Coração
Enfermagem e a História Clínica e Exame Físico do Paciente com Problemas Cardíacos
Enf°. Alisson Daniel Fernandes da Silva
Quando vamos avaliar um paciente com problemas cardíacos, devemos interrogar o paciente sobre sintomas como, dor torácica, dispneia, edema nos pés e tornozelos e palpitações, os quais sugerem a possibilidade de uma cardiopatia.
Em seguida, devemos perguntar se a pessoa tem outros sintomas como febre, debilidade, fadiga, falta de apetite e mal-estar generalizado, que também são indícios de cardiopatia. A seguir, questionamos o paciente sobre infecções anteriores, exposição prévia a agentes químicos, uso de medicações, álcool e tabaco, ambientes doméstico e profissional e atividades de lazer. Também questionamos a pessoa acerca de membros da família que tiveram cardiopatias e moléstias afins e sobre o paciente manifestar alguma outra doença que afete o sistema cardiovascular.
Durante o exame físico, devemos anotar o peso, o estado físico e o aspecto geral da pessoa, verificando a presença de palidez, sudorese ou sonolência – as quais podem ser indicadores sutis de uma cardiopatia.
Também é observada a disposição do indivíduo, pois isso é um aspecto que costuma ser afetado pelas cardiopatias.
A avaliação da cor da pele é importante, porque a palidez anormal ou a cianose podem indicar anemia ou deficiência do fluxo sanguíneo. Esses achados podem indicar que a pele está recebendo oxigênio de forma inadequada devido a uma doença pulmonar, à insuficiência cardíaca ou a problemas circulatórios.
O pulso de artérias do pescoço, sob os braços, nos cotovelos e pulsos, no abdômen, na região inguinal, nos joelhos e nos tornozelos e pés, para avaliar melhor se o fluxo sanguíneo é adequado e igual em ambos os lados do corpo.
A pressão arterial e a temperatura corpórea são sinais vitais verificados durante o exame. As veias no pescoço são então analisadas porque elas estão conectadas diretamente ao átrio direito do coração e fornecem uma indicação sobre o volume e a pressão do sangue que está entrando no lado direito do coração.
Observamos a região torácica para determinar se a frequência e os movimentos respiratórios estão normais, percutimos o tórax com os dedos para determinar se os pulmões estão cheios de ar ou se eles contêm líquido, c caracterizando uma evidência anormal. A percussão ajuda a determinar se o pericárdio ou a pleura contém líquido.
A ausculta dos sons respiratórios é realizada para determinar se o fluxo de ar encontra-se normal ou obstruído e se os pulmões contêm líquido em decorrência da insuficiência cardíaca.
Anormalidades das válvulas e de estruturas cardíacas produzem um fluxo sanguíneo turbulento, que dá origem aos sons característicos que denominados sopros. Em geral, o fluxo sanguíneo turbulento ocorre quando o sangue passa por válvulas estenosadas ou insuficientes. No entanto, nem todas as cardiopatias causam sopros, e nem todos os sopros indicam cardiopatia. É comum mulheres grávidas apresentarem sopros cardíacos em razão do aumento normal do fluxo sanguíneo. Sopros cardíacos inofensivos também são comuns em bebês e crianças, em virtude do rápido fluxo do sangue através das pequenas estruturas do coração.
À medida que as paredes dos vasos, das válvulas e dos outros tecidos se enrijecem nos pacientes idosos, o sangue vai fluindo de forma turbulenta, mesmo que não exista cardiopatia grave subjacente. O posicionamento do estetoscópio sobre artérias e veias em qualquer outro ponto do corpo permite realizarmos a ausculta em busca de sons do fluxo sanguíneo turbulento, denominados ruídos e causados pela estenose dos vasos ou por conexões anormais entre vasos.
O abdômen deve ser palpado para determinar se o fígado está aumentado de volume em consequência do acúmulo de sangue nas veias principais que se dirigem ao coração. Um abdômen com um aumento anormal de volume em decorrência da retenção de líquido pode indicar insuficiência cardíaca. Os membros inferiores devem ser observados quanto à perfusão, edema e simetria dos pulsos periféricos.
A assistência de enfermagem ao paciente cardiopata deve ser sempre seguida de um exame físico e histórico completo, pois assim poderemos determinar as ações de enfermagem que deverão ser realizadas com este paciente.
Outro aspecto importante é a inclusão da família no tratamento deste paciente cardiopata, pois os hábitos alimentares e a atividade física é fundamental para o sucesso do tratamento deste paciente.