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sexta-feira, 11 de julho de 2008 - 18:57

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Microcorrente na Estética

por: Colunista Portal - Educação

Profa. Juliana Fernandes de Almeida

Definição

Trata-se de um tipo de eletroestimulação que utiliza correntes com parâmetros de intensidade na faixa dos microamperes e são de baixa freqüência, podendo apresentar correntes contínuas ou alternadas. É 1000 vezes menos intensa que as eletroterapias convencionais. Também chamada de MENS (Micro Electro Neuro Simulation).

Segundo Robinson e Snyder-Mackler (2001) o modo normal de aplicação dos aparelhos de microcorrentes ocorre em níveis que não se consegue ativar as fibras nervosas sensoriais subcutâneas e, como resultado, os pacientes não têm nenhuma percepção da sensação do formigamento tão comumente associada com procedimentos eletroterapêuticos (Estimulação Subliminar).

Craft (1998) afirma que a microcorrente trabalha com a menor quantidade de corrente elétrica mensurável, e que isso é compatível com o campo eletromagnético do corpo.

Características Físicas

Robinson e Snyder-Mackler (2001) afirmam que não foi desenvolvido nenhum padrão industrial para o qual os tipos de correntes são produzidos por aparelhos fabricados nessa classe.

Atualmente no mercado podemos encontrar alguns tipos de microcorrentes que podem ter como forma de onda os exemplos abaixo:

a) Formas de ondas individuais com características de pulso monofásicos retangulares, que revertem periodicamente à polaridade.

b) Algumas formas de microcorrentes trazem um formato de pulso com uma rampa de amplitude automática para a série de pulsos distribuídos.

c) Outras formas de microcorrentes trazem um formato de pulso retangular distribuídos de forma monofásica.

Os controles de intensidade normalmente permitem um ajuste de amplitude em torno de 10 a 1000 microamperes.Os controles de freqüência geralmente permitem ajusta-la de 0,5 Hz a 900 Hz (ou em até 1000 Hz)

Segundo Kirsch e Mercola (1995) a duração de pulso de microcorrente é maior que outros tipos de eletroestimulação, como por exemplo, o TENS. Um pulso de microcorrente típico é de aproximadamente 0,5 segundo, que é cerca de 2500 vezes maior que um pulso típico de TENS.

O plano de atuação das microcorrentes é profundo, podendo atingir um nível muscular, e apresenta-se com imediata atuação no plano cutâneo e subcutâneo.

As microcorrentes têm características subsensoriais não causando desconforto ao paciente.

OBS.: 1 miliamper = 1000 microamperes

Efeitos Fisiológicos

a) Restabelecimento da bioeletrecidade tecidual

Pesquisas mostraram que um trauma afetaria o potencial elétrico das células do tecido lesado. Inicialmente o local atingido teria uma resistência maior do que os tecidos próximos a lesão. Isto é, porque quando uma lesão acontece, uma carga positiva forma-se na área lesionada e joga para cima a diferença de voltagem potencial, servindo como uma bateria bioelétrica que espera ser ligada.

Como as membranas ficam menos permeáveis ao fluxo de ícons (especificamente potássio e outros íons positivos), e mais isolada eletricamente, o fluxo intrínseco de bioeletricidade é forçado a levar o caminho de menor resistência. Portanto a bioeletricidade evita áreas de alta resistência e vai em direção ao caminho mais fácil, geralmente evitando a lesão pela circulação sanguínea ao redor dela, isto resulta em diminuição da condutância elétrica na área da ferida. O decréscimo do fluxo elétrico na área lesionada diminui a capacitância celular, e como resultado, gera a inflamação e a cura é assim diminuída.

A correta aplicação das microcorrentes em um local lesionado pode aumentar o fluxo de corrente endógena. Isto permite à área traumatizada a recuperar sua capacitância. A resistência deste tecido lesionado é então reduzida permitindo a bioeletricidade entrar nesta área para restabelecer a homeostase. Portanto a terapia das microcorrentes elétricas pode ser vista como um catalisador útil na iniciação e perpetuação das numerosas reações elétricas e químicas que ocorrem no processo de cura.

