(1)
(20)
3 de março de 2009
Home Care: Um atendimento em Esclerose Múltipla
Home Care: An Attendance in Multiple Scleroses
Home Care: Uma Asistencia de La Esclerosis Múltiple
Geisa Rodrigues de Souza
I
I; Márcia Lemes Abrão Costa II; Ana Luiza Lima Souza III; Daniela dos Reis Rabelo IV Graduada em Enfermagem pela Universidade Católica de Goiás. Enfermeira domiciliar em pacientes com esclerose múltipla. E-mail: grsouza9@gmail.comII
Especialista em Odontopediatria e docência universitária, Professora de acompanhamento de estudo científico da Universidade Católica de Goiás. Cursando mestrado em Ciências biológicas pela Universidade Federal de Goiás. E-mail: marcialemes31@hotmail.comIII
Graduada em Enfermagem pela Universidade Federal de Goiás, especialização em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz, especialização em Enfermagem, forma de residência, pela Universidade Federal da Bahia, mestrado em Educação pela Universidade Federal de Goiás e doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo. Professora com dedicação exclusiva da Universidade Federal de Goiás. E-mail: demmilima@gmail.comIV
Graduada em Enfermagem pela Universidade Católica de Goiás. Enfermeira domiciliar em pacientes com esclerose múltipla. E-mail: danienf83@hotmail.comResumo
A esclerose múltipla é uma doença neurológica e caracterizada por inflamações axonais e destruição da mielina, afetando o cérebro, nervo óptico e medula espinhal, e caracterizado por cansaço físico, perda de energia, distúrbio de sono e humor, fadiga, disfunção sexual, entre outros. Em certos casos a melhor alternativa é uma internação domiciliar, ou seja, um Home Care que é um conjunto de procedimentos, especialmente de enfermagem, realizados na casa do paciente. Cuidados que oferece manutenção, recuperação e prevenção de agravos patológicos. A partir de uma revisão bibliográfica este trabalho tem como objetivo principal conhecer o papel do enfermeiro e sua importância frente à assistência de esclerose múltipla, valorizando o convívio familiar.
Descritores:
Home care, esclerose múltipla, cuidados de enfermagem.Abstract
It is a neurological illness characterized for axons inflammations and destroying of mielina, affecting brain, optic nerve and spinal marrow. Also characterized for physic fatigue, loss of energy, disturb of sleep and mood, sexual dysfunction and others. In certain cases the best alternative is a domiciliary internment, on the other hand, home care that is a set of procedures, especially of nursing, carried through in the house of the patient. Cares that block disease development, recover, and prevent pathologic advantages. From a bibliographic revision, this work has as main objective to show the paper of the nurse and its importance front to the assistance of multiple sclerosis carries recognize, in home.
Descriptors:
Home Care, sclerosis multiple, nursing care.Resumen
Es una enfermedad neurológica caracterizada por axons inflamaciones y de la destrucción de mielina, que afecta el cerebro, nervio óptico y médula espinal. También se caracteriza por el cansancio físico, la pérdida de la energía, de perturbar el sueño y el estado de ánimo, la disfunción sexual y otros. En algunos casos, la mejor alternativa es una internación domiciliaria, por el contrario, la atención a domicilio que es un conjunto de procedimientos, en especial de enfermería, realizada en la casa del paciente. Cares que bloquean el desarrollo de la enfermedad, recuperar, y prevenir patológica ventajas. Desde una revisión bibliográfica, este trabajo tiene como principal objetivo mostrar el papel de la enfermera y de su importancia frente a la asistencia de la esclerosis múltiple lleva a reconocer, en casa. Descriptores: Home Care, la esclerosis múltiple, la atención de enfermería.
Introdução
Como definição o Home Care consiste no atendimento domiciliar ou integral por pessoas especializadas que surgiu nos EUA, em 1947, na era pós-guerra, quando várias
enfermeiras se reuniram e passaram a atender e cuidar de pacientes em casa. Só invés de se recuperarem no hospital, ocupando leitos desnecessariamente, foi surgindo instituições que se propunham a tratar do paciente em casa, operado ou não, promovendo uma recuperação precoce do paciente. Sendo assim, é considerado como sendo um sistema bom para o paciente, porque ele é tratado no seu lar, e com atendimento personalizado 24 horas. ()1
Quaisquer tipos de enfermidade podem ser tratados pela intervenção domiciliar, até mesmo um paciente grave com quadro estável. As doenças mais freqüentes em Home-Care são o câncer, doença de Alznheimer e esclerose (arteriais, cerebrais, múltiplas e musculares). Nestes casos nota-se que a recuperação parece ser mais rápida, pois, o atendimento é quase sempre personalizado e com profissionais especializados de nutricionistas, fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, enfim, um ambiente acolhedor que inspira confiança e não temor.
