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Pasteurização

Artigo por Colunista Portal - Educação - quinta-feira, 13 de setembro de 2012

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O objetivo é oferecer ao paciente um artigo em boas condições
O objetivo é oferecer ao paciente um artigo em boas condições
A pasteurização de artigos é o sistema térmico de desinfecção usado para o reprocessamento de artigos semicríticos e não críticos, com o objetivo de destruir microrganismos em sua forma vegetativa. O objetivo da pasteurização é realizar a desinfecção de alto nível.

O processo de pasteurização destrói as bactérias por meio da coagulação da proteína da célula e da água, devido à sua alta condutividade térmica, que é 20 vezes maior que o ar, de forma que o torna um meio eficiente para transmitir o calor exigido na destruição dos microrganismos. Além disso, trata-se de um sistema econômico e seguro para o meio ambiente.

São recomendações importantes para a pasteurização:
Usar equipamento de proteção individual, tais como gorro, máscara, óculos de proteção, avental impermeável e luvas de borracha;
Desconectar conjuntos respiratórios e acondicioná-los em bolsas de nylon, específicas do equipamento, para evitar perdas e igualmente impactos e danos ao aparelho e prevenir nova contaminação no manuseio após o processo;
Carregar o equipamento com os artigos a serem processados;
Programar o aparelho conforme as orientações do fabricante;
Utilizar técnica asséptica para a retirada do artigo, ou seja, avental, luvas, touca e máscara;
Encaminhar o artigo para secagem, preferencialmente para a secadora ou, então, para a secagem manual, que deve ser feita em ambiente limpo, com boa iluminação, livre de umidade e provido de pistola de ar comprimido de uso hospitalar, sobre a bancada previamente limpa com álcool e forrada com tecido limpo;
Realizar o processo em área física limpa e específica;
Utilizar embalagem de polietileno não reciclada, com gramatura mínima de 1 mícron;
Empregar selagem térmica;
Validar o processo conforme os critérios estabelecidos no documento de validação para pasteurização;
Documentar essa etapa e arquivar o registro ao término de cada ciclo do processo.

Empacotamento dos Artigos e Instrumentais Cirúrgicos
Um procedimento importante que o instrumentador cirúrgico deve saber realizar com muita destreza é o empacotamento de artigos, pois muitos instrumentais cirúrgicos são preparados por esse profissional.

O preparo e empacotamento de artigos consistem na preparação do artigo de acordo com sua classificação, ou seja, crítico, semicrítico e não crítico e em seu acondicionamento em invólucro compatível com o processo e com o próprio material.

O objetivo desta fase é oferecer ao paciente um artigo em boas condições de funcionalidade e com proteção adequada, ao dispensar atenção ao preparo dos artigos a serem esterilizados para favorecer a transferência asséptica, sem risco de contaminação.

São recomendações importantes para o preparo e o empacotamento de artigos:
Lavar as mãos antes de iniciar o preparo e o empacotamento dos artigos;
Inspecionar o artigo antes do empacotamento, verificando limpeza, integridade e funcionalidade.
Selecionar a embalagem de acordo com o processo, peso e o tamanho do item;
Avaliar a necessidade de utilização de embalagens duplas, de invólucros compostos de plástico e/ou de papel para empacotar vários itens a serem apresentados em embalagem única ao campo estéril;
Realizar o ajuste perfeito de embalagens duplas, observando se elas não apresentam dobras internas e se estão acomodadas à parte externa;
Antes da esterilização, identificar a embalagem do artigo com as seguintes informações: descrição do conteúdo, método de esterilização, controle do lote, data da esterilização, data de validade e nome do preparador;
As informações devem constar de uma fita ou de uma etiqueta adequada, não devendo ser anotadas diretamente no invólucro. O papel grau cirúrgico tem de ser etiquetado na porção plástica. As canetas utilizadas, por sua vez, não podem manchar a embalagem e a tinta precisa ser atóxica;
Observar se a selagem está íntegra, pois falhas nessa etapa permitem a entrada de microrganismos;
Remover o ar do interior das embalagens compostas de papel grau cirúrgico ou filme plástico antes da selagem, uma vez que a expansão de ar no interior da câmara de esterilização pode produzir a abertura do pacote;
Adotar a técnica de empacotamento universalmente aceita;
Atender às especificações das normas estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou às determinações Internacionais vigentes.
Outra questão muito importante que o instrumentador deve estar atento é em relação às embalagens recomendadas para envolver os instrumentais cirúrgicos. É importante conhecer conceitos como o acondicionamento.
O acondicionamento é um termo genérico que inclui todos os tipos de materiais disponíveis em uma instituição hospitalar, ou em uma clínica odontológica, destinados a embalagem de artigos odonto-médico-hospitalares reutilizáveis para esterilização, estocagem e apresentação para uso asséptico.

