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Anti-inflamatórios na Dor


30 de maio de 2011


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Decidir qual o melhor fármaco, determinar a menor dose eficaz e o esquema posológico mais apropriado, além de monitorar a eficácia e toxicidade do fármaco utilizado, devem ser questões essenciais a serem consideradas pelo prescritor para o controle da dor e inflamação.

Em conjunto com os analgésicos e antitérmicos, os anti-inflamatórios não hormonais (AINHs) são largamente utilizados, e correspondem cerca de 30% dos medicamentos mais prescritos.

Ao mesmo tempo que os AINHs estão entre as principais drogas compreendidas no arsenal terapêutico para o tratamento da dor, muitas vezes os mesmos podem ser contraiindicados devido a prevalência dos efeitos adversos.

A segurança dos AINHs deve ser considerada a partir de diversos fatores como seletividade, concentração plasmática, meia-vida, assim como características individuais do paciente como idade e comorbidades presentes.

Os efeitos adversos mais evidentes do uso dos AINHs estão relacionados ao sistema gastriintestinal (esofagites, úlceras, lesões tópicas, gastroduodenite, diarréia).

Estes efeitos, em muitos casos podem ser severos em certos grupos na população, podendo pôr em risco a vida de seus usuários.

Eventos cardiovasculares também são freqüentes com o uso dos AINHs. A elevação da pressão arterial, tanto em indivíduos sadios como hipertensos prévios, pode ocorrer, no entanto, os mecanismos pelos quais isso ocorre ainda não estão totalmente elucidados.

Sabe-se que ao inibir a COX-1 há redução da produção intrarrenal de prostaglandinas vasodilatadoras (prostaglandia E2 e prostaglandina I2), diminuindo o fluxo sanguíneo renal e a taxa de filtração glomerular, implicando a retenção de sal e água.

Ainda não está bem estabelecido se os comprometimentos cardiovasculares como infarto do miocárdio, isquemia cerebrovascular e exarcebação da insuficiência cardíaca congestiva, é específica dos inibidores da COX-2, ou se é característica de todos os AINH  e se for a hipótese mais provável que justifique essa reação envolve a ruptura no balanço da prostaciclina e do tromboxano A2.

Dentre outros efeitos adversos decorrentes da ação dos AINH é a diminuição da agregação plaquetária (somente o AAS inibe de forma irreversível a ciclo-oxigenase), prolongando o tempo de sangramento, mas este efeito é dose-dependente (os outros AINH têm efeitos reversíveis).

Além disso, podem produzir, agranulocitoses, neutropenia e anemia. Também podem causar sintomas relacionados ao SNC: irritabilidade, cefaléia, zumbidos e sonolência.

No tratamento da dor e inflamação, os glicorticóides não têm assumido um papel importante, já que seu uso vê-se limitado à toxicidade com o uso prolongado e não devem ser usados concomitantemente com os AINH.

Nesse contexto, conclui-se que para um tratamento eficaz da dor, deve-se ter muito critério ao se escolher um AINH, especialmente se essa for uma estratégia aplicada em pessoas mais idosas.

Não se pode deixar de valorizar também o uso de analgésicos não-opióides e não-inflamatórios, o uso de analgésicos opióides, e o uso de drogas adjuvantes.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

COSTA CA, SANTOS C, ALVES P. Dor oncológica. Revista Portuguesa de Pneumologia , v.13, n. 6, p. 855 – 867, 2007.

SANTOS, FC. Anti-inflamatórios: quando não indicados, como tratar a dor? Revista Atualiza Dor, São Paulo, n.5, p. 9 – 14, 2011.

HARDMAN JG, LIMBIRD LE. Analgésicos, antipiréticos, anti-inflamatórios e fármacos que se utilizam no tratamento da gota. In: As bases farmacológicas da terapêutica. Goodman e Gilman, 9ªed, cap 27, 1996.

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