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26 de fevereiro de 2009
Nos últimos 30 anos, a fertilização in vitro tem sido garantia de segurança. Milhões de crianças saudáveis nasceram e se desenvolveram normalmente. O primeiro bebê nascido pela fertilização in vitro, Louise Brown, em julho de 1978, agora tem sua própria filha, Cameron, de dois anos de idade, concebida sem essa técnica. No entanto, pesquisadores sempre se perguntavam se existiriam mudanças sutis num embrião desenvolvido, durante vários dias, numa placa de Petri, como acontece com os criados in vitro – e, caso existam, se essas mudanças teriam quaisquer consequências.
Agora, com novos estudos epidemiológicos e novas técnicas que permitem aos cientistas sondar os genes das células embrionárias, algumas respostas experimentais começam a surgir. O assunto não tem nenhuma relação com a possibilidade de uma mulher gerar gêmeos, triplos ou até óctuplos, como aconteceu na Califórnia. Em vez disso, ele envolve questionamentos sobre mudanças na expressão dos genes ou nos padrões de desenvolvimento, que podem, ou não, ficar óbvios no nascimento.
Por exemplo, alguns estudos indicam que é possível haver alguns padrões anormais de expressão genética associados à fertilização in vitro. Também é possível um aumento em distúrbios genéticos raros, porém devastadores, que parecem estar diretamente relacionados a esses padrões incomuns de expressão genética. Também parece haver um aumento do risco de parto prematuro e do nascimento de bebês de baixo peso para sua idade gestacional.
Em novembro, o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças publicou um artigo relatando que bebês concebidos através da FIV (fertilização in vitro), ou com uma técnica na qual os espermatozóides são injetados diretamente nos óvulos, têm um leve aumento no risco de vários defeitos congênitos, incluindo um buraco entre as duas câmeras cardíacas, lábios ou palatos fissurados, um esôfago desenvolvido de forma inadequada e má-formação retal. O estudo envolveu 9.584 bebês com defeitos de nascença e 4.792 sem tais distorções. Entre as mães dos bebês sem defeitos, 1,1% havia usado FIV ou métodos relacionados, em comparação a 2,4% das mães de bebês com deformidades congênitas. As descobertas são consideradas preliminares, e pesquisadores acreditam que a FIV não envolve riscos excessivos. Existe 3% de chance de qualquer bebê ter um defeito de nascença.
Questão real
No entanto, a questão real – quais são as chances de um bebê gerado por FIV ter um defeito congênito – não foi respondida de forma definitiva. Isso exigiria um estudo amplo e rigoroso, que acompanhasse esses bebês. O estudo do Centro oferece riscos comparativos, mas não absolutos.
Ainda assim, mesmo que os riscos aparentem ser pequenos, estudiosos da biologia molecular de embriões que se desenvolvem em placas de Petri afirmam desejar uma maior compreensão sobre o processo desenvolvido ali. Assim, poderiam melhorar o procedimento e permitir aos casais tomarem decisões mais bem-informadas. "Existe um consenso crescente na comunidade clínica sobre a existência de riscos", disse Richard M. Schultz, da Universidade da Pensilvânia. "Agora, cabe a nós descobrir quais são os riscos e se podemos fazer algo para minimizá-los."
Apesar das questões serem bem conhecidas, a discussão tem sido limitada a cientistas, disse Elizabeth Ginsburg, presidente da Sociedade para a Tecnologia da Reprodução Assistida. Ginsburg, diretora médica de fertilização in vitro do Hospital da Mulher e do Hospital Brigham, em Boston, afirma que os formulários de consentimento desses centros mencionam um possível aumento de risco envolvendo certos distúrbios genéticos raros. Porém, disse ela, nenhum dos pacientes foi dissuadido.
Richard G. Rawlins, diretor do laboratório de FIV e de reprodução assistida do Rush Centers for Advanced Reproductive Care, em Chicago, contou que, quando fala com pacientes, nunca ouve perguntas sobre o crescimento dos embriões no laboratório e as possíveis consequências. "Nenhum paciente jamais me perguntou algo" sobre isso, disse. Ele acrescentou: "Por isso, muitos médicos também não se perguntaram".
Fonte: g1
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