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Uso freqüente de maconha danifica cérebro de adolescentes


1 de janeiro de 2008


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CHICAGO, EUA - Adolescentes que consomem maconha regularmente correm o risco de danificar uma importante via do cérebro ligada ao desenvolvimento da linguagem e os que possuem predisposição à esquizofrenia podem ser vítimas da doença mais cedo, disseram pesquisadores na quarta-feira.

Imagens do cérebro de adolescentes que usam a droga com frequência revelaram anormalidades microscópicas na região que governa os aspectos mais complicados da linguagem e da audição.

Danos semelhantes no conjunto de fibras chamado de fascículo arqueado, que liga a área de Broca, no lobo frontal esquerdo, com a área de Wernicke, no lobo temporal esquerdo, foram encontrados no cérebro de consumidores de maconha e de esquizofrênicos.

"Essas descobertas sugerem que, além de interferir no desenvolvimento normal do cérebro, o uso constante de maconha por adolescentes pode provocar também o surgimento precoce da esquizofrenia em indivíduos geneticamente predispostos a ter a doença", afirmou Sanjiv Kumra, professor da Faculdade de Medicina Albert Einstein (EUA).

Os pesquisadores escanearam o cérebro de 114 pessoas, 26 das quais selecionadas porque possuíam esquizofrenia. Do grupo de esquizofrênicos, 15 fumavam maconha.

Outros 15 eram adolescentes do sexo masculino que consumiam maconha e que foram comparados com jovens que não usam a droga. Foi nesse grupo de usuários que as varreduras encontraram danos na área responsável pela linguagem e a audição.

O fascículo arqueado continua se desenvolvendo durante a adolescência e sofre o efeito de neurotoxinas introduzidas por meio do consumo de maconha, disseram os pesquisadores.

Uma técnica de escaneamento que detecta e mede a movimentação de moléculas de água no cérebro foi usada no estudo, apresentado durante o encontro anual da Sociedade Radiológica da América do Norte.

Cerca de 3 milhões de norte-americanos, com 12 anos de idade ou mais, usam maconha diária ou quase diariamente, segundo o Instituto Nacional sobre o Abuso de Drogas.

Os pesquisadores disseram ser necessário agora realizar estudos de longo prazo para saber se os danos observados nos adolescentes são permanentes.

Fonte: Reuters

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