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5 de janeiro de 2011
O mercado de medicamentos genéricos cresce no Brasil, mas ainda há resistência de algumas farmácias em vendê-los. A afirmação foi feita, ontem, pela gerente-geral de genéricos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Vera Valente, durante o 1o. seminário sobre o tema realizado pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma).
Um ano e meio após o registro dos primeiros seis genéricos no País, a oferta desse tipo de medicamento já abrange as principais doenças, como hipertensão, epilepsia, glaucoma, câncer de mama e mal de Parkinson. Nas duas últimas semanas foram lançados os primeiros genérico contra o diabetes e a Aids.
Segundo Vera, da Anvisa, já são 313 registros de genéricos, com 128 fármacos diferentes e 925 apresentações. "Vinte e dois laboratórios produzem genéricos e constam pedidos de outros 31 para entrar nesse mercado, que cresce 20% ao ano. Em maio último, a participação em unidades foi de 2,77% e, em valor, 2,44%", disse Vera. A indústria farmacêutica no Brasil fatura US$ 8 bilhões anualmente. Ela informou, também, que esse mercado pode crescer ainda mais porque 86% das drogas que já existem são 'copiáveis'.
Os genéricos têm sucesso porque a maioria das ações visando deslanchar esse mercado deram certo, disse Vera. Ela cita a revisão dos critérios para agilizar os registros e a diminuição do prazo de 120 para 30 dias em média. O mercado também progride em razão do acesso a financiamentos do BNDES para a produção. "Só a questão da disponibilidade do genérico nas farmácias ainda não está 100%, porque algumas redes ou pequenos estabelecimentos ainda têm uma visão muito imediatista. Como o genérico é, em média, 40% mais barato que o medicamento de marca, se ganha no longo prazo. E estamos no meio do processo de conscientização desses agentes", disse Vera.
O diretor administrativo financeiro da rede de farmácias Pague Menos, presente no Norte e no Nordeste, Josué Ubiranilson Alves, disse no evento que o lucro das farmácias diminuiu devido à menor demanda e porque os genéricos, que são mais baratos, pressionam os concorrentes de marca a baixarem preços também. A indústria farmacêutica também tenta quebrar essa barreira da comercialização, fazendo parcerias com as distribuidoras e farmácias. A Biosintética distribuiu folhetos explicativos sobre seus 14 genéricos, realizou seminários e qualificou profissionais para o varejo. A EMS, que fabrica 81 genéricos, logo percebeu a necessidade de treinamento e mais explicações para os varejistas. "Trabalhamos com o conceito de que melhor vender com margem menor do que não vender", diz Débora Mori, gerente de marketing. A meta do grupo ProGenéricos, que reúne estas indústrias, é crescer 30%, atingindo US$ 2 bilhões em três anos. Até o fim de 2001, ela quer 10% do mercado total nacional.
Fonte: Gazeta Mercantil / Ministério da Saúde*
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