O sarampo é responsável por cerca de 900 mil mortes anuais de crianças em todo o mundo. Em nosso país, até a primeira metade da década de 80, convivíamos com epidemias repetidas de sarampo que acometiam centenas de milhares de crianças e chegaram a ser responsáveis por 11.354 mortes no período compreendido entre 1980 a 1984.
Em 1992, o Brasil estabeleceu a meta de eliminação do sarampo até o ano 2000, tendo implantado um plano nacional para atingir esse objetivo. O plano iniciou-se com uma campanha nacional de vacinação contra o sarampo em 1992, que teve como população-alvo todas as crianças com idade dos nove meses aos 14 anos de idade. Nessa campanha mais de 48 milhões de crianças foram vacinadas, atingindo-se uma cobertura de 96%.
As outras ações previstas na estratégia de eliminação eram a elevação da homogeneidade na cobertura vacinal de rotina e a realização de uma campanha de seguimento em 1995, para imunizar os possíveis susceptíveis acumulados até então. A redução do número de casos, que gerou a falsa sensação de que o sarampo já estava eliminado, bem como os questionamentos sobre a necessidade de realização da campanha de seguimento, levaram a um resultado muito abaixo de 90% de cobertura vacinal nessa campanha de seguimento, com alguns estados sequer a realizando. Assim, foram criadas as condições para a eclosão de um surto importante em 1997, que totalizou 53.664 casos confirmados e 61 óbitos.
Esse surto iniciou-se por São Paulo e depois se expandiu para 18 estados do país, durando até 1998. Com a realização de uma campanha de seguimento em 1997 o surto foi controlado e as estratégias foram revisadas para que o país cumprisse a meta de eliminação em 2000. Em 1999 foi implantada uma força tarefa com o objetivo de garantir o cumprimento, em cada estado do país, das ações de vigilância epidemiológica e de vacinação.
O último surto notificado de sarampo ocorreu no estado do Acre em fevereiro de 2000, com um total de 15 casos. O último caso de sarampo ocorreu no Mato Grosso do Sul em novembro do mesmo ano. Desde então, há evidências de que a circulação viral no Brasil tenha sido interrompida. Foram detectados dois casos importados, ambos em São Paulo, um no mês de janeiro de 2001 e outro no mês de março de 2002, em que as crianças tinham a mesma procedência: o Japão. A vigilância epidemiológica identificou oportunamente esses casos e as ações de controle pertinentes foram executadas, de modo a impedir a ocorrência de surtos que poderiam surgir a partir desses casos, com possibilidade da reintrodução do vírus no país.
A Fundação Nacional de Saúde - FUNASA permanece atenta e implementando todas as ações para garantir uma vigilância epidemiológica capaz de detectar precocemente qualquer caso importado, bem como para a manutenção de altas coberturas vacinais. Dentre estas ações capazes de impedir a reintrodução do sarampo em nosso país, recomenda a vacinação de todas as pessoas na faixa etária de 1 a 39 anos, que se dirijam a países em que houve recente circulação do vírus do sarampo, inclusive com ocorrência de surtos e epidemias, como: Venezuela, Colômbia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Itália, Inglaterra, Irlanda, Filipinas, Paquistão, Haiti, República Dominicana, Quênia, Papua-Nova Guiné e Índia. A vacinação deverá, preferencialmente, ser realizada 15 dias antes da viagem, para que se obtenha o máximo efeito protetor. Esta recomendação tem por objetivo a manutenção da eliminação da circulação do vírus selvagem do sarampo no território brasileiro.
A vacinação também está sendo recomendada para os profissionais que mantêm contato com viajantes oriundos destas áreas. Nessa situação estão incluídos profissionais de turismo, motoristas de táxi, agentes da polícia federal e aeroviários. Os profissionais de saúde também devem se vacinar porque eles podem ter contato com casos importados.*