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Protocolo de atendimento ao idoso em instituições de longa permanência

Artigo por Valeria Cristina Dias - quinta-feira, 21 de junho de 2012

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Protocolo de atendimento ao idoso em instituições de longa permanência
Protocolo de atendimento ao idoso em instituições de longa permanência

 RESUMO

A longevidade é uma realidade dos tempos atuais, porém o idoso pode ser forçado a aprender a conviver com aqueles totalmente desconhecidos. Esta realidade trás implicações para a enfermagem, uma vez que o profissional enfermeiro mobiliza tempo e esforço, para prestar uma assistência integral, visando amenizar os desafios impostos por tal condição de vida que a institucionalização proporciona aos indivíduos. Inserido neste contexto o presente trabalho tem como objetivo elaborar um protocolo para o atendimento ao idoso asilado. O desenvolvimento do trabalho foi embasado em uma pesquisa do tipo qualitativa, exploratória e bibliográfica. Assim conclui-se que o planejamento e a implementação de ações adequadas ao idoso, a partir do conhecimento de suas necessidades afetadas, podemos identificar seus maiores problemas e diminuir novas patologias e possíveis traumas ao ingressar em uma instituição de longa permanência.



1- INTRODUÇÃO

A longevidade é uma realidade dos tempos atuais, porém trás consigo a necessidade de adaptação pelas perdas que vão ocorrendo ao longo da vida. Viver mais significa ver seus entes queridos serem tirados do convívio pela morte, pela mudança para lugares distantes ou pelo distanciamento que a vida moderna provoca, como seu individualismo. Assim, o idoso se vê compelido a reconstituir seus vínculos, a buscar formas de viver seu cotidiano, sem contar mais com as redes de apoio familiar. O idoso pode ser forçado a aprender a conviver com aqueles totalmente desconhecidos, após longa trajetória de vida convivendo com aqueles com quem mantinha laços de amizade e consanguinidade, deixando para trás seu estilo de vida pessoal e de viver seu cotidiano, é nesse contexto que o residente em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) reconstitui o seu cotidiano. Dessa forma, interessa conhecer quais os principais fatores que conduzem o idoso a procurar uma Instituição de longa permanência e de que maneira é sua adaptação a este ambiente (BESSA, M.E. P, 2006).



A Política Nacional do Idoso, promulgada em 1994 e regulamentada em 1996, assegura direitos sociais à pessoa idosa, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade e reafirmando o direito à saúde nos diversos níveis de atendimento do SUS (Lei nº 8.842/94 e Decreto nº 1.948/96), (BRASIL 2003).



As Instituições de longa permanência são Instituições governamentais ou não governamentais, de caráter residencial, destinada a domicilio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade, dignidade e cidadania (ANVISA; 2005).



Historicamente, é fato que grande parte das Instituições de longa permanência possui um perfil assistencialista, no qual prestar cuidados aos idosos se resume a oferecer abrigo e alimentação. Atualmente, acredita-se que o cuidar envolve o acesso ao atendimento de profissionais de saúde capacitados, condições de espaço físico e ambiental apropriados, disponibilização de atividades de lazer e contato social com a comunidade (TELLES, FILHO e PETRILLI, FILHO, 2002).



No Brasil, a primeira instituição voltada para os cuidados da velhice foi o Asilo São Luiz para a Velhice Desamparada, em 1890, na Cidade do Rio de Janeiro-RJ, Essa instituição asilar não abrigaria apenas os idosos pobres, prosseguindo numa óptica filantrópico-assistencialista do início do século XIX, mas também àqueles que tinham recursos financeiros. Para estes, foi criada uma ala especial na referida instituição em 1909, onde residiam mediante pagamento de mensalidade (GROISMAN D, 1999). Desde seu início, a função do espaço asilar não era promover a recuperação do indivíduo ali residente e incentivar sua volta ao convívio social mais amplo, como acontece nos hospitais, por exemplo. Era, e continua sendo, uma instituição depositária, tuteladora de indivíduos idosos, oferecendo apenas os cuidados suficientes às pessoas que estejam em seus últimos dias de vida (DAVIM, TORRES, DANTAS, LIMA, 2005).