O enfermeiro, como membro da equipe multiprofissional, é o agente responsável pelo atendimento ao paciente em suas necessidades básicas, planejando suas ações no sentido de promover a assistência, a recuperação, capacitando-lhe para o autocuidado que contribuirá para a integridade de sua estrutura humana, desenvolvimento bio-psico-espiritual até atingir o equilíbrio no bem estar das limitações impostas pela EM()2. A esclerose múltipla (EM) é umas doenças degenerativas, progressivas e crônicas do sistema nervoso central, sendo caracterizada pela ocorrência de pequenas placas de desmielinização no cérebro e na medula espinhal. A desmielinização refere-se à destruição da mielina, material adiposo e protéico que circunda determinadas fibras nervosas no cérebro e na medula espinhal resultando em transmissão comprometida dos impulsos nervosos. ()3
Com o tempo, a mielina é substituída por tecido cicatricial em locais isolados do cérebro e da medula. Os impulsos nervosos que normalmente são transmitidos a uma velocidade de 360 quilômetros por hora se tornam muito lentos. Com esta destruição, o impulso nervoso ocorre vagarosamente, alterando a função cerebral e dos nervos. ()2
Os sinais e sintomas da EM são variados e múltiplos. Os sintomas primários mais relatados são a fadiga, fraqueza, dormência, dificuldade na coordenação, perda de equilíbrio, distúrbio visual com turvação da visão, diplopia, escotoma e cegueira total, espasticidade dos membros, perda dos reflexos abdominais, parestesias, dores, depressão, demência, ataxia, tremor e euforia. As complicações secundárias da EM incluem as
infecções do trato urinário, constipação, úlceras de decúbito, deformidades em contratura, edema gravitacional nos pés, pneumonia e problemas emocionais()3.
Ainda não existe cura para EM, desta forma é indicado um tratamento organizado, individualizado e racional a fim de retardar a progressão da doença. Assim, como um modelo de atenção à saúde, na esclerose múltipla o atendimento domiciliar (Home Care) que tem por finalidade ser continuado, interagindo com a família, conhecendo o espaço físico, planejando as possíveis adaptações necessárias para o cuidar sem riscos. A convivência com tal situação na área pesquisadora a uma reflexão: da necessidade de se ter um enfermeiro em home care, por ser a enfermagem um atendimento essencial para o paciente, pois esta profissão convive integralmente com este e estabelece atendimento primário e os cuidados essenciais para o autocuidado individualizado. Portanto, trata-se de uma pesquisa que poderá contribuir cientificamente para uma melhor reabilitação ao portador de EM conjunto com a família e sociedade, além de servir com base para futuras investigações sobre a qualidade de uma assistência domiciliar (Home Care) para portadores de EM.
Além disso, poderá contribuir com uma reflexão crítica acerca dos profissionais de saúde e o trabalho colaborativo dos familiares, bem quanto ao perfil de habilidades preservadas do paciente portador de EM e suas incapacidades.
Portanto este trabalho tem o objetivo de definir e conhecer o papel do enfermeiro e a sua importância frente à assistência domiciliar de pacientes portadores de EM conhecer os principais aspectos que envolvem a patologia da EM e identificar os fatores que afetam a capacidade do paciente com EM as finalidades da assistência domiciliar e as ações relacionadas ao atendimento do enfermeiro a estes pacientes.
Referencial Metodológico
Este estudo foi realizado através de uma revisão bibliográfica, tendo como objetivo um estudo de área especifica do conhecimento, visando identificar e ampliar estudos não resolvidos anteriormente, disponibilizando uma revisão atualizada.
Buscando dados em: Biblioteca virtual em saúde (Bireme), sites identificando o tema a ser estudado; Revista Latina Americana (Lilacs); Scientific Eletronic Library Online (Scielo); Revista medicina on line (Medonline).
Os critérios estabelecidos nesta pesquisa foram artigos e livros em português, e um artigo em inglês; nos últimos 10 anos; as palavras chaves utilizadas são: cuidados em esclerose múltipla, Home care e enfermagem em esclerose. Foram encontrados 22 artigos, dos quais foram selecionados 14 para realização deste trabalho.