Alguns autores afirmam que após uma lesão no corpo e rompimento de sua atividade elétrica normal, a terapia por microcorrente pode produzir sinais elétricos semelhantes aos que acontecem no corpo humano quando este estiver recuperando tecido lesionado. Os equipamentos de microcorrente especificamente são projetados para imitar e ampliar os sinais bioelétricos minuciosos do corpo humano. Estes equipamentos trabalham ao nível celular criando um veiculo de corrente elétrica para compensar a diminuição da corrente bioelétrica disponível para o tecido lesionado. Isto aumenta a habilidade do corpo para transportar nutrientes e resíduos metabólicos das celas na área afetada..

b) Síntese de ATP (Adenosina Tri Fosfato)

A formação de ATP motivada pela estimulação elétrica com microcorrente ocorre basicamente desta forma: Durante a eletroestimulação , os elétrons reagem com as moléculas de água pelo lado catódico para produzir íons hidróxilos (-OH), enquanto que no lado anódico, prótons (H+) são formados. Assim, entre a interface anódico e catódica, um gradiente de prótons e um gradiente potencial através do tecido e o meio é criado. Em conseqüência disto, os prótons, sobre a influencia do campo elétrico e a diferença de concentração, devem mover do anodo para catodo.

Desde que a razão de formação de formação de prótons na interface anódica é igual à razão de consumo de prótons na interface catódica, o pH do sistema (meio e tecido) permanece sem interferência. Quando a migração de prótons alcança a membrana mitocondrial H+-ATPase, os ATP serão formados. A oxidação dos substratos, que é acompanhada pela migração dos prótons através das membranas, pode igualmente ser estimulada eletricamente pela corrente induzida de prótons, ativando um processo de feedback. Estudos têm mostrado que o uso de microcorrentes a 500 amperes aumenta a produção de ATP, que aumenta o transporte de aminoácidos, e estes dois fatores contribuem para um aumento da síntese de proteína.

A adenosina trifosfato (ATP) é um fator essencial no processo de cura. Grande quantidade de ATP, a principal fonte de energia celular, é requerida para controlar funções primárias como o movimento dos minerais vitais, como sódio, potássio, magnésio e cálcio, para dentro e para fora das células. Isto também sustenta o movimento dos resíduos para fora da célula. Tecidos lesionados têm resistência elétrica mais alta e também são pobres em ATP.

Como mencionado anteriormente, quando um músculo ou tecido experimenta um trauma, a passagem da corrente bioelétrica é obstruída, resultando em impedância elétrica. A impedância elétrica causa uma redução no suprimento sanguíneo, oxigênio, e nutrientes para o tecido, conduzindo a espasmos teciduais. A circulação diminuída causa um acumulo de resíduos metabólicos nocivos que levam em hipóxia local, isquemia e metabólicos nocivos que levam à dor. Quando isto ocorrer, é sinal que a produção de ATP está reduzida. Os impulsos elétricos do corpo precisam de uma corrente necessária para superar a barreira de impedância inerente ao tecido traumatizado. Isto também, resulta em um obstáculo da própria habilidade do corpo para começar o processo curativo até o tecido se recuperar substancialmente do trauma.

Como a microcorrente reabastece o ATP, os nutrientes podem novamente fluir para dentro das células lesionadas e os resíduos dos produtos metabólicos podem fluir para fora das células. Isto é primordial para o desenvolvimento da saúde dos tecidos. O ATP também abastece os tecidos de energia necessária para produzir novas proteínas e aumentar o transporte de íons através das membranas.