Atualmente a família vem sofrendo uma série de transformações, sobretudo pelas próprias mudanças culturais e socioeconômicas da humanidade. Essas alterações ocorrem principalmente em sua formação, que passa aos poucos de famílias de predomínio nuclear (pai, mãe, filhos), para família monoparentais com um número maior de mulheres como chefes, principalmente nos grandes centros urbanos (MIOTO, 1999).



As mudanças que estão ocorrendo no seio da família, incluindo, principalmente as alterações no papel da mulher e, consequentemente nas práticas educativas das famílias (MARTINS, E. & SZYMANSKI, 2004) têm contribuído para o enfraquecimento do suporte às crianças e idosos, deixando o idoso sem o respaldo da família, possibilitando a institucionalização (PASCHOAL, S. M. P, 1996).


Atrelado às mudanças que ocorrem na família, o envelhecimento tem sido objeto de interesse de muitos pesquisadores, sobretudo, porque nas últimas décadas houve um significativo aumento do número de pessoas idosas numa perspectiva mundial. No caso do Brasil, assim como na maioria dos países em desenvolvimento, esse aumento das taxas de envelhecimento tem representado sérios problemas para a sociedade. Desse modo, há mundialmente uma necessidade crescente e urgente em organizar políticas públicas para se adequar ao novo perfil demográfico da população, pensando em serviços que atendam as peculiaridades, cuidado e assistência aos idosos (MARTINS, E. et al, 2007).



Em 1999, a Portaria Ministerial nº 1.395 anuncia a Política Nacional de Saúde do Idoso, a qual determina que os órgãos e entidades do Ministério da Saúde, relacionado ao tema promovam a elaboração ou a readequação de planos, projetos e atividades na conformidade das diretrizes e responsabilidades nela estabelecidas. Essa política assume que o principal problema que pode afetar o idoso é a perda de sua capacidade funcional, isto é, a perda das habilidades físicas e mentais necessárias para realização de atividades básicas e instrumentais da vida diária (BRASIL 1999).



Para colocar em prática as ações preconizadas pela PNI, foi elaborado o Plano de Ação Conjunta, que trata de ações preventivas, curativas e promocionais, com vistas à melhor qualidade de vida do idoso, o referido Plano de Ação norteia ações integradas de forma a viabilizar a implementação da PNI. Neste sentido, define ações e estratégias para cada órgão setorial, negocia recursos financeiros entre as três esferas de governo e acompanha, controla e avalia as ações (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006).



De acordo com o Plano de Ação, os órgãos setoriais, usando de suas atribuições e baseados na PNI, realizam as ações conforme as demandas da população de idosos. Na busca da implementação desta política, têm ocorrido vários fóruns, formais e informais, de discussão a respeito dos direitos dos idosos de forma a efetivá-la e ampliá-la. Como observado, a referida política apresenta ações inovadoras usadas como referência na abordagem do idoso (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÙDE, 2005).



As Instituições de Longa Permanência para Idosos são partes da rede de assistência, podendo corresponder até 1 % (um por cento) da população idosa, parcela significativa tendo em vista sua fragilidade e vulnerabilidade. Diante disto, devem ser inseridas na área de abrangência da Equipe de Saúde da Família e ser respaldada nos demais níveis de atenção, inclusive na assistência farmacêutica (MENDES, 2002).



Cabe ao setor da saúde à vigilância sanitária a responsabilidade pela inspeção local, visando à funcionalidade da instituição e garantia de moradia digna e respeitosa aos idosos. Sugerem-se inserção da instituição nas representações em conselhos, outras instâncias de direitos e participação social (SANT’ANA, 2005).



Apesar da Instituição de Longa Permanência ser em muitos casos uma das únicas opções que restam no cuidado ao idoso, esses locais de internação por um longo período de tempo, representa um modelo excludente, que pode causar aos internos, deterioração na capacidade funcional e reduzir a autonomia para lidar com questões do cotidiano (SILVESTRE E COSTA NETO, 2003).

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Valeria Cristina Dias

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