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Epidemiologia e Saúde Coletiva

Artigo por Colunista Portal - Educação - terça-feira, 29 de abril de 2008

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Epidemiologia e Saúde Coletiva
 
Gisele Damian
 
A Saúde Pública é a ciência e a arte de prevenir as doenças, de prolongar a vida e melhorar a saúde e a eficiência mental e física dos indivíduos, por meio da intervenção técnica e política do Estado na assistência, que irá intervir no processo saúde-doença quebrando sua cadeia causal mediante o tratamento e a reabilitação do indivíduo doente, ou evitando seus riscos e danos por intermédio da prevenção e promoção da saúde, além do controle dos sadios com base no conhecimento científico, ancorado nas técnicas de investigação empíricas voltam-se tanto para o individual (ações preventivas e de promoção à saúde com atividades de assistência médica e reabilitação) como para o coletivo (através de ações governamentais das políticas de saúde dirigidas ao coletivo) (MATUMOTO et al, 2001 apud PIRES FILHO, 1987; FERREIRA, 1975).
Essas ações são denominadas no nosso cotidiano de programas que se ocupam de alguns grupos de risco, tais como, crianças, gestantes, mulheres e idosos, ou para grupos acometidos por algum dano, tais como os hipertensos, as pessoas com tuberculose, com hanseníase, com diabetes, portadores do vírus HIV ou com AIDS.
As ações de assistência médica individual configuram um instrumento para intervir na cadeia causal da doença em um determinado momento ou circunstância que se enquadra segundo um risco ou dano dentro do processo saúde-doença, ou seja, como nas atividades de pronto atendimento.
Quanto às ações dirigidas ao coletivo, podemos citar as tradicionais campanhas de vacinação ou as ações de controle de doenças, como a dengue, a cólera, ou as ações de educação em saúde. Nesse "coletivo" o homem é um ser "em geral", ou seja, uma coleção de indivíduos para o qual se dirige a ação frente ao risco ou dano comum a eles. As intervenções em saúde também sempre serão as mesmas, não considerando as relações da vida cotidiana entre os homens, ou seja, seus afetos, medos, incertezas, a sexualidade e outros, que a saúde coletiva tenta abordar. (MATUMOTO et al, 2001).
Por exemplo, todo conhecimento produzido a respeito da forma de transmissão da AIDS poderia, em tese, já tê-la colocado sob controle através do uso de camisinhas e do não compartilhamento de seringas. Porém, os medos, as incertezas e a sexualidade ainda interferem no controle da doença.
Esta outra aproximação para a compreensão do coletivo significa apreendê-lo enquanto campo estruturado de prática social, "que como totalidade se tornaria ponto de partida para a compreensão e estruturação das práticas sanitárias". Dizer isto significa reconhecer outra concepção de homem, o homem como um ser social, em constante relação com outros homens e com seu meio, transformando-o e sendo transformado por ele, isto é, um protagonista da ação de saúde que se constrói. Este homem é, ao mesmo tempo, sujeito, ator social, protagonista e objeto da ação, aquele que se submeterá às intervenções.
Assim, nasce no Brasil o termo Saúde Coletiva que está hoje presente na agenda acadêmica e política de países da América Latina, do Caribe e da África. Trata-se de uma forma de abordar as relações entre conhecimentos, práticas e direitos referentes à qualidade de vida. Em lugar das tradicionais dicotomias – saúde pública/assistência médica, medicina curativa/medicina preventiva, e mesmo indivíduo/sociedade busca-se uma nova compreensão na qual a perspectiva interdisciplinar e o debate político em torno de temas como universalidade, eqüidade, democracia, cidadania e, mais recentemente, subjetividade emergem como questões principais. Foi em torno desses temas e do desafio de formar profissionais atentos à corrente de novas idéias sobre os problemas de saúde, alguns antigos, outros produtos de mudanças recentes nos campos biomédicos, político e social, que se organizou, em 1979, a Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO). (LIMA; SANTANA, 2006).
Logo, Saúde Coletiva pode ser entendida como "... uma ciência histórico-social, percebendo que as características dos seres humanos (doentes ou não) são sobretudo, um produto de forças sociais mais profundas, ligadas a uma totalidade econômico-social que é preciso conhecer e compreender para explicarem-se adequadamente os fenômenos de saúde e de doença com os quais ela se defronta" (PEREIRA, 1986 apud MATUMOTO et al, 2001).
Na Saúde Coletiva, o objeto não é mais o corpo biológico, mas os corpos sociais. O conceito saúde-doença da saúde coletiva tem base na determinação social do processo saúde-doença, diferente da saúde pública que se baseia na causalidade.
Logo, a saúde coletiva é um "campo de práticas diversas socialmente determinadas, que se apóiam em diferentes disciplinas científicas interdisciplinares com o desafio de compreender e interpretar os determinantes da produção social das doenças e da organização social dos serviços de saúde fundamentando-se na interdisciplinaridade como possibilitadora da construção de um conhecimento ampliado da saúde e na multiprofissionalidade como forma de enfrentar a diversidade interna ao saber/ fazer das práticas sanitárias (NUNES, 1994 apud MATUMOTO et al, 2001).
 
Fragmento extraído do curso a distância Fisiologia do Amor e da Paixão do Portal Educação – www.PortalEducacao.com.br
 
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