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Imunologia no Brasil


1 de janeiro de 2008


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Fragmentos históricos e desenvolvimento atual, embora tenha sido Vital Brazil o primeiro cientista a abordar aspectos imunológicos definindo, já ao final do século XIX, as bases da especificidade antigênica, através da produção de soros antí-ofídicos, só em 1941, pela primeira vez no Brasil, vamos ter um livro didático apresentando noções teóricas e exemplos práticos de imunologia.como narrado no prefácio da primeira edição, fica evidente a importância do binômio ensino-pesquisa para a formação de profissionais, em especial daqueles que se dedicam ao desenvolvimento científico tecnológico.

O professor Otto Bier; autor dessa importante publicação: Bacteriologia e Imunologia -Em suas aplicações à medicina e à higiene, era então docente na Escola Paulista de Medicina e desenvolvia atividades de pesquisas no Instituto Biológico, centro nucleador da ciência experimental em biomedicina no Estado de São Paulo , responsável, ao lado da Escola de Manguinhos - InstitutoOswaldo Cruz, no Rio de Janeiro - por uma etapa marcante de nossa história nas décadas de 30 a 50. Foi o Professor Bier o formador de alguns importantes imunologistas como Maria Siqueira, Reynaldo Furlanetto, Paulo Lacerda, Evaldo Trapp, Maria Brazil Esteves, Humberto Ran-gel tendo influenciado outros cientistas, como Victor Nussenzweig, díscipulo do Professor Samuel Pessoa que, a partir dos anos 60 iria desenvolver Trabalhos importantes nos Estados Unidos. Ainda em São Paulo, os Institutos Adolfo Lutz e Butantan foram responsáveis pelo desenvolvimento científico, num período no qual a ciência experimental era ainda insípida nas universidades.

Como já referido, outro importante centro nucleador das ciências foi o Instituto Oswaldo Cruz. Em Manguinhos, na raiz da formação de imunologistas, encontram-se os professores Haity Moussatché e Walter Oswaldo Cruz, com os quais deu-se ínicio os trabalhos sobre choque anafilático e peptônico.Foram formados e/ou trabalharam nos laboratórios dirigidos pelos citados mestres, Annie Prouvost-Danon, Maria da Guia Silva-Lima, Nelson Monteiro Vaz , além de outros excelentes cientistas em diferentes áreas da biomedicina como Walter Mors, Herman Lent, Peter Dietrich, Leopoldo De Meis, Mércia Maria Oliveira, Moura Gonçalves, Fernando Ubatuba, José Reinaldo Magalhães. Em 1966 houve a implantação do Centro de Treinamento e Pesquisas em Imunologia da Organização Mundial da Saúde e Organização Pan-Americana de Saúde. O Centro inicialmente sediado à Escola Paulista de Medicina foi dirigido pelo Professor Otto Bier (1966-1970) e a partir de 1971, sob direção do Professor Ivan Mota, resposável pela formação de cientistas reconhecido pelos im-portantes estudos das relações mastócitos e reações annfiláticas; o Centro tranferiu-se para o Instituto Butantan em 1970. Os cursos ministrados anualmente em tempo integral contribuíram de modo significante para grande maioria dos imunologistas que a partir de então, e até hoje, desenvolvem estudos nas principais sub-áreas em imunologia, como imunoparasitologia, imunovirologia, inflamação, transplantação, alergia, imunoquímica, imunopatologia, imunogenética. Os pricipais centros geradores de conhecimento das citadas áreas encontram-se na USP/SP,EPM,USP/RP,Instituto Butantan, FIOCRUZ/RJ,UFRJ,UFBA,UFMG,Centro de Pesquisas Rene Rachou/FIOCRUZ,UnB,UFPR. Algumas das principais revistas são o Journal of Immunology, Clinical Experimental Immunology, European Journal of Immunology, Journal Infectious Disease, Transplantation Proceedings, Infection and Immunity, Parasite Immunology. Dentre as publicações nacionais, as de maior impacto é o Brazilian Journal of Medical and Biological Research. São onze os cursos de pós-Graduação envolvendo a Imunologia , sendo quatro em São Paulo, dois no Rio de Janeiro, um na Bahia, um no Maranhão e um em Brasília.

Em julho de 1972, durante a XXIV Reunião da SBPC, foi fundada a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) que desde 1973 vem realizando seus Congressos Anuais, além de apoiar reuniões e cursos regionais.Edita com certa regularidade o boletim do SBI e tem sua sede nacional no Instituto Butantan-SP. A SBI é filiada à Internacional Union of Immunology Societies e possui 1151 associados. Desde 1986 a SBI integrou-se à FESBE e atualmente mantém participações nos congressos anuais dessa Federação. Vários imunologistas brasileiros desenvolvem trabalhos em colaboração com alguns dos mais representativos centros de imunologia no exterior onde muitos jovens cientistas realizam seus Pós-doutorados ou parte dos seus doutorados. Assim, podemos antever um crescimento cada vez maior e atualizado da imunologia em nosso país. Resta, por fim, agradecer ao CNPq, à CAPES,à FINEP e à algumas Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa , sobretudo à FAPESP, o apoio que os imunologistas brasileiros e a SBI vem recebendo, sem o qual não teria sido possível a relevância que essa importante área de conhecimento alcançou no Brasil. Alguns dos dados apresentados nos foram fornecidos pela Professora Vivian Rumjanek. Convém salientar que essa resenha representa parte do que foi e é a Imunologia no Brasil. Um artigo mais completo está em fase de redação para futura publicação.

 

DR. OSWALDO AUGUSTO SANT ANNA
Secretário Geral da SBI

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