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Agentes Antiplaquetários podem prevenir e tratar a Pré-Eclampsia?


1 de janeiro de 2008


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Introdução

A pré-eclampsia está associada com a deficientes produção de prostaciclina, um vasodilatador, e com excessiva produção de tromboxano, um vasoconstrictor derivado plaquetário e estimulante da agregação plaquetária. Tais observações levam à hipótese de que agentes antiplaquetários, juntamente com baixas doses de ácido acetilsalicílico, em particular, podem prevenir ou retardar o desenvolvimento da pré-eclampsia.
Com o objetivo de se confirmar ou negar esta hipótese, foi feito uma revisão da literatura de todos os trabalhos já realizados a este respeito, bem como foram consideradas todas as recomendações das Sociedades Internacionais e Européias para o Estudo da Hipertensão na Gravidez.

- Metodologia -

Foram analisados todos os ensaios clínicos randomizados comparando agentes antiplaquetários com placebo ou com outros agentes não antiplaquetários durante a gravidez. As participantes foram gestantes com risco de desenvolverem pré-eclampsia e gestantes com pré-eclampsia antes do parto. Mulheres tratadas no pós-parto foram excluídas. As intervenções consideradas foram todas aquelas feitas com um agente antiplaquetário (tais como baixas doses de ácido acetilsalicílico ou dipiridamol) com placebo ou algum agente não antiplaquetário.

- Coleta de dados e análise -

Os ensaios envolvidos na revisão, bem como a análise dos dados foram feitos de modo independente por revisores do Cochrane Pregnancy and Childbirth Group, sendo que sua última revisão foi em fevereiro deste ano.

- Principais resultados -

42 (quarenta e dois) ensaios clínicos envolvendo mais de 32.000 mulheres foram incluídas na revisão efetuada pelo Cochrane Pregnancy and Childbirth Group, sendo que 30.563 mulheres estavam envolvidas em ensaios que avaliavam a prevenção destes agentes. Houve uma redução em 15% do risco de pré-eclampsia associada com o uso de agentes antiplaquetários [32 ensaios com 29.331 mulheres; risco relativo (RR) de 0.85, com intervalo de confiança de 95% (0.78 - 0.92); Número necessário para tratar (NNT) = 89, (59, 167)]. Esta redução é independente da situação de risco dos pacientes envolvidos nos ensaios revisados ou do emprego de placebo, e ignora a dose de ácido acetilsalicílico ou a randomização gestacional.
23 ensaios clínicos (28.268 mulheres) relataram parto pré-termo. Existiu uma baixa redução (8%) do risco de parto antes de se completar 37 semanas gestacionais [RR 0.92, (0.88 - 0.97); NNT 72 (44, 200)]. Mortes neonatais foram relatadas em 30 ensaios (30.093 mulheres).
Apesar de tudo houve uma redução em 14% de mortes neonatais no grupo que recebeu agentes antiplaquetários [RR 0.86, (0.75 - 0.98); NNT 250 (125, >10000)]. Idade gestacional pequena foram relatadas em 25 (vinte e cinco) ensaios (20.349 mulheres), sem nenhuma diferença entre os grupos, RR 0.92, (0.84 - 1.01). Não existiu nenhuma diferença significante entre os grupos tratados e controle em outros meios de avaliação dos resultados. 5 (cinco) ensaios compararam agentes antiplaquetários com placebo ou com agentes não antiplaquetários para o tratamento de pré-eclampsia. Existem dados suficientes para conclusões firmes acerca do benefício destes agentes quando usados no tratamento da pré-eclampsia.

CONCLUSÃO DOS REVISORES

Agentes antiplaquetários e ácido acetilsalicílico em baixas doses, possuem uma ação benéfica de baixa a moderada quando usadas na prevenção da pré-eclampsia.
Maiores informações, todavia, são ainda necessárias para que mulheres com esta patologia sejam mais beneficiadas quando tratadas por estes agentes, bem como a posologia dos fámacos empregados.

Fonte: Informativo  CIM/UFC-FAX - Centro de Informação sobre Medicamentos da UFC

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