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Ervas no tratamento da micose de pele


1 de janeiro de 2008


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Três ervas usadas na medicina popular para o tratamento de pano-branco tiveram sua ação comprovada pelo químico Cristiano Marcelino Júnior, professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). O pesquisador realizou ensaios com a rabo-de-raposa, milho-de-urubu e semente de girassol, verificando que as plantas têm atividade antifúngica.

        Os ensaios microbiológicos foram feitos in vitro com colônias de fungo do gênero Tricophyton desenvolvidas em laboratório. O fungo, que foi isolado de pacientes, provoca micoses cutâneas. Cristiano Marcelino Júnior usou o óleo essencial (constituintes voláteis) das folhas da rabo-de-raposa, extrato bruto (princípio ativo concentrado) da raiz de milho-de-urubu e óleo de semente de girassol industrializado.

        Ele testou cada uma das plantas isoladamente e depois fez combinações cruzadas entre elas, a partir de uma ferramenta estatística chamada planejamento fatorial. A que se mostrou mais eficiente na inibição do crescimento das colônias de fungo foi a rabo-de-raposa, denominada cientificamente de Erigeron bonariensis. A atividade da milho-de-urubu (Anthurium affine) foi menor. "Quando as três plantas foram testadas juntas, a inibição das colônias de fungo foi superior", diz o pesquisador.

        Segundo Cristiano Marcelino, o óleo da semente de girassol (Helianthus annuus) não tem atividade antifúngica, mas potencializa a ação das outras plantas. O químico realizou a pesquisa para a sua dissertação de mestrado, pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Os ensaios foram realizados no Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika), da Universidade Federal de Pernambuco, a partir de setembro de 1997.

        A pesquisa começou com um levantamento nos mercados públicos do Recife, onde as três plantas são vendidas por raizeiros que recomendam o seu uso a partir da infusão em álcool. Na conclusão da pesquisa, a atividade antifúngica da mistura valida a informação etnobotânica, como é chamado o estudo do conhecimento popular da propriedades curativas das plantas. Os resultados foram apresentados em maio, na Holanda, durante o Simpósio de Futuras Tendências em Fitoquímica, pelo orientador do estudo, Antônio Euzébio Santana, da UFAL.

        De acordo com a pesquisa, a associação de plantas é largamente usada na fitoterapia do Nordeste do Brasil. Para Cristiano Marcelino, o conhecimento sobre a ação conjunta das plantas é uma herança indígena

Fonte: Jornal do Comércio

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