As fontes bibliográficas utilizadas foram publicações periódicas nacionais como: Revista Brasileira de Enfermagem (REBEM); Revista da Associação de Esclerose Múltipla (BCTRIMS); Revista Técnico Cientifica de Enfermagem (RECENF); Revista Federação Internacional de Esclerose (ANEM).
Resultados e Discussão
O Home care (Assistência Domiciliar) se define em um conjunto de procedimentos hospitalares possíveis de serem realizados na casa do paciente, e abrangendo todas as ações da equipe multiprofissional. O termo Home care é bastante abrangente, pois, em geral, significa atendimento ambulatorial ou internação domiciliar (24 hs) por equipe médica e de enfermagem especializada(). ()45
Diz que no Brasil é crescente o número de serviços de assistência domiciliar, que atendem pacientes neurológicos como (AVC, esclerose múltipla, Alznheimer), escleroses arteriais, musculares e cerebrais, neoplasias, pacientes geriátricos, pneumopatias, diabéticos debilitados, queimados em recuperação, pacientes com escaras de decúbito, cardíacos, e portadores de HIV em estado debilitado que não querem ser expostos publicamente(). 6
Este atendimento oferece cuidados necessários para manutenção, recuperação e até prevenção de agravos indesejáveis em convívio familiar e pode conseguir um contato mais estreito dos profissionais da saúde com o próprio paciente e a família. O atendimento desta equipe multiprofissional ressalta a presteza, atenção, cordialidade, amizade e tranqüilidade com que são atendidos, sendo que "o grande diferencial do cuidador domiciliar é a questão da humanização do atendimento tanto pelo ambiente, como pela interação com a família" . Estes fatores indicam maior envolvimento com cliente e família, cuidado individualizado, uma equipe que consta de um planejamento abordando fatores emocionais, ()10()3.Citam alguns critérios existentes para estabelecer tal atendimento, que incluem idade, o tipo de doença, a dependência, apoio familiar e condições econômicas()8. ambientais, psicossociais, econômicos, culturais e pessoais Cabe ao médico repassar à chefia de enfermagem as rotinas medicamentosas, orientações dos exames, as datas que pretende visitar o paciente, e deve também providenciar todos os equipamentos necessários como bomba de infusão, cama apropriada, soros, monitores, oxigênios, medicamentos e outros. Após a verificação do ambiente domiciliar, cabe a enfermeira estabelecer os equipamentos necessários para o cuidado, oferecer a permanência da equipe de enfermagem de acordo com a patologia, ou seja, plantões de (6, 12 ou 24 horas) juntamente com a família()5. Nesta equipe mutiprofissional o enfermeiro tem um papel fundamental devido sua permanência 24 horas com o paciente e, caberá a enfermeira planejar as ações necessárias, promover a assistência, estabelece um vinculo com a família por estar mais tempo acessível, contribuindo e explicando os autos cuidados ao paciente e familiares, o plano de cuidado e solicitando a avaliação de outros profissionais como psicólogos nutricionistas e fisioterapeutas(. )3
Os principais critérios para estabelecer estes planos de cuidado e que são elaborados pela assistência de enfermagem estão relacionados com a condição estável do paciente, e que existam cuidados especiais da família, que queiram aprender os cuidados e assumir estes com responsabilidade. ()8
Os diagnósticos da EM é baseado em uma avaliação clínica e através de procedimentos diagnósticos como estudo eletro fisiológico, a ressonância magnética (RM) e exame do LCR (Liquor céfalo raquidiano) ()9. A fadiga é o principal sintoma desta patologia, caracteriza-se por sensação de cansaço físico profundo, perda de energia, e sensação de exaustão, podendo ser influenciada por sintomas como dor, distúrbio do sono, alterações de humor e alterações cognitivas. Nesta devida doença a enfermeira deve identificar temperaturas extremas, ingestão alimentar inadequada, ansiedade, estresse, depressão, insônia, uso de medicação, sendo o pior sintoma desta doença a fadiga. Os possíveis diagnósticos de enfermagem são: mobilidade física comprometida relacionada à fraqueza, risco de lesão, comprometimento ()10()3. de fala e deglutição, eliminação urinária e intestinal alterada, disfunção sexual (devido a reações psicológicas a condição física), pensamentos