Os principais objetivos de uma embalagem são:
Vedar, para que seja esterilizado;
Manter a esterilidade do artigo no que se refere ao uso pretendido;
Manter a vida útil do artigo;
Manter as condições de transporte e armazenagem até o momento de sua utilização.
       
As condições em que os artigos ou sistemas de embalagem são produzidos, estocados, transportados e manuseados devem ser estabelecidas, controladas e documentadas para garantir:
A compatibilidade com o uso para o qual a embalagem foi designada;
A manutenção das características de desempenho do artigo da embalagem
Uma relação custo-benefício positiva e condizente com as ofertas do mercado.
Existem tipos específicos de embalagem e o instrumentador cirúrgico deve conhecê-las para que possa escolher adequadamente antes de embalar o artigo médico-hospitalar.
       
Tecido de algodão
O tecido de algodão estrutura produzida pelo entrelaçamento de um conjunto de fios dispostos no sentido longitudinal (urdume = U) com outro conjunto de fios dispostos no sentido transversal (trama = T), formando um ângulo de aproximadamente 90°.

Os campos reutilizáveis devem manter uma barreira de proteção através de múltiplos processamentos, ou seja, de várias lavagens e esterilizações. As fibras aumentam após inúmeras lavagens e encolhem com a secagem e a esterilização, o que as torna frágeis e facilita seu desprendimento.
       
Há alguns problemas relacionados ao uso dessas embalagens, portanto os instrumentadores devem estar atentos. São eles:
Dificuldade de monitoramento do desgaste do tecido depois de repetidas lavagens;
Baixa vida útil por desgaste precoce das fibras;
Falta de regulamentação de manufatura, que faz com que o consumidor não obtenha orientação nem garantias por parte do fabricante na escolha do tecido e do número possível de reprocessamentos;
Baixo grau de eficácia como barreira microbiana;
Ausência de resistência à umidade;
Sobrecarga de trabalho, principalmente para os setores de costura e lavanderia;
Padrão de alinhamento das fibras, que cria caminhos livres de obstáculos, facilitando a passagem dos microrganismos
      
Existem algumas recomendações importantes para o uso de embalagem de tecido, são elas:
Lavar o tecido antes do primeiro uso com objetivo de retirar o amido que nele se encontra;
Após cada uso, deve-se realizar a lavagem desse tecido com o objetivo de retirar a sujidade e restaurar o teor de umidade das fibras;
Realizar testes frequentemente de permeabilidade com água, controlando o tempo de vazamento, em comparação com o de tecidos novos;
Estabelecer o número máximo de reprocessamento que este tecido poderá sofrer;
Evitar o processo de calandragem na lavanderia das roupas e campos cirúrgicos, porém manter os demais processos como, por exemplo, a lavagem, a centrifugação e a secagem na secadora;
Não realizar remendos nos campos cirúrgicos, ou seja, evitar o cerzimento, pois a costura aumenta a distância entre as fibras e permite a passagem de microrganismos através dos tecidos;
As embalagens de tecido devem ser mantidas em temperatura ambiente, aproximadamente entre 18°C a 22°C e permanecer numa umidade relativa de 35% a 70%. O objetivo de manter a umidade e a temperatura destas embalagens é para que haja a penetração do vapor e assim prevenir o aquecimento excessivo durante o processo de esterilização.
       
Papel grau cirúrgica
O papel grau cirúrgico é outro tipo de embalagem muito utilizada para revestir materiais e instrumentais cirúrgicos que passarão pelo processo de esterilização. Ele é permeável ao agente esterilizante e impermeável aos microrganismos.

É muito resistente a temperatura podendo suportar até a temperatura de 160°C e ainda possui a vantagem de ser isento de alvejantes e corantes.
       
Ele possui as seguintes características, segundo a NBR 14990-1 a 11 (ABNT, 2005):
Possui poros de 0,22 mícron de diâmetro e porosidade, ou seja, velocidade de passagem do ar através dos poros, de 15 segundos por 100 cm² de ar, no mínimo;
Gramatura de 60 a 80 g/m², verificada por meio de balança analítica de precisão;
Resistência à tração;
Resistência à perfuração;
No máximo 3 mm² por metro quadrado de sujeira;
Mantém o pH entre 6 e 7;
Possui a quantidade máxima de amido de 1,5%;
Tem a capacidade de absorção de água nas duas faces de, no máximo, 30 g/m² - a embalagem pode se apresentar com duas faces de papel ou uma de papel e outra de filme transparente, com gramatura de 54 g/m²;
Sua umidade máxima é de 7%;
Sua porcentagem de cloreto é inferior a 0,05%.

É importante que o instrumentador cirúrgico saiba que na etiqueta de identificação é necessário conter as seguintes informações, referentes ao papel grau cirúrgico:
Tipo de papel;
Gramatura;
Diâmetro;
Formato da bobina;
Número de ordem de fabricação ou lote.

