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1 de janeiro de 2008
Os deuses orientais são representados quase sempre através de figuras em poses graciosas, descrevendo gestos com as mãos ou mesmo com todo o corpo. Tais gestos e posturas não são casuais e tem uma denominação especial - mudras.
A palavra "mudra" possui vários significados: gesto, posicionamento místico das mãos, símbolo, selo. Além de representar plasticamente certos estados ou processos de consciên-cia, as mudras podem também nos conduzir às dimensões que simbolizam.
Segundo a estudiosa Ingrid Ramm-Bonwitt, provavelmente as mudras se originam na dança indiana, que é considerada uma expressão da mais elevada religiosidade e nos revela uma espécie de metafísica do gesto, uma linguagem do corpo na qual pensamentos e sentimen-tos são expressos simbolicamente. O movimento de todo o corpo, a postura da cabeça e do tronco, a posição dos braços e a modulação das mãos assumem o lugar da palavra. Alegria, triunfo, solicitação do amor, saudade, resignação, ira, medo, e assim por diante, ganham expressão através de gestos estabelecidos (mudras) precisos. A presença das mudras é tão significativas na tradição indiana que um dançarino é capaz de expressar uma lenda por completo apenas através das posições das mãos e dos movimentos dos olhos. Ao analisar as figuras de seus deuses, podemos desvendar suas principais atribuições através de seus gestos e posturas; para exemplificar, tomaremos as representações do Buda indiano.
A arte budista primitiva não representava plasticamente o Buda em respeito a um de seus princípios, segundo o qual a forma - o mundo material - não era importante. Mas, em 325 a.C., os exércitos de Alexandre Magno invadiram a Ásia, trazendo consigo os hábitos dos gregos, para quem não era possível adorar um deus do qual não tivesse uma imagem. Envolvidos pela cultura grega, os artistas da região Gandhara (ao Norte do Paquistão) criaram Budas à imagem e semelhança dos Apolos gregos, respeitando porém, alguns traços descritos nas escrituras sagradas, como a urna, os lóbulos longos das orelhas e o crânio proeminente. A urna é representada por um ponto ou pedra preciosa entre as sobrancelhas e simboliza o terceiro olho ou o olho da sabedoria; os lóbulos alongados indicam o uso de brincos pesados e preciosos, abandonados por Buda num gesto de renúncia às riquezas materiais; a protuberância craniana, interpretada às vezes como um penteado diferente pela cultura ocidental, simboliza sabedoria.
A partir da iconografia recolhida sobre Gautama Buda, ficaram conhecidos seis (6) gestos típicos de mãos na representação do Deus.
O PODER CURATIVO DAS MUDRAS
As mudras são usadas como método de cura na arte curativa indiana, despertando e/ou harmonizando as energias dos chacras. Tanto na Índia como na China, pés e mãos estão em estreita ligação com os principais órgãos do nosso corpo.
Há uma correspondência entre os dedos, os chacras e os cinco (5) elementos cósmicos.
| DEDO | CHACRA | ELEMENTO |
|---|---|---|
| Polegar | Solar | Fogo |
| Indicador | Cardíaco | Ar |
| Médio | Laríngeo | Espaço (éter) |
| Anular | Básico | Terra |
| Mínimo | Sexual | Água |
A postura prana mudra, onde o polegar toca simultaneamente o mínimo e o anular, ativa apele, a língua, o nariz e os pulmões, facilitando a absorção do prana (energia vital).
Já a apana mudra (onde anular e médio são tocados ao mesmo tempo pelo polegar) garante a eliminação do prana reabsorvido: estimula os rins, limpa a bexiga, regulariza a menstruação e elimina em forma de suor o excesso de água do corpo.
Cada mudra pode ser praticada por até 45 minutos numa postura de meditação ou mesmo deitado.
Fonte: http://www.iis.com.br/~dia/
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