alterados (demência). A enfermagem neste caso específico pode providenciar a fisioterapia (reabilitação) combinada com suporte emocional (psicólogos) após identificar os principais diagnósticos, a enfermeira planeja um programa individualizado, onde irá ressaltar metas Estes fatores indicam maior envolvimento com cliente e família, cuidado individualizado, uma equipe que consta de um planejamento abordando fatores emocionais, ambientais, psicossociais, econômicos, culturais e pessoais()2. Este tipo de atendimento é personalizado, familiar e não precisa se desestruturar com deslocações do paciente, e com uma vantagem essencial, a impossibilidade de contrair infecções hospitalares que especialmente elevam os custos do paciente-medicação e a estadia deste no hospital. Em algumas demandas de atendimento há certos cuidados específicos, como: diminuição de iatrogenias, segurança da casa do cliente, manter controle da tomada de decisões, parceria entre cliente e família, diminuição de custos, planejamento e execução dos cuidados. ()5()11
Quanto à equipe que compõe o Home Care, ela é formada por nutrólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos e odontólogos, sendo que cabe ao médico repassar à chefia de enfermagem as rotinas medicamentosas, orientações dos exames, as datas que pretende visitar o paciente, e deve também providenciar todos os equipamentos necessários para o tratamento. Tais cuidados são para cada diagnostico de enfermagem()11. Promover mobilidade física e diminuição da fadiga A fadiga é o principal sintoma desta patologia que se caracteriza por sensação de cansaço profundo, perda de energia, sensação de exaustão, podendo ser influenciada por sintomas como dor, distúrbio do sono, alterações de humor e alterações cognitivas. Acomete de 80% a 90% dos pacientes. ()10
Por ser esse sintoma o mais persistente caberá ao enfermeiro identificar os elementos que afetam a capacidade de tornar o paciente menos ativo, como as temperaturas altas, insônias, depressão, estresse e medicamentos()2. Além disso, o enfermeiro deve orientar o doente quanto a alguns aspectos que têm que ser trabalhados para que haja uma economia de energia como evitar calor excessivo, comer em quantidades maiores pela manhã, manter a hidratação – a desidratação causa fadiga em doentes com dificuldade de engolir líquidos. ()12
Outros princípios podem ser adotados pelas pessoas com EM buscando diminuição da fadiga e conservando energia como, por exemplo, trabalhar moderadamente, estabelecer períodos de descanso, evitar subidas e descidas de escada, evitar carregar pesos e garantir temperaturas adequadas no ambiente de trabalho espasticidade é uma hipertonia muscular que tende a aumentar com a evolução da doença afetando membros superiores e inferiores e interferindo na postura, deambulação, conforto, higiene e funções intestinais e vesicais()4
Os autores relatam que exercícios realizados em máquinas melhoram a extensão do joelho e flexão plantar, diminuem a fadiga e aumentam o desempenho na subida e descida de degraus. Através de exercícios de relaxamento e coordenação, o paciente se encoraja a deambular e desta forma trabalha músculos que não foram afetados pela doença, melhorando a eficiência destes.Exercícios de tosse e respiração profunda são essenciais para prevenir acúmulos de secreções brônquicas, causadas por imobilidade e fraqueza da musculatura expiratória. ()3()3
Prevenir lesões Estes pacientes encontram-se em risco de queda por problemas da incoordenação motora assim deve-se ensinar o paciente a caminhar com os pés bastante separados ampliando a sustentação e estabilidade da deambulação, evitando as quedas e conseqüentemente as lesões. Utilizar aparelhos como andador, bengalas, muletas e barras paralelas com auxílio de um instrutor (fisioterapeuta), também são meios de prevenir que o paciente se machuque. ()12
Com a espasticidade muscular de quadris e joelhos e uma incapacidade de posicionar adequadamente o paciente, poderá decorrer úlcera de decúbito, assim devem-se evitar banhos quentes(. )3
Em pacientes acamados ou que permanecem longos períodos em cadeiras de rodas, o enfermeiro adota métodos para prevenir úlceras de pressão e manter integridade da pele, faz orientações quanto à nutrição, movimentação (mudança de decúbito), manter hidratação da pele e controle da umidade (incontinência vesical/intestinal) (). 14
