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Promovendo a captação e acolhimento da gestante no primeiro trimestre através do ACS e do PITS do Jari


1 de janeiro de 2008


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PROMOVENDO A CAPTACAO E ACOLHIMENTO DA GESTANTE NO PRIMEIRO TRIMESTRE ATRAVES DO ACS E DO PITS DO JARI

   Dra.Luciane Alves Ribeiro, foi Enfermeira do PITS 1 –
  Programa de Interiorização do Trabalho em Saúde (2001/2003)
   em Laranjal do Jarí-AP,
  Coordenadora do PACS e da Atenção a saúde da Mulher
  Secretaria de Municipal de saúde de Laranjal do Jari-Ap
  luthyane@msn.com, smslj@amazon.com.br
  Apresentado na II Mostra de Saúde da Família /2003

• INTRODUCAO

• A estratégia atual do setor saúde é representada pela substituição do modelo de saúde vigente pautado na atenção curativa para um modelo centrado na promoção  e proteção da saúde. Assim sendo, este deve estar em sintonia com os princípios que norteiam o SUS (Sistema Único de Saúde: universalização, descentralização, integralidade, equidade e participação comunitária), e acima de tudo, voltado para uma constante defesa e melhoria da qualidade de vida da população. Esta estratégia deve ser iniciada com a incorporação de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) às equipes da saúde tendo como referencia as unidades básicas de saúde, pois estes irão contribuir para que as ações da atenção básica possam ser executadas e assumidas de uma forma inovadora, com efetiva mudança na reorganização dos serviços de saúde da comunidade. Com o surgimento do Programa de Saúde da Família o Agente Comunitário de Saúde (ACS) é um dos profissionais que integra a Equipe de Saúde da Família (ESF) interagindo com a comunidade nos cuidados básicos e de educação em saúde, suas ações devem ser desenvolvidas e direcionadas ao núcleo familiar, com especial atenção às pessoas com maior risco de adoecer ou morrer dentro da comunidade sendo, portanto um forte elo entre a comunidade e as ESFs.
• O município de Laranjal do Jarí/Amapá
 O município Laranjal do Jarí tem sua origem com a vinda para a região de empresas de extração de celulose em distrito de município do estado do Pará denominado Monte Dourado. Neste distrito foram construídos bairros projetados com casas de propriedade das empresas. A população que não tinha vínculo com as empresas, por subsistir no trabalho informal ou que era demitida, não tinha acesso a moradia nesse distrito. Vinham morar do outro lado do rio, sobre palafitas, no bairro hoje conhecido como Beiradão.
De um primeiro núcleo de urbanização, casas foram sendo construída ao longo da estrada de acesso a capital do estado do Amapá, a BR XXX. Como essa rodovia é extremamente precária, torna a circulação de veículos de passeio praticamente impossível. A população de classe média começou a crescer e organizou-se no bairro próximo ao Beiradão, conhecido como Agreste, onde ficam os principais serviços públicos, as secretarias, banco, igrejas, hospital e correio. Esse novo bairro é geograficamente elevado em relação ao Beiradão. Outros bairros do centro urbano foram construídos após calamidades que tiveram grande repercussão na história da cidade: o bairro Castanheira foi construído para assentar os moradores do Beiradão vítimas de um grande incêndio; o recente bairro Sarney está sendo ocupado desde a enchente que ocorreu em 2000 e deixou desabrigada boa parte da população do Beiradão. Com uma população pouco “enraizada”, o Beiradão se tornou referência da imagem da cidade que é passada para as pessoas de fora. Na “Beira” ocorrem brigas freqüentes, onde as gangues se enfrentam em lutas  de “terçado”, a principal causa de mortalidade da cidade. Ainda ali ficava o local de prostituição que foi proibido pela atual administração, o que não afastou a prática do local. O comércio popular se concentra ali, como também o embarque e desembarque fluvial de passageiros e mercadorias. Trabalhadores que vêm e vão da cidade atrás de emprego, residindo temporariamente em “Vilas de Quartos”, leva a idéia de que a população de Laranjal do Jarí “não é daqui”. Percebemos que essa imagem negativa contrasta com nossa visão da situação do município de Laranjal do Jarí; com seus bairros urbanizados e população fixa, como o Agreste; com os equipamentos públicos com bom potencial de atender a população. A grande extensão territorial leva a pouca referência das populações da área rural, que representam 5% da população do município, que tem difícil acesso a cidade e aos serviços municipais. 
