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O verdadeiro alerta sobre os riscos dos antidepressivos?


1 de janeiro de 2008


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Por Sanjay Gupta

Um alerta surpresa emitido na semana passada pela Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos, de que pessoas que tomam antidepressivos podem se tornar suicidas e devem ser monitoradas atentamente, provavelmente foi um choque para milhões de americanos que tomam estas pílulas. É importante entender o que a recomendação significa - e não significa- e não reagir de forma exagerada.

A FDA não disse para as pessoas que tomam os medicamentos o suspenderem abruptamente -isto pode ser perigoso. Nem disse para os médicos deixarem de prescrevê-los para pacientes com depressão. O que a agência disse é que nas primeiras semanas após o paciente começar a tomar o antidepressivo, ou quando a dosagem for aumentada ou diminuída, os familiares ou aqueles que cuidam do paciente devem vigiá-los atentamente em busca de indícios de aumento da ansiedade, irritabilidade, hostilidade, impulsividade ou inquietação. A combinação de depressão severa e inquietação é especialmente perigosa, segundo Adelaide Robb, do Centro Médico Nacional das Crianças. Nas primeiras semanas sob medicação, disse ela, "alguém ainda pode estar se sentindo excessivamente triste, mas seu nível de energia está elevado o bastante para tramar e executar um suicídio".

O problema é que a depressão, se não for tratada, freqüentemente termina em tragédia. Assim, se os pacientes deprimidos tomarem medicamentos e se matarem, se torna impossível determinar se o suicídio foi em conseqüência do medicamento ou do quadro do paciente.

A FDA pediu aos fabricantes dos 10 antidepressivos mais populares que emitam novos rótulos de alerta mais severos. Os medicamentos citados na recomendação são Prozac, Zoloft, Wellbutrin, Zyban, Paxil, Celexa, Effexor, Serzone, Luvox e Remeron. Juntos, estes medicamentos produziram vendas mundiais de cerca de US$ 12 bilhões em 2002. Alguns especialistas acreditam que foi a própria popularidade deles que preocupou a FDA. Muitos médicos, a agência aparentemente teme, estão prescrevendo os medicamentos muito facilmente, sem acompanhamento adequado.

A ação da FDA ocorre após duras audiências no mês passado, repletas de histórias de suicídios de adolescentes. A agência se esforçou na semana passada para dizer que não há estudos que mostrem que os antidepressivos de fato façam as pessoas se suicidarem, mas decidiu optar pelo lado da cautela. Dados os riscos envolvidos, esta provavelmente não é uma má idéia.

Sanjay Gupta é um neurocirurgião e correspondente de medicina da CNN
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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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