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Automedicação


20 de janeiro de 2011


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Por Macário Jácome
Os medicamentos servem para aliviar, curar e, paradoxalmente, piorar muitas das disfunções e doenças. Tudo depende das condições de sua utilização e reações do organismo. A automedicação, prática de ingerir medicamentos por conta e risco próprio sem o acompanhamento de um profissional da saúde, pode agravar os efeitos colaterais (indesejáveis) dos medicamentos.
Pelo menos 50% das vendas dos medicamentos tradicionais do mercado brasileiro correspondem à automedicação. Essa foi uma das conclusões do estudo “Configuração do Complexo Econômico da Saúde”, realizado no ano passado pela Unicamp a pedido do Ministério da Saúde.
Várias outras hipóteses convergem ou divergem na tentativa de explicar as causas da automedicação. Algumas atribuem a prática a uma espécie de consequência, mesmo que distorcida, da divulgação que os laboratórios fazem junto à classe médica; outras, do excesso de pontos de vendas. Existe uma farmácia para cada três mil habitantes, quando o número preconizado pela OMS é de uma para cada grupo de oito mil habitantes. Para incentivar os médicos a prescrever seus produtos, os laboratórios destinam um percentual de 30% a 35% de sua receita líquida aos representantes, cuja função é bater na porta dos consultórios e divulgar o remédio. O segundo momento do medicamento no mercado é marcado pela automedicação. O estudo mostra que, se o paciente ficar satisfeito com o remédio, continuará comprando sem voltar ao médico. No Brasil, vários remédios, incluindo antibióticos, são vendidos sem receita. Além disso, o paciente faz o marketing boca a boca, indicando o remédio a amigos e familiares.
O diretor da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, reconhece que a questão da prescrição e da automedicação são desafios para uma cultura como a nossa. Para ele é um processo demorado, que envolve educação das pessoas e dos profissionais. Segundo William Saab, gerente do BNDES, que realizou um estudo recente sobre automedicação, o brasileiro tem compulsão de se automedicar, o que motiva varejistas de fármacos menos éticos. Seria também um reflexo da crise da saúde pública, que dificulta o acesso e acompanhamento adequado. O fenômeno da medicação não é um “privilégio” do povo brasileiro. A Organização das Nações Unidas (ONU) adverte, por meio do Conselho Mundial de Monitoramento de Narcóticos, sobre as nefastas consequências do abuso no consumo de algumas substâncias emagrecedoras, tranquilizantes e anabolizantes, comercializadas nos países desenvolvidos, especialmente os Estados Unidos.
Em relatório, a instituição atribui o abuso de consumo desses fármacos à combinação de fatores que “medicalizam” os problemas sociais, como desemprego e dificuldades de relacionamento, e a tendência a tratar os sintomas em vez das causas de problemas, como a obesidade, estresse e déficit de atenção. Segundo ele, a responsabilidade por esse fenômeno deve ser compartilhada entre médicos e empresas farmacêuticas. O relatório afirma ainda que a mudança nas relações entre médicos e pacientes também pode ser parcialmente responsável pela tendência. Em uma era de acesso mais amplo às informações ligadas à saúde, de partilha do processo decisório e de automedicação mais ampla, o paciente estaria assumindo riscos mais do que desejáveis.
Fonte: Agenda Saúde*
 
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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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