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1 de janeiro de 2008
O distúrbio do deficit de atenção/hiperatividade é caracterizado por sintomas de desatenção (as faculdades de atenção não estão regulares para a idade cronológica) e de hiperatividade e de impulsividade.
Sempre mais, este distúrbio configura-se como um distúrbio neurobiológico; atualmente numerosos estudos procuram encontrar as peculariedades morfológicas e funcionais do Sistema Nervoso Central das crianças afetadas pelo Distúrbio do deficit de atenção. Tal distúrbio foi descrito em associação com condições biológicas conhecidas, tais como a Síndrome do X Frágil e a Síndrome Alcoólica Fetal.
A terapia para este problema se configura como terapia comportamental e farmacológica. Neste sentido, os americanos usam como fármacos de primeria escolha os psicoestimulantes, e em segundo lugar (segunda escolha) são usados os antidepressivos tricílicos, entre os quais a clomipramina e imipramina.
O uso de tricíclicos na idade evolutiva é permitido para crianças que não possuem cardiopatias; é oportuno solicitar um ECG antes de iniciar a terapia e controlar a frequência cardíaca antes do aumento da dose.
A clomipramina pode dar taquicardia e prolongamento do intervalo QT. Foram descritos casos de morte repentina em idade evolutiva após o uso de outros tricíclicos (desipramina e imipramina).
Especificamente, acerca do uso da Imipramina no tratamento da desordem de atenção primária/hiperatividade, o FDA (Órgão americano de regulamentação de fármacos e de alimentos), não aprovou o seu emprego para uso em crianças.
Os fármacos considerados de escolha são a anfetamina e o metilfenidato. A imipramina deve ser considerada um agente coadjuvante ou como tratamento alternativo quando os primeiros não forem capazes de manterem os sintomas sob controle (Hilton et al, 1991; Rancurello, 1985). A dose da imipramina varia de 25 a 100 mg/dia. As crianças, em geral respondem ao tratamento com 24 horas após o início do tratamento.
1º - Uma criança de 6 anos de idade com Síndrome do X Frágil e com deficit de atenção respondeu ao tratamento com Imipramina (Hilton et al, 1991). A IMIPRAMINA melhorou a insônia da criança, sua enurese e o déficit de atenção. Tratamento prévio com metilfenidato tinha provocado deterioração na sua conduta.
2º - Uma criança com 12 anos de idade (menino) com história de severo déficit de atenção e com Síndrome de Tourette s respondeu bem a terapia com imipramina (50 miligramas/dia). Durante o tratamento com imipramina houve uma melhora substancial da desordem e a sintomatologia da Síndrome de Tourette s não foi afetada (Dillon et al, 1985).
3º - Dez crianças hiperativas foram tratadas com imipramina na dose de 75 a 150 miligramas/dia e nenhuma resposta foi observada nesses pacientes (Winsberg et al, 1980).
4º - 52 crianças, de 3 a 14 anos de idade, foram envolvidas em um ensaio clínico aberto para avaliar a eficácia da imipramina no tratamento da hiperatividade em crianças (Huessy & Wright, 1970). 35 das 52 crianças (67%) apresentaram uma melhora no comportamento. A dose diária média utilizada no estudo da imipramina foi de 50 mg (25 a 125 mg). Todavia, 65% (11/17) das crianças não responderam a imipramina, obtendo melhoras substanciais com o emprego de metilfenidato.
A impramina não sendo um fármaco de primeira escolha no tratamento da deficiência de atenção primária associada à hiperatividade, deve ser usada somente quando os fármacos de eleição, sozinhos, não foram capazes de manter a sintomatologia sob controle.
Fonte: Informativo: CIM/UFC-FAX - Centro de Informação sobre Medicamentos da UFC
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