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segunda-feira, 1 de abril de 2013 - 10:15

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Farmacologia adrenérgica

por: Colunista Portal - Educação

A dopamina é transportada em vesículas sinápticas
A dopamina é transportada em vesículas sinápticas
Na transmissão adrenérgica, as catecolaminas (norepinefrina, epinefrina, dopamina) são os neurotransmissores que atuam no controle da função cardíaca, da força de contração cardíaca, na resistência dos vasos sanguíneos e nos bronquíolos, na liberação de insulina e na degradação de gordura.

As catecolaminas são sintetizadas a partir da tirosina. Essa síntese ocorre nas terminações nervosas simpáticas e em menor extensão nos corpos celulares neuronais. A síntese de epinefrina predomina na glândula suprarrenal, enquanto os neurônios adrenérgicos produzem em sua maioria norepinefrina.

A tirosina, precursora das catecolaminas é transportada para dentro dos neurônios por meio de um transportador de aminoácidos aromáticos por intermédio da membrana neuronal.

Em seguida, a dopamina é transportada em vesículas sinápticas por um transportador de monoaminas vesicular. Nesta vesícula a dopamina é convertida em norepinefrina por meio de uma reação de hidroxilação, catalisada pela dopamina-hidroxilase.

Após sua liberação a molécula de catecolamina exerce seu efeito em um receptor adrenérgico pós-sináptico, a resposta é levada ao seu término por três mecanismos: recaptação de catecolaminas no neurônio pré-sináptico; metabolismo das catecolaminas até um metabólito inativo e/ou difusão das catecolaminas a partir da fenda sináptica. Os dois primeiros mecanismos dependem de proteínas de transporte ou enzimas, sendo um importante alvo para intervenção farmacológica.

A recaptação de catecolaminas é mediada por um transportador seletivo de norepinefrina, processo que permite reciclar o transmissor para uma liberação subsequente. No interior do citoplasma neuronal as catecolaminas podem ainda ser novamente concentradas em vesículas.

O metabolismo das catecolaminas envolve duas enzimas, a monoaminaoxidase (mao) presente na mitocôndria, existente em duas isoformas – mao-a, seletiva para serotonina, norepinefrina e epinefrina e mao-b, seletiva para dopamina; e a catecol-o-metiltransferase (comt), enzima citosólica expressa primariamente no fígado.

Os neurotransmissores norepinefrina e epinefrina se ligam aos receptores adrenérgicos. Esses são divididos em duas classes: alfa e beta receptores que pertencem à superfamília de receptores acoplados à proteína g.

Os receptores alfa-adrenérgicos são divididos em:


Alfa-1 adrenérgico – acoplado a uma proteína g quinase sua estimulação leva a ativação da fosfolipase c e produção de mensageiros intracelulares (ip3 e dag) e influxo de cálcio. Sua estimulação leva a vasoconstrição, contração do músculo liso geniturinário, relaxamento do músculo liso do trato gastrintestinal, secreção salivar, broncoconstrição, glicogenólise e gliconeogênese.

Alfa-2 adrenérgico – acoplado a proteína g inibitória sua estimulação leva a inibição da enzima adenilato ciclase e redução do nível intracelular de ampc; abertura dos canais de k+ e fechamento dos canais de ca2+. Atua inibindo a liberação de neurotransmissores, inibe a agregação plaquetária, inibe a liberação de insulina, no relaxamento do músculo liso do trato gastrintestinal.

Os receptores beta-adrenérgicos, por sua vez, estão acoplados à proteína g estimulatória e quando estimulados levam a ativação da enzima adenilato ciclase e aumento do nível intracelular de ampc.

Beta-1 adrenérgico – estimulação da enzima glicogênio fosforilase hepática; no coração aumenta a frequência cardíaca e a velocidade de condução do nodo atrioventricular; no sistema renal induz a liberação de renina;
Beta-2 adrenérgico – presente na musculatura lisa, no fígado e no musculoesquelético, sua estimulação resulta em broncodilatação, vasodilatação, relaxamento do músculo liso visceral, catabolismo do glicogênio e glicogenólise (aumento do nível glicêmico);
Beta-3 adrenérgico – presente no tecido adiposo envolvido no aumento da lipólise.

Os agentes farmacológicos adrenérgicos são classificados de acordo com sua atuação na transmissão adrenérgica, podendo atuar na síntese de catecolaminas, na etapa de armazenamento ou na recaptação, na biotransformação dos neurotransmissores e diretamente sobre os receptores adrenérgicos.


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