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29 de julho de 2008
A enfermagem frente à morte da criança: alternativa para alívio das tensões
*SILVA, A.S.
1 INTRODUÇÃO
Numa definição limitada de morte, pode-se afirmar que é um processo biológico natural e funcional. Decorre do declínio gradativo das funções orgânicas. Cada célula do nosso corpo é geneticamente programada para morrer. E dessa maneira ocorre com o organismo como um todo.
Ainda assim, o termo ‘morte’ é carregado de sentimentos negativos, associados a uma impressão de perda. Frequentemente apresenta-se substituído por eufemismos, como ‘atravessou o rio’ ou ‘foi dessa para melhor’.
A enfermagem tem como destaque a preocupação com o processo de cuidar, e isso envolve escuta, olhar, percepção e disponibilidade para atender às disponibilidades dos pacientes sob seus cuidados. Além dos inúmeros procedimentos técnicos deve (ou deveria) haver a preocupação com o alívio dos sofrimentos, mesmo dos que estão fora de possibilidades terapêuticas, tendo como meta a melhoria da qualidade de vida nas dimensões física, social, psíquica e espiritual (1).
2 OBJETIVO
Apontar por meio de levantamento bibliográfico uma maneira de aliviar tensões da equipe de enfermagem ao lidar com a criança fora de possibilidades terapêuticas institucionalizada.
3 METODOLOGIA
Foi realizada pesquisa bibliográfica (2), com abordagem qualitativa, em periódicos indexados publicados nacionalmente, livros e demais documentos pertinentes ao tema atualizados, exceto literatura clássica.
4 DISCUSSÃO
A morte de uma criança é menos esperada do que a de um idoso. A criança traz em si a esperança da família e o afeto especial da equipe de enfermagem.
A criança fora de possibilidades terapêuticas manifesta medo, necessidades físicas e afetivas, o que nos leva a verificar que tem necessidade de atenção, afeto, companhia e apoio dos pais, além de outras figuras de afeto, e da equipe de saúde que a assiste nesse momento.
Neste contexto, a equipe de enfermagem não pode esquecer-se do verbo característico da profissão, o cuidar, independente da possibilidade de cura ou sobrevida. A função primordial da enfermagem é cuidar em todos os momentos da vida do paciente, de maneira holística e individual.
Algumas vezes a equipe de enfermagem percebe que a cura foge às suas competências de saber específico e a única coisa que pode fazer então é proporcionar ao paciente cuidados paliativos, a fim de oferecer um processo de morrer mais digno. Ao se deparar com este limite nas suas capacidades de cuidar do outro, a enfermagem pode refletir esse sofrimento que, por constância e repetição, pode alterar o estado de saúde da própria equipe. Este estado psicopatológico apresenta-se por sentimentos de angústia, frustração, limitação e impotência (3).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
É proposta a implementação de reuniões mensais com a equipe de enfermagem para discussões e trocas de experiências, a fim de possibilitar a exposição de angústias e frustrações e, dessa forma, poder elaborar o processo de morrer e seus aspectos éticos e psicológicos, evitando uma possível sobrecarga emocional que poderia trazer prejuízos ao andamento do serviço da equipe de enfermagem (3 e 4).
6 REFERÊNCIAS
1 KÜBLER-ROSS, E. Educação para a morte: desafios na formação de profissionais de saúde e educação. São Paulo: Casa do Psicólogo: FAPESP, 2003.
2 GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisas. São Paulo: Atlas, 1991.
3 GUTIERREZ, B.A.O; CIAMPONE, M.H.T. Profissionais de enfermagem frente ao processo de morte em Unidade de Terapia intensiva. Rev Acta Paul Enferm, n.19, v.4, 2006.
4 BELLATO, R.; ARAUJO, A.P.; FERREIRA, H.F.; RODRIGUES, P.F. A abordagem do processo de morrer e da morte feita por docentes de um curso de graduação em enfermagem. Rev Acta Paul Enferm, n. 20, v.3, 2007.
*Graduada em enfermagem, especialista em bioética e Unidade de terapia Intensiva, docente da faculdade de enfermagem da Universidade de Rio Verde – FESURV.
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