Um caminhão de lixo por dia. Esse é o volume total de material reciclável coletado nas cidades da região
Descaso com o lixo reciclável é comum no ABCD
Moradora de São Caetano, a psicóloga Maíla Carolina Tognela, 26 anos, tem o hábito de separar o lixo para a reciclagem há cerca de 11 anos. "Minha mãe sempre teve esse olhar ambiental. Acabou se tornando um hábito para toda a família", ressaltou. Tanto que sempre que ela pode, passa o conselho adiante, e tenta fazer com que as amigas também passem a agir com o olho no meio ambiente.
Mesmo com o exemplo de pessoas como a psicóloga Maíla, a quantidade de lixo separado para reciclagem no ABCD ainda é muito pequena. São 2.170 toneladas de lixo produzidas diariamente pelas cidades da região. Para se ter uma ideia, essa quantidade seria suficiente para abastecer a caçamba de 87 caminhões de lixo, cada um com capacidade para 25 toneladas.
Por outro lado, desse total recolhido diariamente, apenas 31,1 toneladas (ou 1,43% do total), são destinadas à reciclagem. Ou seja, pouco mais do que a capacidade de um caminhão.
CIDADES
Dentre os municípios da região, Santo André é o que recolhe o maior percentual do de material reciclável: 2,49% do total produzido, ou 16,6 toneladas/dia.
Já o pior resultado ficou com Mauá: 0,69%. Das 250 toneladas de lixo produzidas diariamente, apenas 1,7 tonelada é reciclada.
Mesmo volume de São Caetano. O município, porém, produz por dia quase 100 toneladas a menos de detritos. Em São Bernardo, foram 6,3 toneladas, ou 0,9% do total. "No Brasil, a média de reciclagem de lixo é de 13% do total produzido. Mesmo outras cidades brasileiras que são consideradas modelo, como Curitiba, ainda estão longe do ideal. Em países como a Alemanha, Holanda e Suécia, esse percentual é de 40%. Em termos técnicos, não existe dificuldade. Existe a falta de vontade política", comentou o pós-doutor em resíduos sólidos pela Unicamp, Maurício Waldman.
POLÍTICA
Opinião que é compartilhada pelo coordenador do curso de engenharia ambiental da Fundação Santo André, Murilo Valle. "Faltam estudos e um pouco de conhecimento da importância desse trabalho no poder público. Em algumas cidades, o pensamento sobre esse tema ainda está no século 19. A questão ambiental ainda é encarada como um obstáculo para o desenvolvimento", afirmou.
Para o especialista, não basta apenas incentivar os moradores e criar uma rede de coleta seletiva. É preciso também desenvolver uma rede que torne viável o processo de reciclagem. "Os índices estão abaixo do aceitável porque faltam políticas públicas eficientes. Faltam incentivos para o uso de material reciclável pelas empresas", destacou. "Por exemplo. Não adianta separar um monte de copos de plástico se não compensa vender esse material. No final das contas, o que acaba sendo reciclado são o vidro e as latas de alumínio, que possuem um melhor valor de mercado", completou Valle.
PRÓXIMO PASSO
"O que faz falta atualmente é um trabalho para a reciclagem de pilhas e baterias usadas", Murilo Valle, Coordenador do curso de engenharia ambiental da Fundação Santo André
10%
É a meta de coleta em São Bernardo para 2017.
Lixo em números
Para a coleta de detritos, as cidades da região contam com uma frota de 66 caminhões compactadores de lixo. São 30 somente em São Bernardo, 11 em Santo André, 15 em Diadema e 10 em São Caetano.
Coleta de óleo
Em Ribeirão Pires, as escolas municipais são pontos de coleta para o óleo usado. Na cidade, seis bairros são atendidos pela coleta de lixo reciclável porta a porta; nos outros locais, é preciso agendar a retirada.
Coleta em casa e nos pontos de recolhimento
Maior parte das cidades de região adota modelo parecido para a retirada do lixo reciclável; São Bernardo conta somente com locais para entrega
Dentre as principais cidades da região, a maior parte adota o mesmo modelo para a coleta seletiva, ao combinar a coleta porta a porta com os pontos de recebimento de materiais recicláveis.
Na região Central de Santo André, a coleta desses detritos é feita diariamente. Já nos bairros, os caminhões passam uma vez por semana.
Em Diadema, a coleta domiciliar dos recicláveis é feita três vezes por semana. Já em São Caetano, além da coleta porta a porta, o município conta com 75 pontos de entrega de recicláveis.
Ao contrário das outras cidades, São Bernardo não conta a coleta domiciliar. Os materiais devem ser levados a um dos 205 pontos de coleta espalhados pela cidade.
CONSCIÊNCIA
Opiniões distintas nas ruas de Santo André. Na tarde da última sexta-feira, enquanto alguns disseram separar o lixo para a reciclagem, outros ainda davam a suas justificativas para não colocar a consciência ambiental em prática.
No caso da aposentada Maria de Fátima Carmo Souza Rosa, 57 anos, ela levou o exemplo do trabalho. "Lá essa questão da reciclagem recebia muita atenção, e acabei começando a fazer em casa. Hoje eu separo tudo. Plástico, papelão e metal", afirmou Fátima.
Mesma importância é dada pela operadora de caixa Rosângela Pereira, 21 anos. "Achei que era algo importante para fazer e comecei. Separo garrafas e caixas de leite", disse.
Já a auxiliar administrativa Pâmela Menegoni, 20 anos até sabe da importância de reciclar. Mas mesmo assim ainda não começou. "Acho que ainda falta um incentivo para eu começar".
O bancário Arley Carlos dos Santos, 30 anos, disse que a falta de tempo atrapalha na hora de colocar em prática a coleta seletiva em casa. "Eu sei que é errado não fazer, mas acho que me falta um incentivo. Eu não separo o lixo porque eu não tenho tempo. Chego em casa, coloco o lixo para fora sem pensar muito", destacou.
São Bernardo conta com quatro pontos somente para descarte de entulho.
Fonte: redebomdia.com.br
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