(1)
(20)
1 de janeiro de 2008
KOSICE, Eslováquia - Sobre suas pequenas cabeças, os recém-nascidos na sala de maternidade usam fones de ouvido estereofônicos e suas minúsculas mãos parecem se movimentar no ritmo da música.
Desde as primeiras horas de suas vidas, os bebês estão sintonizados com Mozart dentro do hospital Kisica-Saca, leste da Eslováquia.
Não se trata de uma experiência para a criação de uma geração de gênios musicais.
As crianças escutam o compositor clássico para o estímulo de suas funções físicas e mentais graças aos benefícios da musicoterapia.
O trauma do nascimento é "extremamente estressante para o bebê", disse Slanka Viragova, médica responsável pela unidade de maternidade do hospital que lançou o projeto de música.
"No útero, a criança ouve o coração da mãe bater, o que representa uma fonte de proteção e boas sensações. Colocamos o bebê para ouvir a música, assim ele pode se lembrar de sua mãe no período imediatamente após o seu nascimento, quando já não está mais com ela", disse.
Numa sala onde as paredes e as janelas são cobertas de desenhos de animais de contos-de-fada, cerca de vinte crianças em duas filas de berços ouvem música e dormem calmamente.
Perto de um outro quarto com incubadoras, crianças prematuras e aquelas com problemas de saúde também são expostas à música, que tem se mostrado útil na estabilização de suas respirações, disse Viragova.
"Em geral, a musicoterapia ajuda o bebê a ganhar peso, a se livrar do estresse e a lidar melhor com a dor", afirmou.
Viragova disse ter usado a terapia da música com seus próprios filhos, que agora são adolescentes, quando eram bebês. Novamente a escolha musical foi Mozart.
"Descobriram que a música de Mozart produz um efeito muito positivo no desenvolvimento do quociente de inteligência (IQ)", disse ela.
No hospital, os recém-nascidos ouvem diariamente de cinco a seis vezes ao dia um trecho de 10 minutos de um dos trabalhos clássicos de Mozart, uma composição para piano executada pelo pianista francês Richard Clayderman, ou uma mistura de sons naturais da natureza ou qualquer outra música calma.
"A música é muito leve e relaxante. Sua intensidade está entre 30 a 50 decibéis, que podem ser comparados ao som de passos normais ou de uma porta sendo aberta", disse.
Na maior parte do tempo, a música é reproduzida no aposento inteiro e também ajuda a aliviar o estresse das enfermeiras, que cuidam de 20 a 30 bebês.
Mas os aposentos do hospital também são equipados com um conjunto sistemas estereofônicos; assim, quando as crianças estão com suas mães, podem ouvir juntos a músicas calmas escolhidas pela mãe.
O projeto de musicoterapia começou cerca de dois anos atrás e foi bem recebido pelos expectantes e novas mães.
"Certamente trata-se de uma idéia muito boa e que afeta o bebê de uma forma muito positiva", disse Lívia Oliarova, 30, que acabou de dar à luz a seu segundo filho, Adrian.
"Definitivamente continuaremos a fazê-lo ouvir música em casa", acrescentou.
Atualmente, o hospital Kosice-Saca está fazendo bastante barulho. Algumas mulheres estão preparadas para viajar muitos quilômetros para darem à luz neste hospital.
Fonte: AFP
Comentários
(1)
(20)