CURSOS ONLINE GRÁTIS NA COMPRA DE UM DOS 1400 CURSOS ONLINE

Mieloma múltiplo: Doença rara requer diagnóstico rápido e preciso

Artigo por Colunista Portal - Educação - terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Tamanho do texto: A A

O diagnóstico nem sempre é claro
O diagnóstico nem sempre é claro
Aos 47 anos, Lúcia Pereira Gomes Fava descobriu que estava com mieloma múltiplo. Tudo começou com dores no fêmur - osso localizado na coxa. Adepta a prática de exercícios físicos e com uma vida bem movimentada, ela resolveu procurar um ortopedista. O médico pediu vários exames e desconfiou de problema no osso da bacia. "Quando vieram as dores ainda brinquei, dizendo que estava ficando velha", lembra Lúcia.


O mieloma múltiplo é uma doença rara e de diagnóstico nem sempre claro. É um tipo de câncer dos plasmócitos, que são células produtoras dos anticorpos imunoglobulinas. Ele não se apresenta na forma de tumores ou nódulos, suas células ficam espalhadas pela medula óssea. Normalmente elas representam menos de 5% da composição da medula. Quando a pessoa tem mieloma, os plasmócitos crescem em número superando os 20% do total das células da medula óssea, podendo chegar a até 90%. "Essa doença é muito sofrida e a sobrevida média de um paciente, com tratamento, é entre 3 e 4 anos", informa Vânia Hungria, professora de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.


Lúcia fez sessões de fisioterapia, que não resolveram. Procurou, por iniciativa própria, a acupuntura, até que chegou um dia em que ela não conseguia levantar da cama. "Eu travei, não conseguia levantar. Liguei para um primo que é médico. Ele aplicou uma injeção e me levou para o hospital", recorda Lúcia. No início, os médicos desconfiaram de hérnia de disco e novos exames foram pedidos. Um deles apontou o nível da proteína IgA muito alto. "Na hora, eu brinquei, achando que proteína em excesso era bom", conta.


O mieloma representa 1% de todos os tipos de câncer, mas é o segundo mais comum no sangue. Nos EUA, a estimativa é que, a cada ano, surjam 15 mil novos casos de mieloma múltiplo. No Brasil, não existem levantamentos específicos. Como a miscigenação é grande, calcula-se que a incidência da doença está em sete casos para cada 100 mil habitantes.



A DEFICIÊNCIA BRASILEIRA EM DIAGNOSTICAR

Com o exame em mãos, Lúcia procurou um hematologista que, ao analisar o resultado, explicou que ela tinha um câncer raro e maligno. "Na hora fiquei aflita porque um câncer prolifera", relembra. Do momento em que ela sentiu as dores até o diagnóstico final foram três meses. "O Brasil tem um sério problema em diagnosticar o mieloma. Alguns pacientes passam dois anos tratando sintomas sem saber que tem a doença e chegam para o tratamento do câncer já em estágio avançado", avisa Ângelo Maiolino, professor de Hematologia e coordenador do Programa de Transplante de Medula Óssea do Hospital Universitário Clemente Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


A falta de informações sobre a doença é uma barreira a ser vencida. No Brasil, ao contrário do que acontece nos EUA, a pessoa passa por diversos médicos até chegar a um hematologista e iniciar o tratamento do mieloma em si. "O correto é pedir um diagnóstico completo quando o paciente se queixar de dores ou apresentar quadros de anemia. Toda dor tem uma razão e é preciso tratar a causa", informa Maiolino ao contar que as pessoas com mieloma chegam ao Hospital Universitário em situação dramática, com insuficiência renal, fraturas ósseas e anemia grave.


Exames como eletroforese de proteína (feito a partir da coleta de sangue) possibilitam diagnosticar a doença. Mas um exame de sangue mais comum, o hemograma completo, pode apontar alterações causadas pelo mieloma, como a presença de anemia. Outra forma de diagnosticar esse câncer é com o teste Freelite; desenvolvido recentemente, ele detecta pequenas quantidades das células do mieloma no sangue.
CreativeCommons

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

Comentários


colunista

Colunista Portal - Educação

O Portal Educação possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos e disponibilizados para profissionais, acadêmicos e interessados em adquirir conhecimento qualificado. O departamento de Conteúdo e Comunicação leva ao leitor informações de alto nível, recebidas e publicadas de colunistas externos e internos.