Obter melhorias da incontinência intestinal e vesical As alterações de bexiga estão relacionadas com o tempo de duração da doença. Estas alterações ocorrem devido a uma interrupção das mensagens entre o cérebro, espinha dorsal e sistema urinário, podendo estar relacionados também com a dificuldade de mobilidade(). Assim, o enfermeiro (a) tem a função de diagnosticar os problemas urinários, conhecer o histórico dos hábitos da bexiga através de uma conversa onde ele irá obter informações, e pedir ao doente que faça um registro urinário contendo - número de micções, quantidade de urina, tipo de esvaziamento, quantidade de líquido ingerido no período de 24 a 48 horas, e determinar a existência de urina restante na bexiga pela utilização de cateter feito pelo enfermeiro. 14()14
São importantes como estratégias adotadas, estabelecer um horário para micção (reeducação vesical, especialmente para aqueles com sondas de demora); instruir à ingestão de líquido na quantidade de 1,5 a 2,0 litros por dia, a cada 2 horas e tentar urinar a cada 30 minutos; evitar uso de álcool e bebidas contendo cafeína (irritantes do trato urinário) ()14. - Incontinência Intestinal: Promover mecanismos de fala e deglutição A doença afeta os nervos que controlam os mecanismos de fala e deglutição causando as disartrias (pronúncia indistinta, dificuldade de fonação) e disfagia (dificuldade de deglutição). Faz-se necessário, portanto, a avaliação de um fonoaudiólogo e, estes problemas poderão ser compensados com instruções ao paciente, família e membros da equipe, através de algumas estratégias. O enfermeiro encoraja o paciente e família a aderir ao plano como alimentar com cuidado, posição correta para alimentar-se, disponibilizar para aspiração traqueal se o paciente for traqueostomizado com presença de muita secreção brônquica(. )3
Melhorar função sensorial e cognitiva A depressão é um sintoma clínico encontrado em aproximadamente 40% dos indivíduos com EM. A origem pode estar relacionada com áreas de lesões cerebrais, à reação psicológica ao impacto da doença, e ao uso de medicamentos. Fatores como a idade e tempo de duração da doença podem influenciar a instalação de quadros depressivos; outros fatores também podem ser considerados como, por exemplo, jovens em estágio inicial da doença, adultos com mais de 45 anos, carência social, menor grau de escolaridade e mulheres. Por ser uma influência negativa afeta a qualidade de vida do indivíduo com EM levando-o à disfunção sexual, alteração na saúde mental, falta de esperança, isolamento social, alcoolismo, e inclusive, muitas das vezes podendo aumentar o risco de suicídio nestas pessoas. Assim, a necessidade de um tratamento adequado com uso de antidepressivos aliados com exercícios físicos, abordagens psicoterapicas. Os portadores de EM necessitam de televisões com telas grandes, próximas as suas camas, qualidade dos livros, (devem de preferência conter impressos fontes maiores e com papel branco e letras pretas), são meios que devem ser utilizados quando há ocorrência de neurites óticas, visão dupla, nistadismo, catarata, podendo aumentar com fadiga, estresse, febres, necessitando de avaliação de um neurooftalmologista()12. Desenvolver o autocuidado Como membro da equipe multiprofissional, o enfermeiro deve atender o paciente em suas necessidades básicas, capacitando-o para o autocuidado. Desta forma, o paciente será capaz de desenvolver melhor seu estado psicológico e espiritual, a convivência social, além de aprender a conviver com as limitações que a doença oferece. O auto cuidado desenvolvido pelo enfermeiro tem por finalidade tornar mais participativa a ação dos familiares e cuidadores, percebendo suas responsabilidades na reabilitação do paciente()2. Promover função sexual Os pacientes com EM deparam-se com problemas que normalmente poderão interferir na atividade sexual. Sintomas como a fadiga, perda da auto-estima, distúrbios uréteis, disfunção orgásmica, incontinência intestinal e vesical, aumentam as dificuldades de relacionamento sexual. Para promover uma melhora na função sexual é necessária a ajuda de um conselheiro sexual que ajudará com orientações e terapia de suporte, planejando e explorando métodos alternativos de expressão sexual(). 12
