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Qualidade de vida amplia interesse por terapia milenar indiana


1 de janeiro de 2008


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Por Fabíola Girardin

        São Paulo (AE) - A terapia é considerada uma das mais antigas da humanidade. Calcula-se que o ayurveda tenha surgido 5 mil anos atrás na Índia como a ciência da saúde que preza pela harmonia entre mente e corpo. Em tempos de estresse como quase epidemia, a busca pela qualidade de vida é recorrente. Com esse propósito, tem aumentado o número de adeptos e de cursos sobre a técnica milenar.

        A denominação já é reveladora: em sânscrito, "ayu" significa vida e "veda" representa conhecimento. Os Vedas - os mais antigos manuscritos disponíveis no mundo hoje - são livros que têm registradas informações científicas e práticas sobre saúde, filosofia, engenharia, astrologia, entre outros temas.

        De acordo com a Associação Brasileira de Ayurveda (Abra), seu objetivo é propor ao ser humano um caminho harmonioso com as leis da natureza que regem a psicologia e a fisiologia. "O Ayurveda ensina, com uma abordagem individualizada, como nós podemos alcançar o equilíbrio e o bem-estar em todos os níveis da nossa existência", descreve a entidade em seu site (www.ayurveda.org.br).

        O ensinamento corresponde à definição de qualidade de vida do grupo WHOQOL (Qualidade de Vida da Organização de Saúde Mundial), criado em 1991 pela OMS: "percepções que os indivíduos têm da sua posição na vida no contexto da cultura e nos sistemas de valor em que vivem em relação às suas metas, expectativas, padrões e preocupações".

        Apesar de se tratar de uma avaliação subjetiva - pois embute dimensões positivas e negativas, inseridas dentro de um contexto cultural, social e ambiental - a relevância do conjunto é nítida. Por conseqüência, a proposta da sabedoria ayurvédica se revela sedutora.

        SAÚDE, UM ESTADO DE FELICIDADE - Em artigo, Maria Stela De Simone, clínica geral e diretora da Abra, lembra que a expectativa de longevidade da população aumentou, em contrapartida à maior competitividade entre as pessoas, o que reduziu a qualidade de vida. "O conjunto desses fatores, somados aos maus hábitos da vida moderna, como má alimentação, falta de atividade física e noites mal dormidas, geram o estresse que, por sua vez, provoca reações do corpo", cita a médica. "O ayurveda resgata a harmonia perdida há centenas de anos e sua prática é indicada para promover a felicidade", observa.

        Segundo essa filosofia, portanto, onde há harmonia há saúde; onde há desarmonia, há doença. Nesse contexto, harmonia se refere à integração com o meio ambiente através dos nossos cinco sentidos. Maria Stella resume: "Saúde é um estado de felicidade".

        INDIVIDUALIDADE E RECURSOS - Alice Keiko Fujiura, terapeuta corporal e formada em ayurvédica em Puna, na Índia, destaca que analisar a personalidade do indivíduo é o primeiro procedimento. "O perfil é determinante para a escolha do tipo de massagem, os óleos a serem aplicados, a sugestão de dieta e as indicações de exercícios físicos", afirma.

        Conforme Alice Keiko, "dosha" é o termo técnico para o perfil individual, que possui três divisões: "pitta" (pessoas agitadas, ansiosas, empreendedoras), "vata" (desligadas, excessivamente magras, intelectuais, superpreocupadas) e "kapha" (aparentemente mais tranqüilas, com excesso de peso, que não conseguem dizer não).

        Os óleos empregados na massagem ayurvédica, por exemplo, dependem do perfil. "Óleo de coco ou gergelim são mais relaxantes e funcionam melhor nos dois primeiros casos, enquanto o terceiro pede um óleo de mostarda, que é mais vigoroso e ajuda a queimar calorias", diz a terapeuta. Os movimentos da massagem também serão mais ou menos intensos conforme a necessidade da pessoa.

        ROLO COMPRESSOR - Para Tereza Cristina Lordello, especialista na técnica há 14 anos, a massagem ayurvédica é um rolo compressor. "Primeiro aquecemos o corpo com as mãos e os óleos, depois massageamos com os pés." Segundo ela, todo o corpo é beneficiado pois a massagem é capaz de chegar perto de gânglios do sistema nervoso autônomo. "Todo o corpo físico sai da sessão em equilíbrio."

        Alice Keiko endossa a observação, dizendo que a massagem proporciona realinhamento postural, o que trabalha sentimentos e emoções. "Com o alívio das tensões, o sistema imunológico sai fortalecido", complementa. A massagem é indicada para o tratamento de depressão e tensões crônicas, porque ativa a circulação enquanto trabalha articulações, músculos e respiração.

        ESTÉTICA - Na opinião de Alice Keiko, de um ano para cá, cresceu a procura pela massagem ayurvédica tanto por pacientes quanto por terapeutas de outras formações. "É uma constatação aqui na clínica, acho que a tendência está associada também ao resultado estético que a terapia indiana produz", afirma.

        Os óleos resultam em maior hidratação e viscosidade da pele. Além disso, Alice Keiko menciona que o método ajuda a desinchar, perder gordura localizada e eliminar celulites. "O bem-estar com a aparência é mais um componente para o equilíbrio global."

        DIETA INDIVIDUALIZADA - A orientação alimentar também é norteada pelo perfil do paciente (pitta, vata e kapha) e pela concepção indiana das substâncias. Maria Stela, da Abra, explica que, da substância original, derivam-se a "purusha", raiz do espírito, e a "prakriti", raiz da matéria. A prakriti remete à energia básica que dá alento e molda a matéria, com três qualidades (ou "gunas"): "sattva", "rajas" e "tamas".

        "Sattva é a matéria sutil, leve e fluida; Tamas é a matéria densa e pesada; e Rajas é a matéria intermediária. Qualquer elemento integra um desses três gunas", afirma Maria Stela. Segundo ela, os alimentos são classificados em seis sabores: picante, amargo, adstringente, doce, salgado e ácido, que ressaltam o sabor natural, sem temperos ou cozimento. A carne, por exemplo, é doce, e o salgado, encontrado no sal e nos frutos do mar.

        A especialista exemplifica que um indivíduo kapha deve preferir os sabores picantes (condimentos), amargos (legumes e verduras) e adstringentes (que geram secura no organismo, como pêra, maçã, caqui e romã, além dos feijões, ervilhas e lentilhas. "Se deve ainda ingerir menos quantidade e fazer uso de plantas medicinais, como o gengibre e a erva-doce."

        Sobram detalhes e minúcias na terapia? A resposta depende dos anseios de cada interlocutor. O que se nota, contudo, é que a técnica ayurvédica vem conquistando cada vez mais adeptos no Brasil. Pudera, o corre-corre diário, especialmente nos centros urbanos, incentiva a busca de alternativas para o equilíbrio energético.

Fonte: Agência Estado

 

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