Mais de 900 cursos online com certificado em diversas áreas

esqueci minha senha
Sala de aula
Confira o regulamento Promoção do Mês

Artigos de Farmácia


Psicofármacos em Crianças


1 de janeiro de 2008


definir tamanho aA aA


Os psicofármacos são indicados em geral para pacientes pediátricos sem justificativas ou sem adequado acompanhamento. Estes agentes são prescritos com freqüência por médicos não especializados em psiquiatria como: pediatras, médicos de família ou neurologistas, muitos dos quais carecem, às vezes, de adequada formação ou experiência em psicopatologia ou em psicofarmacologia. Em conseqüência, tem-se verificado um uso inadequado desses medicamentos em pacientes infantis, assim como ocasionais abusos. Quando esses agentes são usados de forma idônea e são administrados adequadamente a crianças ou a adolescentes, podem melhorar os sintomas de angústia dos transtornos psiquiátricos (1).
Um estudo publicado na revista da Associação Médica dos EUA revelou que a prescrição de medicamentos psicofármacos às crianças na idade pré-escolar (2-4 anos) aumentou drasticamente entre 1991 e 1995. Os autores examinaram os registros de prescrições ambulatoriais de dois programas de saúde Medicaid (governamental) e serviços de medicina privada em vários Estados americanos, nos anos de 1991, 1993 e 1995. Foi avaliada a prevalência do uso de três dos principais grupos de psicofármacos: estimulantes, antidepressivos e antipsicóticos.
Além disso foram avaliados dois medicamentos específicos: metilfenidato e clonidina; este último é usado para tratar a hipertensão em adultos e, cada vez mais empregado no tratamento de crianças com transtornos por déficit da atenção com hiperatividade. Durante o período de estudo os investigadores observaram aumentos significativos na prevalência da prescrição de clonidina, estimulantes e antidepressivos; houve um aumento leve da prescrição de antipsicóticos.
O número de antidepressivos dobrou em ambos os grupos estudados (Medicaid e serviço privado). O metilfenidato foi o psicofármaco mais prescrito, sua indicação para crianças com idade entre 2 e 4 anos aumentou significativamente nos três programas em estudo, triplicando-se em dois deles.
 
O uso de clonidina é particularmente preocupante dado o fato que sua prescrição elevada ocorreu na ausência de dados que justificasse o seu uso (como seguro e efetivo) no tratamento de desordem da atenção. Foram verificados alterações no ritmo cardíaco e esmorecimento/desânimo nas crianças tratadas com clonidina associada com outros medicamentos para transtornos por déficit da atenção com hiperatividade (2).
O editorial que acompanhou este estudo publicado enfatiza que a maioria dos medicamentos foram prescritos de modo impróprio, já que a eficácia dos psicofármacos até o momento não foi demonstrada em crianças com a faixa etária mencionada. Além do mais, questionou-se a validade e a confiabilidade dos diagnósticos de transtornos por déficit de atenção com hiperatividade, transtornos do humor e esquizofrenia. Os estudos atuais indicam que a essa idade as crianças experimentam enormes alterações no cérebro.
 
Os processos visuais, de linguagem e das habilidades motoras são adquiridas durante este período. A densidade sináptica do córtex cerebral alcança seu desenvolvimento máximo na idade dos 3 anos e se modifica substancialmente durante os próximos 7 anos. Ao mesmo tempo, a taxa metabólica cerebral alcança seu pico entre os 3 e 4 anos.
 
Não existem evidências empíricas que justifiquem o tratamento com psicofármacos em crianças menores e existe grande preocupação de que estes medicamentos possam produzir sérios danos ao cérebro em desenvolvimento. Sendo assim, é necessário a realização de maiores estudos para se determinar as conseqüências a longo prazo do uso de psicofármacos em pediatria (3).
Referências Bibliográficas
  1. OPS. Psicofarmacologia em niños y adolescentes: un manual para el clinico. Washington, DC: OPS, 1990.
  2. Zito JM, Safer DJ, dos Reis S, Gardner JF, Boles M, Lynch F. trends in the prescribing of psychotropic medication to preschoolers. JAMA 2000; 283: 1025-1030.
  3. Coyle JT. Psychotropic drug use in very young children (editorial). JAMA 2000; 283.

 

Fonte: Informativo: CIM/UFC-FAX - Centro de Informação sobre Medicamentos da UFC

Some Rights Reserved

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

Comentários


Voltar para Farmácia

Escolha sua área do conhecimento