A administração anterior do município  foi marcada por 08 mudanças de prefeitos no ano de 2000, fato que resultou em intervenção de governo estadual por 06 meses e mobilização local contra a corrupção e em auxílio da população durante a enchente. A população de Laranjal do Jarí, segundo dados do DATASUS, é de 28.996 habitantes(estimativa para o ano 2000). Constituída de jovens (apenas 13% da população tem mais de 40 anos), pouco mais da metade (55,6%) é alfabetizada. Não há rede de esgoto municipal, sendo que os dejetos e o lixo do Beiradão são lançados sob as moradias, nas áreas alagadiças e no próprio rio. Os bairros urbanizados já contam com fossas sépticas, além de serviço de coleta de lixo, sendo este último insuficiente para a cidade. Há água encanada tratada acessível para as populações do bairro do Beiradão, Agreste e Castanheira, e de carro pipa para o loteamento Sarney e assentamento Nazaré.O município conta com 31 escolas,sendo 17 na cidade e 14 no interior, a maioria sobre palafitas. Refere-se como dificuldade a evasão de 30% das crianças até o meio do período escolar, tendo como causas principais a mudança das famílias para outro município atrás de trabalho; o trabalho infantil; a falta de transporte escolar; e a insuficiência de merenda escolar. Vem sendo importante para o sucesso escolar das crianças o auxílio de bolsas escola e do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PET). O acesso a cidade dá-se pelo rio Jarí, pela BR e pelo aeroporto de Monte Dourado. O estado precário da BR torna difícil o acesso rodoviário à cidade. O rio, por sua vez, é um acesso economicamente viável , mas tanto quanto a estrada, delonga muitas horas de viagem. A rede municipal de ônibus circula das 06 às 20 horas. Parte significativa da população que mora no Beiradão vive sobre palafitas, habitação referida pelos gestores como em áreas de risco. Os demais bairros da cidade se encontram em área geográfica mais elevada, não sujeita a alagamentos e em urbanização. Alguns bairros ainda não têm energia elétrica, como o loteamento Sarney e os distritos da zona rural. As principais ofertas de trabalho são as indústrias, extratoras de celulose e caulim que estão instaladas na cidade de Monte Dourado, distrito do município de Almerim-Pa; nas empreiteiras que fazem a extração da madeira; como mão-de-obra não especializada; e como cooperativados na extração de castanha. Quem trabalha em Laranjal do Jarí, ocupam vagas no comércio local; no serviço público municipal e estadual; e na agricultura.
Ao chegarmos neste município no mês de julho de 2001 através do PITS (Programa de Interiorização do Trabalho em Saúde), demos inicio ao processo de sensibilização dos gestores e atores sociais representantes da população, assim como à população local para a implantação do Programa de Saúde da Família nesta cidade, no início deste processo, observando os indicadores da ABS (Atenção Básica em Saúde) local e, comparando-os com de outros Estados da Federação percebemos no SIAB (Sistema de Informação em Atenção Básica) que o numero de gestantes cadastradas que iniciaram o pré-natal no primeiro semestre estavam bem abaixo do que esperado pelo programa de humanização do parto e nascimento, o que significava uma grande lacuna no atendimento a saúde da mulher e na atenção básica, bem como na prevenção da morte materna e neonatal, este fato poderia ser atribuído a uma provável sob notificação de dados ou não, e para que esta situação fosse revertida era necessário criarmos uma estratégia para que estas gestantes chegassem ate o serviço no inicio da gestação nos possibilitando assim melhorar este nosso indicador e assim promover uma assistência mais humana e segura para o estado gestacional da nossa população feminina.

