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domingo, 14 de dezembro de 2008 - 19:37

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Métodos de debridamento: Um recurso terapêutico no tratamento de feridas

por: Colunista Portal - Educação

Métodos de debridamento: Um recurso terapêutico no tratamento de feridas

Enf.ºAlisson Daniel Fernandes da Silva

O debridamento é a remoção do tecido desvitalizado presente na ferida. Seu objetivo é promover a limpeza da ferida, deixando-a em condições adequadas para cicatrizar, bem como reduzir o conteúdo bacteriano, impedindo a proliferação do mesmo e ainda preparar a ferida seja para a intervenção cirúrgica ou para a cicatrização propriamente dita.
Atualmente os métodos utilizados na prática clínica são o autolítico, enzimático, mecânico e cirúrgico.

1) Autolítico – usa as enzimas do próprio organismo humano para dissolver o tecido necrótico. Isto ocorre quando os curativos oclusivos ou semi-oclusivos são utilizados. Geralmente não causam dor e requerem pouca habilidade técnica para sua realização. O debridamento pode ser bastante lento mas é o mais seletivo. Na presença de infecção ou em grandes extensões de necrose assim como em pacientes imunodeprimidos o seu uso é contra-indicado. A ferida apresenta odor durante o processo de debridamento. As coberturas sintéticas como hidrocolóide, hidrogel e filmes transparentes promovem o debridamento autolítico.

2) Enzimático – utiliza agentes químicos que são seletivos para o tecido necrótico e causam danos mínimos em tecidos saudáveis. Podem ser utilizados em feridas extensas com quantidades moderadas de tecido necrótico. Podem ter custo elevado e requerer prescrição para compra. Os dois agentes mais comuns são a colagenase e papaína. A colagenase é uma enzima isolada do clostridium hystoliticum. Digere o colágeno mas não é ativo contra a queratina, gordura ou fibrina. O pH ideal da ferida para o seu uso é 6-8. A papaína é uma enzima proteolítica derivada do carica papaya. Nos Estados Unidos é combinada com uréia para ativação e sua açãoocorre com o pH entre 3-12. No Brasil a papaína é encontrada na forma de pó, solúvel em água ou na forma de gel. É utilizada em concentrações diferentes de 2% a 10%, dependendo das características da lesão.

3) Mecânico – Usam a força física para remover o tecido necrótico sendo produzido pela fricção com pinça e gaze, pela retirada da gaze aderida ao leito da ferida ou pela hidroterapia que força a remoção. Os curativos de gaze não são seletivos e danificam o tecido saudável ao remover o tecido necrótico; a cicatrização pode demorar mais tempo. Alguns pacientes podem não tolerar a pressão da hidroterapia nas irrigações da ferida.Se a hidroterapia é pelo método tipo hidromassagem, a atenção precisa ser focalizada na prevenção de contaminação cruzada entre os pacientes ocasionada pelo uso comum do equipamento.

4) Debridamento Cirúrgico ou com instrumental cortante – utiliza métodos cirúrgicos para remoção do tecido necrótico. É freqüentemente considerado o método mais efetivo já que uma grande excisão pode ser feita com a remoção rápida do tecido. É utilizado para preparar uma ferida para receber o enxerto. É considerado invasivo e de custo elevado, requer o uso de sala cirúrgica. O debridamento instrumental pode ser realizado no leito do paciente por profissional não médico desde que habilitado. Para o enfermeiro, esta prática é regulamentada pelos Conselhos Regionais de cada estado.

No Brasil, o uso do mamão “ in natura” ainda é encontrado como prática popular em domicílios, para curativos da úlcera na fase de necrose porém,deve ser ressaltada a importância da limpeza inicial da fruta, a manipulação com material plástico para cortar ou ralar e a sua refrigeração se for guardada para uso posterior

Infecção

Na presença de infecção que se estende além das bordas da ferida, recomenda-se a utilização de antibióticos por via sistêmica.

 Úlceras com menos de um mês de duração e infecção leve requerem cobertura contra bactérias Gram positivas pelo menos por 2 semanas. Se o paciente é imunodeprimido, antibióticos de amplo espectro devem ser usados.

 Se a úlcera atinge o osso existe grande chance de osteomielite. Antibioticoterapia é necessária por 4 a 6 semanas.


Durante a fase inflamatória do processo de reparação de feridas, os neutrófilos e os macrófagos digerem e removem, naturalmente, plaquetas, fragmentos e tecidos avascular do leito da ferida.

Quando ocorre um acúmulo do material a ser removido esse processo natural torna-se insuficiente ocasionando o retardo na cicatrização.

Conclusão

Os métodos de debridamento buscam auxiliar no processo de cicatrização das feridas. Estes métodos quando aplicados com critérios servem muito para acelerar o processo de cicatrização, evoluindo para melhora da qualidade de vida do paciente.

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