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Tecnologia causa desemprego?

Artigo por Colunista Portal - Educação - terça-feira, 1 de janeiro de 2008

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  * Marcelo Vinícius 

Você já ouviu afirmações como: a tecnologia está acabando com os empregos? É um assunto muito famoso e até polêmico, não é? Como escrevo artigos com diversos temas – envolvendo tecnologia e psicologia – sempre interajo com meus leitores e leio materiais de outros autores também. Resolvi escrever este depois que li num blog um artigo intitulado “A globalização no mercado de trabalho”, que abordava o desemprego tendo como causa a evolução tecnológica.

Não estou querendo defender a tecnologia, não me entenda mal. Mas há fatos que passam despercebidos quando temas dessa natureza são abordados. Afirmações como está já são comuns! A evolução é contínua. Os processos de evolução sempre ocorreram na humanidade, porém, a partir da Segunda Guerra Mundial, os progressos culturais e as inovações tecnológicas começaram a ocorrer num ritmo incrivelmente acelerado, provocando impactos cada vez mais significativos no mundo do trabalho.

Considerando estudos da psicologia, temos que o homem também está criando, percebendo novas relações, inovando, interagindo e evoluindo a cada instante. As células, o corpo do homem também está em mutação constante. Na verdade, a natureza, o tempo, está sempre mudando. A mudança é um estado natural, não só dos sistemas e modos de vida, como da própria existência.

Antigamente, a agilidade do datilógrafo, juntamente com o seu certificado, o destacava no mercado profissional. Quem não tinha esta qualificação ficava para trás. Hoje não é tão diferente, quem tem conhecimento em informática ou outro ramo da tecnologia, se destaca. E o segundo grau (atual ensino médio), que bastava, deu lugar ao terceiro grau (nível superior).  Primeiro grau então, nem se fala mais! Num futuro próximo, será imprescindível ter pós-graduações, sendo que hoje já é um diferencial. Tudo evolui!

O sociólogo Álvaro Comin, no Seminário Nacional de Trabalho e Gênero da Universidade Federal de Goiás, afirmou que “sem dúvida, o nível superior continua sendo o grande degrau. O ensino médio é que já apresenta claramente sinais de perda de importância, tanto que, quando olhamos os dados de desemprego para os últimos 15 anos, vemos que é nesse segmento que ele mais cresce”. Mas, mesmo assim, sempre ouvimos falar que tecnologia, automação e coisas do gênero são os principais vilãos do desemprego.

Se a automação é vilã, por que nos países com os parques fabris mais modernos as taxas de desemprego não são tão altas? O que dizer a respeito de países ou continentes de primeiro mundo, ao exemplo do norte-americano? Você encontra uma economia altamente automatizada, inclusive no ramo de logística, uma população economicamente ativa superior à população total do Brasil e, ainda assim, o nível de desemprego é um dos mais baixos no mundo. Se a tecnologia fosse tão vilã assim, lá deveria ter um dos maiores índices de desemprego, não acha?

O problema é bem mais amplo e histórico do que parece. Como não considerar o sucateamento do parque fabril brasileiro e a falta de estabilidade econômica que rondava o país até poucos anos? Isso não tem nenhuma influência no desemprego? E as questões que envolvem o declínio na taxa de crescimento econômico mundial, principalmente dos Estados Unidos... Não influenciam?

É preciso entender que a tecnologia – os computadores e seus softwares, por exemplo – pode até tirar o emprego do montador de peças de uma indústria de automóveis, ou qualquer ramo industrial, mas também cria oportunidades. Quem monta os computadores, quem desenvolve os softwares, quem fabrica as peças dos mesmos e até os robôs que são manipulados por um determinado software?

As pessoas continuam sendo necessárias. Para ser “peão” não precisa ser muito especializado, tendo casos em que não há necessidade de especialização nenhuma. Mas, quando se fala em produção de tecnologia a especialização é um fator fundamental. A maioria das tecnologias de ponta são produzidas em outros paises, visto que o Brasil não tem mão-de-obra qualificada para tal.

