Avaliação in vitro do potencial mutagênico de Bidens pilosa Liné (picão – preto) e de Mikania glomerata Sprengel (guaco)
por meio de ensaio do cometa e teste de micronúcleo
Ronaldo de Jesus Costa
Andrea Diniz
Mário Sérgio Mantovani
Berenice Quinzani Jordão
O consumo de Bidens pilosa Liné (picão-preto) e de Mikania glomerata Sprengel (guaco) na forma de chás ocorre com freqüência na sociedade, principalmente em casos de icterícia e de afecções de vias aéreas superiores, respectivamente.
Para verificar a possível capacidade destas duas plantas de induzir danos ao DNA, foram utilizados o ensaio do cometa (SCGE) e o teste de micronúcleo (MN) em células metabolizadoras de hepatoma de Ratus norvergicus (HTC), testando-se chás preparados na forma de infuso tanto para guaco (IM) quanto para picão-preto (IB). Testou-se também macerado de folhas de guaco em etanol 80% (MM80) e decocto de picão-preto (DB).
Para a escolha das concentrações a serem testadas, considerou-se a dose de ingestão diária recomendada (IDR) para cada planta. As doses utilizadas de todas as soluções teste basearam-se em valores de 50, 100 e 200% da IDR. Também foi usada a dose de 400% da IDR no caso de MM80, para comparação de resultados.
A quantificação de cumarina em IM e MM80 foi realizada por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência – UV - CLAEUV.
Os dados obtidos pelo teste do cometa demonstraram que ambas as plantas causaram genotoxicidade, na maioria dos tratamentos.
Das soluções testadas em MN, somente IM40 (200% da IDR) induziu mutagenicidade. Os resultados indicaram danos ao DNA mais acentuados para as doses mais altas. Os resultados com o ensaio do cometa também sugerem diferença significativa na composição química entre as duas formas extrativas de guaco, diferença esta
confirmada pela cromatografia. Contudo, os efeitos apresentados por IM e MM80 demonstraram não ter relação direta com a quantidade de cumarina.
No caso do picão-preto, o decocto apresentou genotoxicidade menor do que a infusão, sugerindo também distinção na composição química das duas formas de chás desta planta, provavelmente causada pelo tempo prolongado de exposição à alta temperatura, durante o processo de decocção.
As informações obtidas demonstraram que, mesmo possuindo diversas propriedades terapêuticas, tanto M. glomerata quanto B. pilosa não estão isentas de induzir efeitos adversos sobre o DNA, o que alerta para a necessidade de cuidados na utilização destas plantas como fitoterápicos.
A relação dose utilizada/efeito observado sugere, por sua vez, que a ingestão de grandes quantidades de chás destas plantas pode tornar-se prejudicial ao material genético. A forma de preparo do fitoterápico também tem importância para este efeito.
Assim, estudos adicionais se fazem necessários a fim de esclarecer sobre quais as condições de uso que oferecem a melhor relação benefício X risco à saúde da população.
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