Avaliação da Função Respiratória em Indivíduos Submetidos a Abdominoplastia
Américo Helene Junior
Roberto Saad Junior
Roberto Stirbulov
INTRODUÇÃO
Em 1899, Kelly (apud1) realizou ampla ressecção transversa em abdômen para correção de excesso de pele e gordura na parede abdominal, e deu ao procedimento o nome de abdominoplastia, mais tarde também conhecida como dermolipectomia abdominal.
Em 1977, Grazer e Goldwyn3, publicaram os resultados compilados de 958 questionários enviados aos membros da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, cujos dados envolviam 10.490 abdominoplastias. O que os motivou a realizar esta investigação foi o fato de terem observado, entre as próprias pacientes, três casos de embolia pulmonar em mulheres que não faziam uso de anticoncepcionais orais e que gozavam de excelente saúde na avaliação pré-operatória.
Os dados compilados pelos autores revelaram taxa de complicações respiratórias de 0,8%, as quais variam, na literatura, de 0,1% a 1,2%. Dillerud, em sua revisão observou outras complicações, como a necrose tecidual, cuja freqüência oscilou entre 1,7% e 5%, e que em seu trabalho foi de 4,9%. Esta necrose parece estar relacionada à hipóxia tecidual no pós-operatório devido, também, a restrições da função respiratória.
Diversos estudos têm avaliado as alterações da função respiratória no pós-operatório em geral e, mais especificamente, nos casos de cirurgias abdominais altas, isto é acima da cicatriz umbilical as quais, de alguma forma, poderiam ocorrer também em abdominoplastias.
Saad Júnior et al. estudaram 20 pacientes submetidos a cirurgias abdominais altas, nos quais realizaram provas de função pulmonar no pré e pós-operatório. Observaram a ocorrência de alterações importantes, como a diminuição da capacidade vital (CV), volume expiratório forçado (VEF), volume voluntário máximo (VVM), capacidade vital forçada (CVF) e PF (peak flow), com retorno à normalidade próximo do 30º dia pós-operatório. Ressaltaram, todavia, que 20% dos pacientes continuaram apresentando disfunção respiratória, apesar da inexistência de quadro clínico importante.
Entre os fatores decorrentes do ato cirúrgico que, por si só, nas cirurgias abdominais, podem alterar a função respiratória destacam-se: a administração de drogas anestésicas e a própria anestesia, a manipulação das vísceras, a incisão da parede abdominal, a imobilização no leito e os relaxantes musculares, a distensão e a dor abdominal.
Em casos de abdominoplastia, o aumento da pressão intra-abdominal provocado pela plicatura da aponeurose pode ser um dos fatores para o aumento da morbidade pulmonar no pós-operatório. Além disso, a posição semi-sentada necessária no pós-operatório e o uso de bandagens apertadas podem resultar em alterações da função respiratória.
Levando-se em conta estes achados na literatura e a linha de pesquisa que vem sendo desenvolvida na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, estudamos a função respiratória de indivíduos submetidos a abdominoplastias no pós-operatório.