Com a minha experiência no mercado, pude observar – e é um fato – o baixo nível de qualificação da mão-de-obra. Acredito que esse sim é um dos fatores que mais pesa nesta questão. A solução para o desemprego não é banir a tecnologia, que é impossível e seria insano, mas cobrar das autoridades competentes a melhora na educação do brasileiro e na qualificação da mão-de-obra.

Há um ano e meio, quando eu estava na sala de aula da faculdade de tecnologia, um professor anunciou duas vagas na área de tecnologia em Salvador-BA, com salário de R$ 8.000,00. Claro, isso chama a atenção de muita gente, um salário desses! Daí, apareceram muitos candidatos, com formação até (3º grau), mas não eram capacitados para preencher as vagas.

Noutro momento, quando eu trabalhava no setor de tecnologia de um banco, precisava contratar dois funcionários para trabalhar com banco de dados. Simplesmente, passei mais de seis meses e não consegui um profissional com qualificação pelo menos aceitável para atuar na área. Fica claro que há oportunidades e falta mão-de-obra especializada.

Iniciativas que ajudam a qualificação do profissional são bem-vindas para um país que gera desemprego por falta de oportunidade de estudos, iniciativas como a do Portal Educação (www.portaleducacao.com.br) que usa a própria tecnologia para oferecer cursos à distancia. A educação é extremamente importante para solidificar o desenvolvimento de um país.

Então, precisamos parar de pôr a culpa na tecnologia e pensarmos no investimento do nosso país. Um país só se desenvolve com estudo, qualificação e tecnologia de ponta e para que isso seja uma realidade tem que haver investimento, ou iremos sempre ver brinquedos, robôs, computadores, peças, entre outros, com a famosa etiqueta: Made In China.

 

O professor Helio Waldman, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC), numa entrevista ao Jornal da UNICAMP, fez uma colocação que considero pertinente acrescentar como afirmação ao que abordei no artigo. Dessa forma, resolvi colocá-la como complemento para quem interessar ler um pouco mais! Segue...

 

“Quanto ao desemprego tecnológico, ele existe, mas não está claro que seja o responsável como um todo. A tecnologia cria deslocamento de empregos. Os economistas nos dizem que a questão do emprego está ligada ao crescimento da economia. A tecnologia, nesse raciocínio, acabaria com determinados postos de trabalho, mas criaria outros. Ela necessariamente não aumenta a taxa do desemprego. O que aumenta a taxa do desemprego é a incapacidade que a economia tem em sustentar a atividade produtiva. O caso brasileiro, assim como o dos países que importam tecnologia, acaba criando níveis de produtividade artificialmente altos. Isso acaba gerando uma dificuldade de absorção pela indústria. Dependendo de como é feita a gestão ou da própria força da economia, você poderia gerar empregos em outras áreas, como a de serviços. Mas basicamente a dificuldade está na gestão da economia. Por outro lado, quanto mais o sistema educacional preparar as pessoas, mais você pode ter acesso ao mercado globalizado. Na região de Campinas, por exemplo, temos um pólo de comunicações. À medida que você adquire visibilidade, você mostra o seu potencial. Mas é preciso criar também, no Brasil, empregos de baixa capacitação, porque senão você não vai resolver o problema do emprego, uma vez que grande parte da população não tem qualificação.”

 

*Graduando em Administração com Ênfase em Sistemas, certificado na área de tecnologia e empreendedorismo; é estudioso da psicologia oriental, física quântica e parapsicologia. marcelovmb@gmail.com

 

 BIBLIOGRAFIA

 

GOIS, Antônio; SOARES, Pedro.  Mestrado dobra renda do trabalhador.  FolhaOnline, Rio de Janeiro, 15 fev. 2006.  Dinheiro.  Capturado em 20 de dezembro. 2007. Online. Disponível na Internet: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u104260.shtml

 

KASSAB, Álvaro. Novas tecnologias e a nuvem dispersa do conhecimento. Jornal da Unicamp, São Paulo, 25 maio 2003.  Sala de Imprensa.  Capturado em 20 de dez. 2007.  Online. Disponível na Internet: http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/maio2003/ju213pg06.html

 

* Para qualquer referência de Internet contidas neste trabalho o autor não pode garantir que a localização específica será mantida.

 

 

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