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14 de novembro de 2008
Autores: Tatiana de Medeiros Colletti Cavalcante; Rita Simone Lopes
A parada cardiorrespiratória (PCR) pode ser definida como uma condição súbita e inesperada de deficiência absoluta de oxigenação tissular, seja por ineficiência circulatória ou por cessação da função respiratória(1).
Estudos sobre a ressuscitação cardiopulmonar dentro do ambiente hospitalar têm demonstrado a efetividade das manobras de ressuscitação, com significativo número de pacientes recebendo alta.
A partir daí, numerosos estudos surgiram sobre a eficácia do atendimento a parada cardiorrespiratória e fatores prognósticos têm sido realizados. Até hoje poucas intervenções na ressuscitação são baseadas em dados científicos válidos(2). As características dos pacientes hospitalizados e seus fatores prognósticos têm sido estudados em diferentes países, com diferentes populações de pacientes e definições distintas de variáveis na reanimação. Alguns autores afirmam que o local demográfico, causas do colapso e outros fatores podem afetar o resultado da reanimação(3). Eles ainda demonstram que a incidência de parada cardiorrespiratória por arritmia ventricular é baixa em países orientais, pois a prevalência de doenças cardíacas isquêmicas no oriente é baixa.
A incidência de ressuscitação cardiorrespiratória em pacientes hospitalizados não é tão simples quando comparada com a parada cardiorrespiratória extra-hospitalar. Isso porque as doenças pré-existentes nos pacientes hospitalizados podem predizer pior prognóstico. Fatores tais como situação pré-parada, tempo de início para reanimação e ritmo inicial têm sido demonstrados como preditores de sobrevivência em pacientes hospitalizados em estudos já realizados(4).
Por muito tempo foi difícil comparar dados entre essas pesquisas, pois a nomenclatura não era uniforme e nem mesmo as definições de sucesso ou sobrevida eram as mesmas. No início dos anos 90 este problema foi percebido, e em 1997 surgiu o protocolo de registro de Utstein intra-hospitalar que contempla uma série de dados desejáveis para coleta de informações, definição de sobrevida, entre outros.
O modelo Utstein para registrar paradas cardíacas surgiu na conferência de 1990, na antiga cidade desse nome, numa ilha perto de Stavanger, Noruega, com participação de representantes da American Heart Association (AHA), do Conselho Europeu de Ressuscitação (ERC), a Heart and Stroke Foundation of Canadá (HSFC), o Conselho Sul Africano de Ressuscitação e o Conselho Australiano de Ressuscitação. Na ocasião, havia a preocupação com uma comparação adequada entre os resultados dos esforços relacionados com ressuscitação, efetuados tanto em diferentes países, como dentro de um mesmo país, por falta de definições e metodologias uniformes. A partir de então, muitos investigadores e diretores de sistemas têm adotado as planilhas, estilo e nomenclatura Utstein para registrar os resultados das manobras de ressuscitação pré-hospitalar. O êxito desta iniciativa propiciou a padronização dos modelos internacionais para registrar os resultados da ressuscitação pediátrica(5) e para a ressuscitação experimental (laboratorial)(6).
Esse processo de padronização de registro teve prosseguimento com a inclusão da ressuscitação intra-hospitalar do adulto, dentro dos acordos internacionais para seu registro. Tais pautas e recomendações podem melhorar o desenho científico dos projetos de investigação e aumentam a utilidade clínica dos estudos publicados(7), de forma a proporcionar evidências consistentes e confiáveis, nas quais se poderão basear as decisões dos tratamentos.
Diante desta realidade, objetivamos com este estudo utilizar o protocolo de registro de Utstein nos atendimentos de parada cardiorrespiratória, que ocorrem em uma unidade coronariana de um hospital escola e demonstrar os resultados conforme o recomendado pelo protocolo. Assim, poderemos avaliar este procedimento de acordo com as recomendações internacionais e fazermos um paralelo com a realidade encontrada em nosso país, e mais especificamente em nosso serviço.
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