Memórias de uma Sobrancelha
Eu era uma linha interrompida num rosto singular. Marivalda vivia com um lápis preto riscando por cima de mim, desenhando minha calda. Ora sinuosa, ora reta, sem definição. O rosto de Marivalda era redondo e gorducho, que nem lua, seu nariz de batatinha...
Simpática e sorridente, seus lábios grossos acentuava sua sensualidade. Até que um dia ela resolveu procurar uma esteticista. Chegou querendo uma sobrancelha definitiva. Senti-me feliz, afinal eu seria finalmente, consertada!!!
Angela Fecher pegou um paquímetro, espécie de régua que mede aqui e acolá, e define os traços fisionômicos do rosto. Ela observou o formato do rosto de Marivalda, redondinho... A testa larga... O nariz gorduchinho... E um lábio carnudo... Desenhou uma nova sobrancelha, por cima de mim...
Fez uma micropigmentação, a mesma coisa que maquiagem definitiva. Um aparelhinho chamado Dermógrafo foi pigmentando o formato novo. Marivalda, de repente, ganhou um novo visual. Mais sensual, mais definido, mais alegre. Eu agora sou uma sobrancelha feliz!
Começo aonde tem que começar, tenho uma espessura legal, e um ponto mais alto de onde eu começo a escorregar... e terminar... E na cor exata dos cabelos de Marivalda...