Atopias e alergias atingem 25% da população mundial
1 de janeiro de 2008
As doenças de origem atópica - alergias, rinites, dermatites e asma - entre outras - atingem 25% da população mundial. As farmácias magistrais podem ajudar em muito a estes pacientes.
Nesta entrevista, o Dr. Jaime Henrique Lazzari esclarece os principais aspectos desta patologia tão importante.
Como podemos definir a Atopia?
A Atopia é uma diátese genética, ou seja, o paciente atópico nasce com um pacote genético de atopia, herdado, que faz com que ele tenha diversas alterações, todas decorrentes dessa configuração gênica. A grande maioria dos atópicos tem antecedentes familiares – vários casos na família com as diversas formas da atopia nos mais variados estágios e intensidades.
As manifestações da Atopia podem ser classificadas como “major” e “minor”, respectivamente com maior ou menor relevância ao diagnóstico clínico.
As manifestações major são Bronquite (Asma), Rinite Alérgica e Dermatite Atópica com eczema flexural, enquanto as minor são Asteatose (pele seca), Xerose, Dermatites de contato por intolerância ou alergia, Conjuntivite alérgica, Intolerância e alergia alimentar, Refluxo gastresofágico e outras associações que podem ser intensificadas nos atópicos, como Dermatite seborréica, Infecções e infestações de pele, Sinusite, Amigdalite e outras inflamações e infecções de vias aéreas superiores, etc.
A atopia é muito freqüente no Brasil?
Cerca de vinte e quatro por cento da população mundial, e do Brasil, apresenta genética para a Atopia. Podemos dizer que a cada quatro pessoas no mundo, uma pode ter alguma forma de manifestação atópica.
Em termos de saúde pública, quais os problemas causados pelas atopias?
Inúmeros. Basta dizer que a segunda maior causa de morte são as Bronquites, incluindo a asmática, só perdendo para o coração. No inverno, quando as atopias pioram, os pronto-socorros e pronto-atendimentos têm um enorme volume de atendimento de crianças, adolescentes e adultos asmáticos em crise, os consultórios de dermatologia têm inúmeros casos de dermatites de difícil controle, oftalmologistas aumentam o atendimento a pessoas com conjuntivite, e os otorrinolaringologistas com os casos de Rinite alérgica, além de Sinusites, Laringites, Faringites, Amidalites e Adenoidites, a grande maioria relacionadas à Atopia. Os portadores podem cursar com diminuição da produtividade no trabalho e na escola nas épocas de crise.
Como as atopias interferem na qualidade de vida dos pacientes?
Bronquíticos tendem a viver com a possibilidade diária de se ter crise – no caso de crianças e adolescentes, podem cessar atividades que requerem esforço para não desenvolver crise, o que as tornam franzinas e atônicas, deformadas, às vezes. Adultos perdem dias de trabalho e têm grandes limitações às inúmeras atividades que podem desencadear crise. No caso das Dermatites atópicas, o eczema geralmente causa transtornos de ordem clínica e social, com intenso prurido, descamação, secreção e aspecto inestético. Rinite alérgica e outras alterações das vias aéreas superiores impedem a prática de alguns esportes e algumas profissões, além de socialmente incômodo, como também no caso de conjuntivites, intolerâncias alimentares e outros distúrbios.
É difícil tratar as atopias? Quais as principais dificuldades?
Uma das principais dificuldades de se tratar a Atopia é convencer as pessoas envolvidas de que o controle ambiental é imprescindível para um bom controle.
Filhos asmáticos ou riníticos de pais tabagistas tendem a ter mais que o dobro de crises, mesmo que não se fume dentro de casa! Objetos e lugares que acumulam poeira – bichos de pelúcia, caixas armazenadas e o próprio colchão e travesseiro também são causa de crises. Não há como driblar o contato com os antígenos sem controle de ambiente. Rinites tendem a obstruir o nariz, ocasionar coriza aquosa abundante e espirros em salva. Dermatites atópicas e xeroses pioram com o clima seco e com o banho em excesso – bucha, excesso de sabonete - produtos irritantes ou alérgenos de contato, manipulação das áreas acometidas – coçadura da pele, olho, nariz...
Os medicamentos aliviam em muito ou cessam as manifestações da Atopia, mas não conseguem curá-la. É difícil de as pessoas aceitarem a realidade de uma doença crônica e não é incomum realizarem tratamentos intempestivos com orientações de pessoas ignorantes no assunto ou inescrupulosas com ofertas milagrosas que, na maioria das vezes cursam com piora importante das manifestações atópicas, o que as tornam descrentes em relação aos tratamentos, e com o tempo, amarguradas.
Um paciente bem orientado é um paciente que vai tratar corretamente, com os medicamentos adequados, que cursa com uma qualidade de vida muito melhor, ciente de que terá que fazer controle e manutenção.
Como as farmácias de manipulação podem colaborar nos tratamentos?
A farmácia de manipulação colabora imensamente com os tratamentos, pois existem pacientes que têm tanta restrição ao uso dos medicamentos existentes, que só manipulando para se conseguir uma formulação de veículo e/ou princípio ativo que seja adequado para ele. Podemos citar cápsulas sem corantes, cremes sem perfume e/ou corantes e/ou conservantes, princípios ativos em concentrações não usuais, especiais ou que não se encontram nos medicamentos de linha, etc.
Entretanto, uma farmácia de manipulação pode se destacar pela qualidade de seus atendentes e pela proximidade do farmacêutico, ajudando ao cliente (e ao médico) na orientação do tratamento, corroborando a importância dos controles ambientais, atentando ao uso correto dos medicamentos, desfazendo os mitos que cercam essa patologia tão onerosa.
Como deve ser a relação médico-paciente-farmácia nos casos de atopia?
É papel do médico orientar o paciente quanto aos medicamentos, mas também é papel da farmácia e do farmacêutico orientar o cliente quanto ao uso correto dos medicamentos que o cliente ali adquiriu, mas sabemos que os tratamentos não se resumem apenas aos medicamentos prescritos.
As orientações muitas vezes somam mais da metade do tratamento de uma patologia, como é o caso da Atopia – e principalmente da Dermatite atópica.
“Um tratamento bem feito requer um medicamento bem prescrito sobre bases científicas firmes, com uma orientação bem detalhada conforme a compreensão e entendimento do cliente, associado a bons fármacos com uma boa prática de produção e/ou manipulação, com atendimento personalizado, detalhando o uso do fármaco com orientação dirigida quanto à patologia, para que o cliente não tenha dúvidas de como conduzir o seu tratamento, e que, com o retorno do cliente ao médico o ciclo se feche com o resultado esperado por todos”.
Fonte: RXonline
Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.