Papel Crepado
O papel crepado é outro tipo de embalagem utilizada nos revestimentos de materiais médicos-cirúrgicos. Ele é composto de 100% de celulose tratada, ou seja, com polpa virgem de madeira branqueada.

Deve possuir as seguintes características:
Eficiência e eficácia diante da esterilização por vapor e óxido de etileno;
Alta eficiência de filtragem, ou seja, entre 98-99,9% constituindo-se assim, uma barreira efetiva contra a penetração microbiana;
Deve ter flexibilidade e facilidade para ajustar-se, sendo um produto muito indicado para a confecção de campos e aventais cirúrgicos;
Ter uma porosidade controlada de 60 g/m²;
Ter uma gramatura mínima de 56 g/m²;
Ter uma resistência à ruptura, suportando processos de esterilização e ajustando-se a todos os tipos e tamanhos de artigos;
Ter uma hidrorrepelência, ou seja, constituir uma barreira eficaz contra a penetração aquosa de bactérias;
Ser antiestática, conferindo a esse tipo de papel a capacidade de não liberar nem atrair partículas, não favorecendo, portanto, o acúmulo de poeira;
Ausência de efeito de memória;
Ser biodegradável;
Não ser tóxico e não causar irritação;
Ser reciclável.

Papel Kraft
O papel Kraft atualmente está em desuso nas instituições hospitalares, pois por conter geralmente amido, microfuros, corantes e produtos tóxicos, como o alquiltiofeno.

Tem a desvantagem de não resistir à umidade, possui efeito memória, apresenta irregularidades em sua gramatura, apresentando microfuros, e se mostra frágil quanto à resistência física e vulnerável como barreira microbiana após a esterilização.

Filmes Transparentes
Os filmes transparentes são confeccionados com polietileno, polipropileno, poliéster, nylon ou poliamida, policloreto de vinila (PVC), poliestireno, acetato de celulose, surlyn, etil vinil acetato (EVA) e polietileno tereftalato glicol (PETG).

A sua grande vantagem, compondo-se numa embalagem com o papel grau cirúrgico, é permitir a visualização dos materiais e instrumentais cirúrgicos que serão submetidos ao processo de esterilização.

Os filmes de 0,075 mm são laminados com papel grau cirúrgico para embrulhar artigos destinados à esterilização por vapor ou, então, estão presentes em embalagens que apresentam um lado de papel e outro de filme plástico, podendo ser utilizados tanto nos processos por vapor quanto nos que empregam óxido de etileno. (Possari, 2003).

Tyvek
A embalagem de tyvek é constituída de poliolefinas expandidas e mylar, um polietileno em tripla camada. É um polímero emaranhado que forma um filme de propriedades específicas, suportando altas temperaturas e apresentando alta resistência à tração e à perfuração, além de longa durabilidade e excelente barreira microbiana.

A sua selagem deve ser realizada com a seladora com a temperatura entre à faixa de 100°C a 130°C. A linha de selagem precisa ter uma espessura mínima de 6 mm e não pode apresentar sinais de rugas, furos e sinais de aquecimento excessivo. Há ainda a possibilidade de embalar os envelopes duplamente.

É uma embalagem compatível com a maioria dos processos de esterilização como, por exemplo, o vapor saturado sob pressão, óxido de etileno, plasma de peróxido de hidrogênio e radiação gama.

O seu uso ainda é muito limitado, pois possui um alto custo, portanto os hospitais e clínicas preferem utilizar outros tipos de embalagens.

Lâminas de Alumínio e Caixas Metálicas
Outro tipo de embalagem muito comum são as lâminas de alumínio e as caixas metálicas. As lâminas de alumínio e caixas metálicas só podem ser utilizadas na esterilização pelo calor seco em estufas, um processo de esterilização que hoje em dia não é muito utilizado pelos hospitais.

Contudo, é possível usar as caixas metálicas na esterilização por vapor se elas forem perfuradas e recobertas com embalagens permeáveis ao vapor, ou seja, embaladas em tecido ou até mesmo em papel grau cirúrgico.

O sistema de contêineres rígidos está gradativamente sendo utilizado nas instituições hospitalares e em clínicas.

Suas principais finalidades são:
Ter a capacidade de estocar os artigos médico-hospitalares e cirúrgicos por várias semanas;
Manter a esterilidade do artigo durante o transporte da Central de Material até o centro cirúrgico;
Reduzir e economizar espaço no armazenamento;
Possibilitar a codificação dos artigos segundo as especialidades médicas, por meio do uso de etiquetas coloridas.

Suas principais vantagens são:
Rapidez e agilidade na localização dos artigos nas prateleiras devido as suas placas coloridas de identificação;
As salas de cirurgias ficam mais organizadas, pois há uma diminuição no volume de invólucros;
A técnica de abertura é simples, diminuindo assim o risco de contaminação;
Manutenção adequada do artigo estéril durante o período transoperatório.
CreativeCommons

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