A enfermagem na Luta pela Preservação das Terapias Naturais
1 de janeiro de 2008
Com o título “Os riscos das terapias alternativas” a edição número 1.749 da revista Veja, de 1º de maio de 2002, realizou matéria polêmica sobre o assunto, após entrevistar diversos médicos que trabalham com as práticas.
Desde a data da publicação, a NURSING tem recebido muitas correspondências, fax e e-mails de profissionais da enfermagem que ficaram indignados com o contéudo da reportagem.
Atendendo à solicitação dos leitores, a revista ouviu a opinião da enfermeira Maria da Graça Piva, presidente da Sociedade Brasileira de Terapias Naturais na Enfermagem – SOBRATEN, que ressaltou lamentar o fato de a Veja ter se embasado somente na opinião médica para formular a matéria, sendo que, segundo ela, quase todos os profissionais da saúde ( em torno de 14 profissões ) atuam com terapias naturais. “ Se tivessem observado a participação desses diferentes terapeutas, com certeza, a coleta de informações seria muito mais completa e abrangente”, completa Piva.
Os médicos que recriminam as práticas alternativas também lutam por elas. A homeopatia, por exemplo, foi implantada no Brasil como terapêutica de saúde pela medicina e até hoje, é bastante difundida e reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. A acupuntira, considerada uma prática milenar, também faz parte de uma luta judicial da classe, que busca torná-la ato médico.
“A própria Organização Mundial da Saúde em sua carta de intenções de 1976 colocou como prioridade a investigação e valorização de práticas naturais, no sentido de resgatar e preservar a cultura e manutenção da saúde da população. Será que nós podemos negar o valor terapêutico da plantas medicinais, que têm princípios ativos que estruturam as drogas alopáticas e, ainda, discutir o quanto as terapias naturais são saudáveis?” , questiona a presidente da SOBRATEN.
De acordo com Piva, que discorda do termo “ alternativa “ dizendo que esse aspecto já foi discutido e aprovado por pessoas qualificadas em algum tipo de terapêutica natural, o enfoque dado à reportagem foi equivocado a necessidade de controle e fiscalização dos usuários das práticas, além de alertar a população dos cuidados que devem ser considerados ao procurar esse tipo de atendimento. “ Infelizmente, o número de pessoas não qualificadas e sem conhecimento sobre o tema que utilizam as técnicas, apenas com propósitos comerciais, é muito grande. Indivíduos mal intencionados e despreparados existem em todo e qualquer ramo da atividade humana”, complementa ela.
A Sociedade acredita que não adianta negar a existênciadas práticas, como fazem algumas categorias profissionais, uma vez que a origem das técnicas é milenar e elas são aceitas, culturalmente, com eficazes, benéficas e construtivas. “Muitas delas já têm estudos científicos que comprovam a eficácia e versatilidade e fazem parte da trajetória de visda das populações desde sempre”, explica a presidente.
Maria da Graça ressalta que os meios de comunicação têm obrigação de alertar a população dos riscos, principalmente no que diz respeito à saude. “ Como membro do Conselho Federal de Enfermagem – COFEN, posso afirmar que buscamos e lutamos pela qualidade do atendimento prestado pelo enfermeiro em todas as áreas e não seria diferente nas tão faladas e comentadas terapêuticas, reconhecidas através da resolução COFEN 197/97”, comenta.
O Conselho determina que para o enfermeiro desenvolver as práticas naturais junto à comunidade é preciso a realização de cursos de especialização, como pós graduação, com mínimo de 360 horas.
Para finalizar, a presidente da Sociedade, que também é doutora em Biologia de Sistema e Meio Ambiente, questiona: Quem já não utilizou um chá, por exemplo, na busca da manutenção ou recuperação de sua saúde?
Dra. Maria da Graça Piva,
Enfermeira (UNISINOS)
Especialista em Saúde do Adulto (UFRGS)
Especialista em Saúde Pública (FIOCRUZ)
Doutora em Biologia e Meio Ambiente (Leon, Espanha)
Fonte: www.bve.org.br
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