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O Patologista no Atendimento ao Paciente


1 de janeiro de 2008


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O patologista participa do dia a dia do atendimento médico através da importância crescente do diagnóstico anátomo-patológico na avaliação do doente.

No passado, os tecidos retirados pelos cirurgiões eram enviados aos laboratórios de patologia, onde eram processados; o patologista dava seu diagnóstico e pouco se interessava pelo doente; suas relações com os clínicos e cirurgiões eram, frequentemente, pouco cordiais.

Hoje tudo isto mudou e o patologista deve conhecer o caso clínico antes de dar o diagnóstico que, muitas vezes, precisa ser amplamente discutido com os clínicos e cirurgiões.

O diagnóstico anátomo-patológico se baseia no estudo macroscópico e microscópico das lesões. Este estudo pode ser feito no Centro Cirúrgico, preparando-se lâminas do tecido rapidamente congelado, cortado e corado. Pode também ser realizado pela observação de esfregaços. Mais recentemente ao invés de se obter o tecido por excisão com um bisturi, tem sido cada vez mais usada a aspiração das lesões por uma agulha fina, que permite obtenção de excelentes preparados e é muito menos traumatizante que o bisturi, podendo ser realizada inclusive nos ambulatórios. O estudo histológico dos "cortes em congelação" e o estudo citológico dos esfregaços ou do material aspirado, permitem, na maioria dos casos, um diagnóstico rápido, preciso e seguro, fundamental para a conduta cirúrgica.

Além destes casos cuja conduta depende de um diagnóstico imediato, com o paciente ainda na mesa operatória, mais frequentemente os tecidos ou órgãos retirados pelos cirurgiões são estudados com mais calma em preparados histológicos estáveis e mais perfeitos. Em geral, estes preparados são obtidos após fixação dos tecidos e inclusão em parafina.

Da mesma forma, os esfregaços das lesões ou dos mais variados líquidos e exsudatos coletados dos pacientes são processados e estudados de forma a permitir não só o diagnóstico, como também o estudo da evolução das lesões ou o controle de sua cura. O patologista hoje, portanto, faz parte integrante da equipe médica e nestas condições tem que considerar o doente, como um todo, sua história, seus sinais e sintomas, os resultados dos exames complementares, e discutir com os cirurgiões e clínicos as possibilidades diagnósticas e mesmo a conduta. Já se foi o tempo em que o patologista ficava em sua sala lendo lâminas e ditando relatórios. Cada vez mais ele deve se integrar ao corpo clínico, participando continuamente da avaliação dos doentes.

O enorme desenvolvimento das modernas técnicas de imunohistoquímica, microscopia eletrônica, genética e citologia moleculares permitiu que elas fossem aplicadas aos tecidos e células obtidas dos pacientes, aumentando muito a precisão dos diagnósticos. Por outro lado, exigiram uma ampliação substancial dos conhecimentos e habilidades dos patologistas que, cada vez mais, deverão desempenhar o papel de incorporadores das novas técnicas ao dia a dia do diagnóstico.

A autópsia se constitue em excelente meio para o estudo da história natural da doença e oferece as condições ideais para avaliação da conduta médica e da terapêutica. Por outro lado, a discussão das autópsias com os clínicos que acompanharam o caso confere ao patologista a condição de elemento chave no aprimoramento do corpo clínico, além de se constituir em elemento importante da avaliação da qualidade do serviço médico.

Não podemos nos esquecer que pelo menos em 20% dos casos, a autópsia demonstra alterações que passaram despercebidas pela clínica. Estas discrepâncias ocorrem tanto no Brasil como nos países mais desenvolvidos da América do Norte e Europa.

A importância epidemiológica das autópsias não pode deixar de ser mencionada, pois nos Estados Unidos onde o avanço tecnológico é conhecido, cerca de 20% dos infartos do miocárdio e 15% dos cânceres só são diagnosticados pelo patologista na mesa de autópsia.

Fonte: Sociedade Brasileira de Patologia

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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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