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O Acompanhamento Terapêutico (AT): dispositivo de atenção psicossocial em saúde

Artigo por Ana Celeste Pitiá - quinta-feira, 25 de outubro de 2012

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Acompanhamento Terapêutico: campo de possibilidades para os profissionais da saúde.
Acompanhamento Terapêutico: campo de possibilidades para os profissionais da saúde.
Resumo
Este artigo aborda a prática clínica do
Acompanhamento Terapêutico (AT),
incorporado ao modo de atenção
psicossocial em saúde mental e seus outros
dispositivos. Objetiva-se discutir o processo
de reabilitação psicossocial e este tipo de
ação terapêutica na saúde mental, com
base na clínica de AT. Para tanto, realizou-se
uma reflexão teórica, considerando e
os paradigmas dos modos asilar e
psicossocial de atenção, que referenciam
as práticas de intervenção terapêutica em
saúde mental. As reflexões conduzem à
importância da consolidação de uma rede
de atenção que possibilite perspectiva de
vida aos portadores de sofrimento psíquico
como um desafio a ser enfrentado que
considere prioritariamente o sujeito aí
implicado e seu contexto de imersão social.

Introdução
O impacto do transtorno mental, avaliado, notadamente, pela sobrecarga sobre o indivíduo, a família e a sociedade, indica a relevância do tema para a agenda internacional (World Health Organization, 2002).

A Organização Mundial da Saúde divulgou, em um relatório, que até países desenvolvidos se esquecem de cuidar da mente humana. Ressalta que, apesar dos transtornos mentais atingirem cerca de 450 milhões de pessoas, ainda estão longe de receber a mesma relevância dada à saúde física, sobretudo nos países em desenvolvimento. Comparando-se os transtornos mentais com as principais doenças que afetam a população, estes respondem por 12% das condições de saúde que sobrecarregam os países pobres e médios em riqueza

Os serviços e as estratégias de promoção e proteção da saúde mental precisam ser coordenados entre si e articulados com outros serviços, tais como: a segurança social, a educação, o emprego e a habitação. As ações para a saúde mental devem ser monitoradas e analisadas para que as decisões possam ser constantemente ajustadas para
responderem aos desafios que se apresentam (Organización Panamericana de la Salud, 2003).

No Brasil, o Estado tem assumido papel decisivo na reestruturação da atenção psiquiátrica, desde 1987, com a 1a.Conferência Nacional de Saúde, recebendo reforços com a Declaração de Caracas, na Venezuela de 1990. Desde então, os países latino-americanos vêm envidando esforços para a promoção de serviços comunitários - substituindo o manicômio -, integrados à rede de serviços de saúde em atenção primária à saúde e suas redes sociais, priorizando a manutenção do doente em seu meio social (Brasil, 2004).

A principal repercussão desta proposta é que a rede básica de saúde passa a ser o principal meio para o atendimento de portadores de transtornos mentais que adoecem ou que estão em algum tipo de acompanhamento, e o profissional da saúde passa a se ocupar de um contexto ampliado onde ocorre o cuidado.

A assistência em saúde mental propõe a atenção descentralizada, interdisciplinar e Inter setorial, bem como vincula o conceito de saúde mental aos conceitos de cidadania e produção de vida, gerando transformações nas concepções e práticas de saúde mental, na organização dos serviços, na formação e na capacitação dos profissionais da área. No sentido instrumental, o processo de reabilitação psicossocial representa um conjunto de meios (programas e serviços) que se desenvolvem para facilitar a vida das pessoas com problemas mentais severos e persistentes. Esse processo destina-se a restaurar o melhor nível possível de autonomia do indivíduo, no exercício de suas funções sociais (Pitta, 2001).

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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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colunista

Ana Celeste Pitiá

Doutorado em Saúde Mental, pela EERP/USP de Ribeirão Preto - SP. Psicoterapeuta em Análise Bioenergética, Mediadora de Conflitos e Facilitadora de Diálogos. Consultora em Saúde e Coordenadora de Cursos de Especialização e Capacitação em Acompanhamento Terapêutico (AT) e Mediação de Conflitos na Comviver - Acompanhamento Terapêutico (AT), consultoria de serviços do Instituto Brasileiro de Estudos e Serviços LTDA. Ribeirão Preto - SP.