praticados durante a vida e somados à herança genética (presente em cada um de nós ao nascer). Não fumar, beber com moderação, alimentar-se de forma equilibrada, sem excessos, praticar exercícios físicos regularmente, combater o estresse e a tensão emocional, são hábitos que devem fazer parte da rotina de cada um, a fim de promover o envelhecimento senescente ou saudável.
Fonte: http://www.idosoamado.com/artigo1.htm
Por Frederico M. A. Rocha (Médico)
Escola Federal de Odontologia de Alfenas (EFOA)*
 
 
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