A microcorrente atuando diretamente no organismo de síntese de ATP, leva a um aumento do ATP celular local em até 500%

c) Transporte Ativo de Aminoácidos

Segundo Guyton, as moléculas de praticamente todos os aminoácidos são demasiadamente grandes para sofrer difusão através dos poros das membranas celulares. Então o único meio de transporte significativo dessa substância para o interior da célula é através do transporte ativo.

Este mecanismo de transporte ativo depende diretamente da energia liberada pelas moléculas de ATP, e o aumento de ATP disponível para célula aumenta o transporte de aminoácidos e conseqüentemente aumenta a síntese de proteínas como foi verificado por Cheng (1982) (Intensidade variando entre 10 e 500 microamperes).

d) Síntese de Proteínas

Foi constatado que correntes constantes de 100 amperes a 500 amperes aumentam o transporte ativo de aminoácidos e conseqüentemente a síntese de proteínas em 30% a 40%. Quando a corrente foi aumentada, estes efeitos bioestimulatórios foram invertidos, e correntes que excederam 1000 amperes (1mA) reduziram o aminoácido isobutirico cerca de 20% a 73%, e a síntese de proteína diminuiu mais de 50%. O mais importante é que a microcorrente aumentou a geração de ATP em cerca de 500%. Porém, aumentando-se a corrente entre 1 mA a 5mA diminuiu-se a produção de ATP coloca-se abaixo dos níveis de controle.

A produção de ATP aumentada também provê a energia que tecidos exigem para aumentar a síntese de proteína e aumentar o transporte de ícons. Juntos, estes processos são elementos iniciais para o desenvolvimento de tecidos saudáveis.

e) Aumenta o transporte de membranas

Em virtude do aumento da produção de ATP, ocorre a intensificação do transporte ativo através da membrana.

f) Ação no sistema linfático

Uma pequena quantidade das proteínas plasmáticas vaza continuamente, através dos poros capilares para o liquido intersticial. Se não forem devolvidas ao sangue circulante, a pressão coloidosmótica do plasma cairá a volumes demasiadamente baixos, o que faria com que perdesse grande parte de seu volume sanguíneo para os espaços intersticiais. Uma importante função do sistema linfático é a de devolver as proteínas plasmáticas do liquido intersticial de volta à circulação do sangue.

Ocasionalmente, ocorrem anormalidades no mecanismo das trocas liquidas nos capilares que resultam em edema, que significa passagem excessiva de liquido para fora do plasma e para o liquido intersticial, com a conseqüente tumefação dos tecidos. E entre as várias causas, está o bloqueio do sistema linfático, que impede o retorno da proteína, que fica no interstício, para o plasma, o que permite que a concentração das proteínas plasmáticas caia a volume muito baixo, enquanto que a concentração de proteína no liquido intersticial aumenta muito; duas das causas que, isoladas ou em conjunto, que produzem a transudação excessiva de liquido para os tecidos.

A microcorrente aumenta a mobilização de proteína para o sistema linfático. Quando são aplicadas microcorrentes em tecidos traumatizados, proteínas carregadas são postas em movimento, e a migração para o interior dos tubos linfáticos torna-se acelerada. A pressão osmótica dos canais linfáticos é então aumentada, acelerando a absorção de fluido do espaço intersticial.

Efeitos Terapêuticos

1) Analgesia

Como resposta a utilização das microcorrentes e em conseqüência do restabelecimento da bioeletricidade tecidual, o SNC transmite uma mensagem de diminuição do quadro álgico, diminuição esta que é gradativa e cumulativa.

2) Aceleração do processo de reparação tecidual

Pesquisas mostraram que o intracrescimento dos fibroblastos e o alinhamento das fibras de colágeno foram incrementados com a estimulação de microcorrentes (corrente contínua direta - 20 e 100 microamperes). E a resposta máxima dos fibroblastos foi observada nas proximidades do catodo.

Pesquisas também mostraram que a corrente direta (pólo negativo) retarda o crescimento das bactérias, onde com a associação dos mecanismos de defesa normais aumentou a destruição dos microrganismos infecciosos.

