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Talidomida, sim, mas com o acompanhamento do farmacêutico


25 de janeiro de 2011


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ATENÇÃO BÁSICA
As reações indesejáveis ao medicamento talidomida poderiam ser controladas se o Ministério da Saúde contasse com a participação dos farmacêuticos no conjunto da assistência básica e no PSF (Programa Saúde da Família). O alerta é do Presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Jaldo de Souza Santos. Segundo ele, a ausência dos farmacêuticos nesses serviços públicos gera um vazio de informações técnico-científicas, o que deixa o usuário do medicamento em situação de insegurança e mais vulnerável aos efeitos nocivos do produto. As malformações e até morte de bebês são as principais causas do uso inadequado da talidomida.
De acordo com o dirigente do CFF, se os farmacêuticos estivessem atuando na assistência ou atenção básica e no PSF, programas públicos, poderiam prestar orientações fundamentais aos usuários da talidomida, como também às suas famílias, inclusive visitando as suas residências e fazendo o acompanhamento do seu uso, garantindo a segurança da saúde do paciente.
"A dispensação da talidomida, que requer muito rigor e controle, somente pode ser realizada pelo farmacêutico, por uma questão de qualificação profissional", salienta. Jaldo de Souza Santos acrescenta que a dispensação de qualquer medicamento é uma ação exclusiva e indelegável do farmacêutico.

Potencialidades terapêuticas - A talidomida, no Brasil, é indicada principalmente no tratamento da hanseníase. Contudo, surgem outras possibilidades terapêuticas. Mas a Lei 10.651, de 16 de abril de 2003, prevê que o produto, além da hanseníase, seja usado apenas no tratamento de mieloma múltiplo (tipo de câncer), doenças crônico-degenerativas e algumas oportunistas que afetam portadores de HIV.
O dirigente do Conselho Federal de Farmácia entende que, se há outras possibilidades oferecidas pela talidomida, o governo deve investigá-las, seguindo protocolos, com vistas a usar o medicamento em outros tratamentos. “O que não se pode é perder de vista os benefícios oferecidos pela talidomida, por causa dos equívocos que já foram cometidos. Pelo contrário, é preciso estudá-la, com profundidade, para que, um dia, ao invés de causar malformações em fetos, ela traga só vantagens aos seus usuários”, explica Souza Santos.
Ele insiste em que o farmacêutico esteja no centro das discussões sobre a talidomida e assuma posição dianteira na dispensação do medicamento. Para tanto, ele terá que participar dos programas do Ministério da Saúde, como o PSF, o que ainda não ocorre. No PSF, explica o Presidente do CFF, ele fará o acompanhamento da utilização do produto, evitando problemas. “Onde já se ouviu dizer que justo o profissional do medicamento esteja fora da cena envolvendo um medicamento?”, conclui. Mas adiantou que o Ministro da Saúde, Saraiva Felipe, mostrou-se sensível à participação do profissional no PSF. A talidomida, depois de anos de discussões, devido aos problemas que causou, está sendo resgatada pela medicina. As novas discussões sobre o medicamento foram encampadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), por meio de consulta pública. O órgão alega que quer ouvir a sociedade sobre a regulamentação do registro, produção, fabricação, prescrição e distribuição da talidomida.
Embora o farmacêutico não participe, ainda, do PSF, a Consulta Pública da Anvisa prevê, em seu artigo 11, que a dispensação da talidomida seja feita exclusivamente pelo farmacêutico, mediante a apresentação de notificação de receita.
Perigo - Lançada, em 1956, como antigripal, a talidomida, tornou-se, logo, um dos mais populares medicamentos, na Europa, principalmente na Alemanha, seu país de origem. Os alemães diziam tratar-se de um produto “inteiramente atóxico e completamente seguro”. Era vendido sem prescrição médica. Associada a outras substâncias, as prescrições da talidomida estenderam-se à tosse, asma, dor de cabeça e enjoos para mulheres grávidas. Em 46 países, ela foi usada, livremente. O objetivo do laboratório Grunenthal, que a sintetizou, era a cura de alergias. Mas o fármaco também se mostrou eficaz na indução do sono profundo e duradouro.
Porém, a partir de 1959, médicos desconfiaram que o uso da talidomida estava associado ao nascimento de milhares de bebês com malformações, principalmente, nos membros ou extremidades. Grande número de crianças eram natimortas ou morreram logo depois do nascimento. Cerca de 10 mil bebês foram afetados pelo medicamento em todo o mundo. No Brasil, os números são de 463, mas pode passar de mil. Para se ter uma ideia dos malefícios do produto, durante a gestação, uma única dose de talidomida em mulheres grávidas pode causar a malformação do feto.
Pelo jornalista Aloísio Brandão,
Assessor de Imprensa do Conselho Federal de Farmácia (CFF)
E-mail: ass.imprensa@cff.org.br e telefone (61)2106-6527
Fonte: Conselho Federal de Farmácia*
 
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