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Histórico do Uso dos Fitoterápicos

Artigo por Colunista Portal - Educação - quinta-feira, 28 de abril de 2011

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Fitoterápicos
Fitoterápicos

O conhecimento histórico do uso de plantas medicinais se dá ao longo da História da Humanidade pela própria necessidade humana, uma vez que as plantas foram os primeiros recursos terapêuticos utilizados. Estudos arqueológicos têm mostrado através da análise de pólens e outros materiais que os homens das cavernas já utilizavam plantas medicinais.

As primeiras testemunhas do uso das plantas na medicina foram os papiros egípcios, os escritos chineses nas folhas de bambu e as taboas de argila dos Sumérios. No papiro de Ebers, de 1550 a. C., descoberto em meados do século passado, em Luxor, no Egito, foram mencionadas cerca de 700 drogas diferentes, incluindo extratos de plantas, metais (chumbo e cobre) e veneno de animais (Almeida, 1993, in Carneiro, S. M. de B, 1997).

Entre as mais antigas civilizações, a Medicina, através das plantas medicinais, já era praticada e transmitida desde os tempos mais remotos: na antiguidade egípcia, grega e romana, quando se acumularam conhecimentos empíricos e foram transmitidos posteriormente, através dos árabes aos seus descendentes europeus (Alzugary e Alzugary, 1983, in Silva, Édina B., 1997).

A arte de embalsamar cadáveres foi desenvolvida pelos antigos egípcios, evitando que estes entrassem em estado de putrefação. Foram necessários vários experimentos com muitas plantas para dar conhecimento ao mundo e deixar tal arte como herança (Alzugary e Alzugary, 1983, in Silva, É. B.,1997). No ano 3000 a. C., os países orientais praticavam o cultivo de plantas medicinais tendo como iniciante SHE UING (Alzugary e Alzugary op. cit. in Silva, É. B.,1997).

Assírios e Hebreus também se dedicaram à produção de várias plantas consideradas úteis (Balbach, op. cit. in Silva, É. B.,1997). A Índia foi considerada por alguns autores como o Eldorado dos Medicamentos Ativos, pela riqueza de sua flora medicinal (Delaveau, in Silva, É. B., 1997). O primeiro Tratado de Medicina só aparece mil anos antes de Jesus Cristo, no Vale do Tigre e Eufrates (atual Irã e Iraque).

Posteriormente vieram os estudos de Hipócrates (460-377 a. C.), Dioscórides (100 d. C.) e Galeno (130-200 d. C.). Hipócrates, considerado “o pai da medicina”, com a publicação da Corpus Hippocraticum, consagrando a existência da terapia com os vegetais. Sucedeu-o Dioscóride que, com seu famoso trabalho “De Matéria Médica”, constituiu para o aumento do arsenal fitoterápico. Mais tarde, já nos anos 160 e 180 d. C., surge o médico grego Galeno, que inicia a “Farmácia Galênica”, utilizando somente os vegetais.

A medicina deixa o esoterismo e a imprevisibilidade dos caprichos divinos e avança cientificamente no terreno da terapêutica, classificação das doenças, posologia e diagnóstico. Durante mil anos, porém, fizeram-se trevas na Europa, e só em 1220 nasceu a primeira Grande Escola de Medicina da Idade Média, em Salerno, perto de Roma, fundada por Carlos Magno. Os estudos de Farmácia avançaram celeremente neste período. Extratos alcoólicos, como o vinho ou os destilados como a vodka e o gim, já eram bem conhecidos na Europa para extrair o “espírito das plantas”.

A partir do início da sintetização de substâncias de estrutura química definida e de ação farmacológica iniciou a Fitoterapia um ciclo declinante, com a diminuição da prescrição médica de produtos vegetais. As plantas medicinais foram praticamente esquecidas, cedendo lugar às sintéticas. Tal fase percorre o início da década de 50 até o final dos anos 70. Os grandes centros de pesquisas em todo mundo direcionaram, com o vivo entusiasmo, vultosos recursos, tanto governamentais como de iniciativa privada, para a pesquisa de propriedades curativas das plantas medicinais. Multiplicaram-se na imprensa informações sobre as vantagens da farmacobotânica. Tal movimento naturalmente acompanhado pelo surgimento de um número expressivo de estabelecimentos comerciais especializados em ervas.

Quando o Brasil foi descoberto, a Fitoterapia reinava praticamente sozinha, não havia vacinas nem os medicamentos sintéticos, que só aparecem no final do século XIX com a aspirina. É essencial não esquecer que o grande mestre de Piso foi o Índio brasileiro e ele honestamente em mais de uma passagem reconheceu a superioridade da terapêutica indígena sobre a europeia. Note-se o testemunho de Piso em Pernambuco:

“Os índios precedem de laboratórios, ademais, sempre tem à mão sucos verdes e frescos de ervas. Enjeitam os remédios compostos de vários ingredientes, preferem os mais simples, em qualquer caso de cura, visto que por estes medicamentos os corpos não ficam tão irritados”. (Pereira, op. cit. in Silva, Édina B., 1997).

Estima-se que somente de 1 a 3% das espécies vegetais conhecidas foram estudadas. Com a redução progressiva de grande parte desta biodiversidade ocorrerá também uma enorme perda científica e econômica, principalmente para os países menos desenvolvidos. No comércio de plantas medicinais e produtos fitoterápicos encontra-se em expansão em todo o mundo em razão de diversos fatores, como o alto custo dos medicamentos industrializados ou o próprio modismo, além da constatação dos efeitos medicamentosos produzidos com o seu uso.

A má qualidade destes produtos no Brasil, no entanto, é um fato conhecido e que colabora para que grande parte dos médicos deixe de prescrever e até coloca em dúvida a ação dos fitoterápicos (Stelfelld, 1955; Farias et al., 1985), razão pela qual constantemente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA tem elaborado legislações para a produção destes medicamentos. E apesar do crescimento de programas de farmacovigilância, a atividade de farmacovigilância para estes produtos ainda é pequena no Brasil.

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