• OBJETIVOS
•  Promover uma assistência de qualidade no período gestacional
•  Aumentar o numero de gestantes admitidas no servico de pré-natal no primeiro trimestre de gestação
•  Ampliar o numero de consultas durante o estado gestacional
•  Garantir à realização de exames laboratoriais e de imagens as gestantes admitidas no serviço
•  Promover a integração dos Agentes Comunitários de Saúde no serviço como elo  de ligação entre a comunidade e o serviço
•  Assegurar a consulta de pós-parto.
•  Promover o AME (aleitamento materno exclusivo) pelo menos ate os seis meses de idade
•  Instalar e alimentar o SISPRE-NATAL (sistema de informação em saúde / pré- natal)
•  Realizar a vigilância em saúde da mulher.

• METODOLOGIA

 Inicialmente realizamos  reunião com os gestores municipais para a apresentação da proposta de trabalho e discussão sobre as melhorias do serviço existente de assistência a gestante existente no município.(indicadores)
•  Planejamento das ações e aquisição de material necessário
•  Reunião com as equipes de ABS (atenção básica em saúde), profissionais do PITS, e do PSF e parteiras curiosas  que iriam acolher estas gestantes no serviço.
•  Reunião com os ACS para sensibilização e capacitação na captação destas gestantes no inicio da gestação.
•  Educação em saúde na comunidade por micro-áreas visando a sensibilização destas para o inicio do pré-natal no primeiro trimestre.
•  Captação precoce pelo ACS das gestantes em sua micro-area principalmente as adolescentes.
•  Agendamento das consultas com o enfermeiro da sua equipe nas reuniões mensais sendo 01 dia para cada micro-área
• Realização da primeira consulta, com garantia de retorno e acompanhamento ate o primeiro mês apos o parto como preconizado pelo programa  de humanização  do parto e nascimento.
• Encaminhamento para realização de exames laboratoriais de rotina e de imagem referenciado.
• Incentivo a cidadania (retirada de documentos exigidos pelo sistema),encaminhamento para o serviço social do município.
• Instalação do SIS-PRENATAL e alimentação do mesmo.
• Encaminhamento para o parto no hospital de Laranjal do Jarí.
 Quando da implantação dos serviços encontramos dificuldades pois havia uma forte resistência dos profissionais que atuavam no serviço  visto que estávamos propondo uma modificação no sistema de atendimento e acolhimento das gestantes que para eles estava funcionando muito bem, por outro lado encontramos também resistência por parte das gestantes e comunidade em geral que não sabiam da importância do pré-natal no inicio da gestação e portanto não compareciam as reuniões e as consultas, também não estavam acostumadas ao sistema de consultas agendadas/demanda organizada, muito menos a participarem de grupos, então usamos a estratégia de agendamento por micro-area e captação das gestantes através dos ACS, que consistia em realização de busca ativa por mulheres que apresentavam amenorréia a  mais de quinze dias e as orientavam quanto a importância do pré-natal  e realizavam o agendamento da mesma para o respectivo dia da micro are  definido anteriormente com a sua equipe,alem disto o ACS marcava reuniões de grupos de gestantes na sua micro-area para abordagem de temas relacionados ao pré-natal ,e acompanhava as mesmas ate a unidade de saúde de referencia , onde junto com a enfermeira e auxiliar de enfermagem realizava o acolhimento e sala de espera, sendo parte ativa de todo o processo.Na realização deste trabalho constatamos ainda que o desmame precoce ocorria frequentemente, porem constatamos também que isto se devia basicamente pela falta de informação ou informação deficiente com relação ao AME, fato que foi revertido ao promovermos neste trabalho educação em saúde de qualidade.

 RESULTADOS
• Avaliação do serviço de atendimento a gestante no município de Laranjal de Jarí/AP (gráfico 04)
• Melhoria na qualidade do atendimento e no acolhimento das gestantes (gráfico 02)
• Identificação do perfil de mulheres férteis por micro área
• Prevenção do tétano neonatal e acidental (gráfico 03)
• Prevenção de DST/AIDS
• Aumento do numero de partos sem complicações para o binômio mae-filho
• Redução dos riscos de Mortalidade Materna e Neonatal (gráfico 05)
• Aumento do tempo de aleitamento materno exclusivo ou misto (gráfico 06)
• Aumento do numero de gestantes que realizaram exames de PCCU (preventivo de câncer de colo uterino)
• Aumento da oferta e procura dos serviços de pré-natal no primeiro trimestre (gráfico 01).
 Apesar das dificuldades encontradas inicialmente, reorganizar a atenção a mulher em estado gestacional no município de laranjal do Jarí no estado do Amapá, foi um desafio que tentamos vencer e nos sentimos realizados pois conseguimos fazer com que a oferta de serviços fosse maior que a procura, acredito ter sido o nosso grande diferencial neste momento, pois nos íamos em buscadas nossas clientes gestantes, principalmente as adolescentes e através do trabalho doe educação em saúde conseguimos desmistificar o tabu existente na região que era de que o pré natal deveria ser iniciado quando a barriga estivesse grande ou seja no segundo ou terceiro trimestre de gestação, fato que contradiz as normas do programa nacional de humanização do parto e nascimento.Trabalhar com estas clientes no desenvolvimento de uma gestação saudável  e livre de riscos, ofertando uma assistência digna e com qualidade dentro do SUS(sistema único de saúde) foi a nossa maior e melhor experiência, e poder ter a oportunidade de relatar que a mudança de hábitos  e costumes foi possível graças as parcerias formadas entre gestores municipais , profissionais de saúde( em especial aos ACS) e comunidade e que estas são instancias da sociedade que devem e podem andar sempre em harmonia fazendo o SUS que realmente queremos, desejamos e acima de tudo temos direito, empoderando-se de tudo isto é algo que realmente jamais esqueceremos.

• Recomendações
 Que este trabalho que iniciamos, possa continuar e que possamos cada vez mais melhorar dia a dia, a oferta de serviços organizada, a qualidade destes serviços, oferecendo aos nossos usuários do SUS. O plano de saúde mais popular do nosso país, visando assim uma saúde mais equânime, e igualitária para todos nos e em especial para a minha comunidade de Laranjal do Jarí Município do Estado do Amapá – situada ao sul do estado e com cerca de 30.000 habitantes, terra de gente carente, porém humana, acolhedora e muito amável que nos recebeu de braços abertos. A ela o nosso MUITO OBRIGADO pela oportunidade de ter desenvolvido o trabalho aqui apresentado.

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