Comunicação enfermeiro/paciente/família A comunicação é essencial para tratar o paciente, ou seja, conhecer as naturezas físicas, culturais, espirituais, sociais e emocionais do individuo é que irá ajudar a estabelecer uma relação de confiança e promover uma comunicação e compreensão dos cuidados prestados pelo enfermeiro (a); uma vez que todo profissional necessita de comunicar-se para desenvolver um plano de cuidados e orientar o autocuidado. Quando não há este tipo de diálogo e compreensão, o enfermeiro (a) corre o risco de perder o processo de interação do profissional/paciente/família, não tendo resultado suficiente para a melhora do caso. Considerações Finais Através da realização deste artigo ampliamos nosso conhecimento sobre a patologia, sua evolução e atuação de enfermagem frente aos sinais e sintomas que a doença oferece ao paciente. Podemos concluir que, o melhor atendimento aos portadores de esclerose múltipla deve ser um atendimento domiciliar (Home Care) com âmbito familiar e uma melhor comunicação enfermeiro/paciente e família para realização de cuidados específicos desenvolvidos por um plano de enfermagem, objetivando, prevenindo, restaurando e diminuindo agravos patológicos. Enfim um tratamento com enfermeiro capacitado e treinado para desenvolver o autocuidado, proporcionando um ambiente favorável à reabilitação deste. Podemos concluir que, o melhor atendimento aos portadores de esclerose múltipla deve ser um atendimento domiciliar, com apoio da família e com uma efetiva comunicação entre enfermeiro/paciente e família para o planejamento e a realização de cuidados específicos. Cuidados esses, desenvolvidos por um plano de enfermagem com objetivo de prevenir, restaurar e diminuir agravos patológicos. "Todas as informações contidas nesta obra são de responsabilidades dos autores". Referências Bibliográficas 1. BRUNER E SUDDARTH. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgico. 9 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2002. p. 4v. 2. CALÇADO, Jacqueline C. de O. Assistência de enfermagem domiciliar. Rio de Janeiro. 2004. Disponível em: http://www.nursingcare.com.br. Acesso em: 09/05/2006
3. FALCÃO, Horácio A. Home Care - Uma alternativa ao atendimento da Saúde. Rev. Medonline, ano II, v.2, n.7, jul./ago./set.1999. Disponível em: http://www.medonline.com.br. Acesso em: 07/09/2005
4. FURTADO, O. L.P. C; TAVARES, M de C.G.C.F. Esclerose Múltipla e Exercício físico. São Paulo. 2005. Disponível em: http://www.actafisiatria.org.br. Acesso em: 09/05/2006
5. LEE GOLDMAN, M.D et al. Esclerose Múltipla. Tratado de Medicina Interna. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001. 6. HAASE, Vitor G. Esclerose Múltipla e Família. Rev. BCTRIMS News, ano 4, n.6, Jan. 2004. Citado em: 06 set. 2005. Disponível em: http://www.bctrims.org.br. Acesso em: 09/05/2006
7. HIRSCHFELD, M.J; OGUISSO, T. Visão Panorâmica da Saúde no Mundo e a Inserção do Home Care. Recenf, Curitiba, v.1, n.2, p.127-33, mar./abr. 2003. 8. MENDES, M.F; TILBERY, C.P; FELIPE, E. Fadiga e Esclerose Múltipla. Arq. Neuro-Psiquiatria, São Paulo. 2003. 9. MOTTA, Roberta. Esclerose Múltipla e problemas de bexiga - como encontrar estratégias para controlar o imprevisível. MS in Foccus. 2003. Disponível em: http://www.anem.org.pt. Acesso em: 09/05/2006 Como é ser Cuidado em Casa: As percepções dos Clientes. Reben, Brasília, v.55, n.2, p.140-45, mar./abr.2002. . Reflexões Acerca da Comunicação Enfermeiro-Paciente Relacionadas à Invasão da Privacidade. Simp. Brás. Comum. Enfermagem, São Paulo, ano 8, maio. 2002. A intervenção da enfermagem na assistência à pessoa com esclerose múltipla e aos familiares. BCTRIMS News, ano 4, n.6, jan. 2004. Disponível em: http://www.bctrims.org.br. Acesso em: 06/09/2005
13. STEVENS, A; LOWE, J. Patologia. 2 ed. São Paulo: Manole, 2002. p.235-39. 14. WILKEY, S .et al. Nursing Home Care of Individuals with Multiple Sclerosis-Guideline e Recommendations for Quality Care. Nova York. 2003. Disponível em: http://www.nationalmssociety.org/pdf/forpros/MS_nursing_guide.pdf. Acesso em: 07/09/2005 10. PASKULIM, L.M. G; DIAS, V.R.F.G. 11. PUPULIM, S. L; SAWADA, O 12. SILVA, Maria F de S.S. - Incontinência urinária:
Comentários
(1)
(20)