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Entenda o que se passa na cabeça da criança que comete um delito

Artigo por Colunista Portal - Educação - terça-feira, 1 de janeiro de 2008

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Mentiras e pequenos furtos! Atitudes da criança que assustam e preocupam os pais. De acordo com estudiosos do comportamento infantil, isto é natural quando a criança tem idade entre três e sete anos. Claro que há limites e observações, mas antes de brigar preste atenção, às vezes o filho deseja apenas chamar à atenção dos pais por não saber como pedir ajuda.

Para entender, é necessário conhecer mais sobre o mundo da imaginação infantil, as crianças vivem num universo desconhecido e estão sempre em conflito entre a fantasia e a realidade. De acordo com a psicóloga Ângela Clara Correa, a fantasia acompanha a criança durante uma parte da infância, que vai de um a sete anos. "A mentira de uma criança é aceitável somente quando os valores não foram criados e percebidos por ela", afirma.

A mentira

A criança pequena não sabe lidar com as frustrações e ausências - sejam elas emocionais, financeiras ou comportamentais-, fazendo com que sintam a necessidade de mentir e/ou roubar para compensar a falta gerada por algum motivo ou circunstância.
Vamos pegar como exemplo uma criança que vai à escola após um fim de semana e a professora pergunta qual foi a diversão dos últimos dias. Ela, sem malícia ou premeditação, responde: fui passear numa linda fazenda com os meus pais! Mas, na verdade, ela não saiu de casa, ficou em frente à tv por todo o tempo. Houve uma mentira, porém isto nada mais é do que um sinal aos pais que devem dar mais atenção ao filho. À ida ao parque de diversões pode ser o suficiente para que a criança não minta.

Gabriel Maruyama de Oliveira, de cinco anos, assistia ao filme Super-Homem, quando, num momento de empolgação, subiu no móvel da sala e derrubou a TV de 29. A mãe, Raquel, ao ver o estrago, disse que o pai dele "o mataria" (conotativamente, é claro), mas Gabriel não processou a informação e perguntou para a mãe se o pai usaria a "faca" para tal. Para a especialista, a mãe assustou ao filho na maneira que falou com uma ameaça iminente, o que pode fazer a criança mentir na próxima vez que cometer algum erro, por medo dos pais. Neste caso, o ideal é que os pais punam os filhos exigindo uma atitude de reparo ao dano feito, como não deixar o filho assistir ao desenho por um dia ou utilizar a mesada para ajudar (com valores simbólicos) os pais a comprarem uma outra televisão. Assim, as crianças começam a distinguir e perceber o que não pode ser feito.

O roubo na infância

A ausência de algo pode ocasionar não só a mentira, mas também pequenos furtos. O desejo de ter um brinquedo igual ao do colega permite que a criança haja de forma inadequada, apropriando-se de um bem material do próximo. Assim, quando chega em casa com um brinquedo ou material escolar que não é seu, a criança afirma aos pais a obtenção do "presente" com uma mentira do tipo "Ganhei de um coleguinha do colégio". Para a psicoterapeuta Alessandra Fonseca, os roubos podem acontecer por diversas causas que estão intrínsecas nas crianças, uma delas é a dificuldade de lidarem com a falta e a impossibilidade de ter algo. Entretanto, a profissional garante que a atitude da criança pode ser reparada quando os pais mostram desde cedo certos valores e princípios. "Os pais que mostram ao filho desde cedo o significado de lealdade, confiança e verdade estarão menos propensos a enfrentar estes tipos de problemas e ganharão a confiança do pequenino", afirma. Com isso, a criança saberá administrar e entender melhor quando ouvir um "não" dos pais.

Como os pais devem agir

A solução aparece justamente quando os pais percebem que o filho necessita de atenção e auxílio no seu desenvolvimento, em vez de punições severas e algumas palmadas. Os pais precisam entender que são os responsáveis e condutores pelo amadurecimento do filho. Imagine para uma criança compreender o que é certo e errado e no que se deve acreditar ou não só por meio de palmadas e gritos? A psicóloga Ângela Clara Correa alerta ainda que as palavras dos pais têm muito poder no momento de repreender o filho. Por isso, o ideal é que utilize as palavras de formas claras e sem agressividade.
Se o filho mentir, faça com que ele perceba a atitude errada e mostre o quanto é importante ser sincero. A especialista em comportamento infantil Suzy Camacho afirma que só exige a preocupação dos pais no combate às mentiras quando elas tiverem o objetivo claro de fugir da responsabilidade e de não enfrentar certas situações. "Torna-se uma mentira perversa quando é premeditada para prejudicar outras pessoas, com intenção de tirar proveito de uma situação ou forma de não assumir responsabilidades de seus atos". Já no caso de roubo, os pais podem fazer com que a criança reconheça o erro diante da pessoa lesada, fazendo a devolver o objeto e pedir desculpas pelo ato. O constrangimento faz com que a criança não volte a roubar novamente. Se houver continuidade deste comportamento deve-se procurar o apoio de um profissional.

Dicas de como agir com filhos em situações de mentiras e roubos

Não chame a criança de mentirosa. Isso só reforça uma imagem negativa e a continuidade do comportamento inadequado.

Explique com calma as conseqüências negativas de uma mentira e roubo com exemplos práticos. Se prejudica alguém deixe claro porque é errado fazer isso e se ela gostaria que alguém agisse assim com ela.

Não grite com a criança para obrigá-la a dizer a verdade. Isso só a intimida mais.

Se suspeitar que a criança está mentindo faça perguntas genéricas. Como foi o passeio? Estava bom na escola? Depois de algum tempo volte a fazer as perguntas e compare as respostas.

Castigá-la duramente não é a melhor tática. Só fará com que minta mais para fugir da punição. Sua reação deve ser firme mas controlada, sem agressividade.

O exemplo dos pais é fundamental. Nada de mentirinhas úteis: "Diga que a mamãe não está . Fale que estou tomando banho". Não minta e nem peça para seu filho mentir.

Fonte: Guia da Semana/Andréia Meneguete

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