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quinta-feira, 12 de julho de 2012 - 21:15

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Dificuldades na prática da higienização das mãos em UTI: validação de conteúdo

por: Beatriz Helena Gazabin Rapisarda

Prática da higienização das mãos em UTI
Prática da higienização das mãos em UTI

Introdução

Nos dias atuais a segurança do paciente vem sido abordada de forma crescente em todo o mundo, devido à frequência de erros e eventos adversos na assistência de saúde que muitas vezes poderiam ser evitados. Esses eventos adversos podem ser definidos como qualquer incidente relacionado a medicamentos, equipamentos e realização de procedimentos. Muitas vezes esses eventos adversos não são causados exclusivamente pela falha humana, mas também pela falha e deficiência no sistema e instituição de saúde 1,2.




Visando diminuir a frequência de erros e eventos adversos o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), lançou a cartilha de 10 passos para a segurança do paciente, a qual contém diretrizes que visam sensibilizar e mobilizar profissionais da saúde para realizar um cuidado seguro, e para a população/pacientes conhecerem e assegurarem seus direitos na hora de receberem um cuidado hospitalar 3.




A cartilha contém 10 passos para promover a segurança do paciente, esclarecendo a categoria de enfermagem e chamando-a a responsabilidade de realizar suas práticas assistenciais de forma segura, tanto para si como para o paciente, especialmente, fazendo assim um cuidado seguro, evitando falhas no processo de trabalho 3.



O primeiro passo da cartilha é a identificação do paciente, a qual é indispensável em qualquer setor de saúde, seja ele hospitalar, ambulatorial, unidades de pronto atendimento, e todos os setores que incluam os serviços de saúde. Erro na identificação do paciente pode acarretar sérias consequências para a segurança do paciente, já que uma vez identificado errado esse paciente poderá receber medicações erradas, cuidados e tratamentos errados e outras consequências, colocando não só a sua segurança em risco, mas também a sua vida.



Para que o paciente seja identificado corretamente é necessário que todos os profissionais participem do processo de identificação, admissão, transferência ou recebimento do paciente entre uma unidade e outra. A identificação do paciente deverá ser feita por meio de uma pulseira de identificação, a qual contém nome completo, data de nascimento e número do leito, prontuário e com a participação ativa dos responsáveis pelo paciente durante a confirmação de sua identidade 3.



O segundo passo da cartilha refere-se à higienização das mãos visando um cuidado limpo e seguro. Podemos dizer que a higienização das mãos é um dos passos mais importantes a ser seguido, pois nas mãos temos diversas bactérias que podem ser transmitidas entre uma pessoa e outra, e devido ao paciente hospitalizado estar com a imunidade abaixo do normal essas bactérias podem acarretar diversos problemas, como infecções. Florence Nightingale, precursora da enfermagem estava certa quando detectou que o simples fato de lavar as mãos reduz consideravelmente o número de doenças e infecções causas por vírus e bactérias nelas existentes. Higienizar as mãos significa remover a sujidade, suor, oleosidade, pelos e células descamativas da microbiota da pele, visando prevenir e reduzir infecções relacionadas à assistência à saúde. Deve-se proceder a higienização das mãos antes e após o contato com o paciente, antes e após realizações de procedimentos, após contato com material biológico, após contato com mobiliário e equipamentos próximos ao paciente 3,4..


O terceiro passo refere-se à conexão correta de cateteres e sondas, Nos cateteres e sondas são infundidos diversos fármacos e soluções, esses fármacos e soluções administrados em vias erradas podem causar diversas consequências, e até mesmo levar ao óbito do paciente. Diante disso, faz-se necessário a capacitação dos profissionais para manipular sondas e cateteres de forma correta e segura 3.



O quarto passo visa à cirurgia segura, onde medidas são tomadas para realizar o procedimento cirúrgico com segurança, para o paciente e para a equipe, a fim de assegurar que não haja erros e danos ao paciente. Medidas como identificação do paciente antes da cirurgia, local da cirurgia, marcação do local da cirurgia são tomadas para que não haja erros 3.


O quinto passo refere-se à administração segura de sangue e hemocomponentes, a qual é indicada para pacientes que sofreram perda significativa de sangue, seja ela decorrente de uma doença ou um procedimento. A infusão sanguínea poderá ocorrer após a identificação do paciente e sua compatibilidade com as células do sangue existentes (hemácias, leucócitos, plasma e plaquetas). Erros na infusão sanguínea e/ou de hemocomponentes poderão lesar a segurança do paciente, ocasionando efeitos adversos 3.



O sexto passo envolve o paciente com a sua própria segurança, onde ele pode e deve contribuir para a assistência de cuidados à sua saúde, fornecendo informações sobre si, sobre seu estado e interagindo com a equipe de saúde, através de uma comunicação, a qual é o sétimo passo da cartilha 3.

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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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colunista

Beatriz Helena Gazabin Rapisarda

Enfermeira, graduada pela Universidade Paulista (UNIP - Campinas), cursando Pós Graduação em Enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva e Unidade Coronariana Adulto pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC - Campinas). Temas de atuação: Unidade de Terapia Intensiva, Lavagem de Mãos, Gerenciamento de Segurança e Infecção Hospitalar.

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