A excitação elétrica de uma ferida aumenta a concentração de receptores de fator de crescimento que aumenta a formação de colágeno.

3) Reparação de fraturas / Aumento da osteogênese

Eletrodos de aço com 5 a 20 microamperes produziram melhor crescimento ósseo.

4) Antiinflamatório

Através do restabelecimento da bioeletricidade tecidual e homeostase, e indiretamente pela promoção da cura.

5) Bactericida

Num processo de cicatrização o pólo negativo de uma corrente direta deve ser colocado sobre a ferida por sua ação bactericida. Quando a ferida deixar de ser infectada inverte-se a polaridade do eletrodo sobre a mesma, para que o pólo positivo possa fazer a promoção do reparo.

Embora a maioria dos estudos mencione que usem o pólo negativo para inibir crescimento bacteriano e pólo positivo para promover a cura, estudos recentes mencionam o uso de correntes que alternam entre o positivo e o negativo (correntes unipolares). Pesquisadores, após estudo em animais, apóiam esta técnica, sugerindo que ela é melhor para a cura de feridas.

6) Autores afirmam que espasmo muscular pós trauma, deficiência de fluxo sanguíneo resultando em hipóxia local, acumulação de metabólitos nocivos, e dor, conduzem à redução da síntese de ATP. A utilização de microcorrentes ao restabelecer a síntese de ATP, pode devolver a cura nestes casos.

7) Edema / Inchação

Com a ação da microcorrente no sistema linfático, aumentando a absorção do liquido intersticial, podem ocorrer respostas positivas na resolução de edemas.

8) "Relaxamento muscular"

OBS.: Não há nenhuma duvida de que a cura de certos tipos de danos está significativamente acelerada por aplicação apropriada de microcorrente, e muito disto está associado com o aumento da produção de ATP (energia) e síntese de proteínas dentro das células.

Técnica de Aplicação

Os efeitos das microcorrentes são cumulativos, normalmente devem ser tomadas muitas doses para que sejam alcançados os resultados finais de cura, embora resultados iniciais possam ser vistos durante ou após as primeiras sessões.

As microcorrentes podem ser utilizadas basicamente de 2 formas:

a) Utilizando eletrodos convencionais (borracha de silicone, auto-adesivo, etc)

b) Utilizando eletrodos tipo sonda, em forma de "dupla-caneta" (bastonetes, cotonetes, garfo, etc)

OBS.: Alguns aparelhos oferecem outras opções de eletrodos como luvas, mascaras, pregadores auriculares, etc.

Indicações

Na estética a utilização da microcorrente deve-se basear nos seus efeitos fisiológicos e terapêuticos. As aplicações que mais se destacam são:

a) Acne (antiinflamatório, cicatrizante, bactericida e antiedematoso);

b) Involução cutânea (aumento do número de fibroblastos e realinhamento das fibras colágenas, potencializa a circulação linfática diminuindo edema);

c) Pós operatório de cirurgia plástica (cicatrizante, antiinflamatório e antiedematoso);

d) Estrias (rearranjo das fibras colágenas);

e) "Cansaço" muscular facial (eliminação de metabólitos celulares, relaxamento muscular, restabelecimento da bioeletricidade tecidual);

f) Celulite (antiedematoso);

g) Pós peeling (cicatrizante, antiinflamatório, restabelecimento da bioeletricidade tecidual);

h) Iontoforese;

Craft (1998) afirma que a terapia de microcorrentes rejuvenesce tecidos sem deixar cicatrizes, e é a forma natural de curar mais rápida do mundo.

contra-indicações

* Alergia ou irritação à corrente elétrica;

* Sobre útero grávido;

* Deve-se ter precaução porque a excitação elétrica pode afetar, teoricamente, os sistemas de controle endócrinos (ainda não há comprovação);

* Eixo cardíaco;

* Eixo de marca-passo.

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