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sexta-feira, 23 de março de 2012 - 10:32

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Classificação da auditoria de enfermagem

por: Colunista Portal - Educação

Classificação da auditoria de enfermagem
Classificação da auditoria de enfermagem
Quanto aos tipos de Auditoria cita-se a Pré-Auditoria ou Auditoria Prospectiva, trata-se da avaliação dos procedimentos antes de sua realização; Auditoria Concorrente ou Pró-Ativa, análise pericial ligada ao evento no qual o cliente está envolvido; Auditoria Retrospectiva trata-se da análise pericial dos procedimentos realizados, após a alta do paciente.

Cerqueira (1977) descreve três tipos de auditoria aplicáveis ao serviço de enfermagem: Auditoria Retrospectiva, administração da qualidade dos serviços prestados após a alta do paciente; Auditoria Operacional corresponde o método concomitante ou concorrente (durante o ato do atendimento); Auditoria de Plano de Cuidados avalia o planejamento e a execução das ações assistenciais de enfermagem.

Quanto às formas de intervenção a Auditoria é classificada em Interna ou Externa. A Auditoria Interna é realizada pelo enfermeiro dentro da instituição hospitalar com ações alocadas como enfermeira Auditora da Educação Continuada ou Enfermeira Auditora no serviço de faturamento.

Quanto ao tempo a auditoria classifica-se em: contínua ou periódica. A Auditoria Contínua avalia em períodos determinados sendo que a revisão seguinte sempre se inicia a partir da última. A Auditoria Periódica examina também em tempos estabelecidos, porém não se prende à continuidade.

Quanto a natureza a Auditoria classifica-se em: normal ou específica. A Auditoria Normal se realiza em períodos determinados com objetivos regulares de comprovação. A Auditoria Específica atende a uma necessidade do momento. Quanto ao limite a auditoria classifica-se em total ou parcial. A Auditoria Total abrange todos os setores da instituição. A Auditoria Parcial é limitada a alguns serviços.

Na realização da Auditoria de Enfermagem são propostas algumas etapas e princípios por diferentes autores, as quais permitem um desenvolvimento da função de maneira a manter a prioridade da essência da qualidade e identificação de atos falhos que necessitam reformulação dentro da instituição em que a técnica estiver sendo desenvolvida.

Sá (1977) aponta alguns princípios a serem utilizados na realização da Auditoria de Enfermagem que são: exame de instrução de Serviços expedidos pela administração, exame de Instrução expedida pelo serviço especializado e Exame dos Registros.

Kurcgant (1991) propõe a realização da auditoria de enfermagem em três etapas, segundo o método Phaney. A primeira etapa avalia os dados referentes a identificação do paciente e da instituição, a segunda é realizada ao exame do prontuário, com o preenchimento de formulários específicos pelo enfermeiro e na terceira os resultados são analisados e o auditor define a qualidade do serviço.

Cerqueira (1977) prescreve para o desenvolvimento da auditoria de enfermagem as seguintes etapas: Definição de padrões, Verificações de prontuários (registros/anotações), Entrevista com pacientes e Avaliação e Julgamento Final.

Ribeiro (1972) especifica alguns requisitos para implantação da Auditoria de Enfermagem em Instituições de Saúde, entre outros:
•    Serviço de Enfermagem organizado com objetivos claros;
•    Programas de trabalhos coerentes com os objetivos estabelecidos;
•    Interpretação da assistência ao paciente como um trabalho de responsabilidade multiprofissional;
•    Estrutura organizacional que favoreça o serviço de enfermagem a desenvolver suas atividades de planejamento, implantação, coordenação e controle, visando à melhoria da qualidade dos serviços prestados;
•    Definições de medidas ou critérios de avaliação, seguidos de guia que permita a identificação de diferenciação para sua correção;
•    O prontuário deve exibir todas as anotações referentes à assistência de enfermagem, observando a técnica de registros.

São imprescindíveis em qualquer forma de auditoria adotada as anotações dos cuidados prestados ao paciente no prontuário pela equipe de enfermagem. Essas anotações caracterizam a assistência realizada bem como os horários e servem acima de tudo como uma comunicação entre todos os membros da equipe multiprofissional envolvida no tratamento do paciente.

Conforme Cianciarullo (1997) a comunicação é um dos temas mais pesquisados em enfermagem devido a sua complexidade, a importância que tem na qualidade da assistência prestada e por se relacionar direta ou indiretamente com todas as ações cuidativas do enfermeiro.

Silva & Dias (1999) afirmam que o registro da prática da enfermagem garante a individualidade do cuidado ou qualidade da assistência, dependendo de como esse registro é realizado, isto é, sempre que a realidade não for captada e houver dúvida sobre a mensagem, o cuidado fica no plano da invisibilidade, ou conforme nosso foco, no plano das perdas.

Os registros de enfermagem no prontuário do paciente servem para realização das cobranças dos procedimentos realizados durante a permanência do cliente em âmbito hospitalar e como documento legal judicialmente aceito para comprovação da realização dos cuidados, dos horários em que foram realizados e o profissional que realizou.

Uma das formas utilizadas para estruturar as anotações de enfermagem fornecendo subsídios sobre os cuidados prestados as pacientes é a utilização do Processo de Enfermagem, atividade privativa do profissional enfermeiro, mas que envolve toda equipe de enfermagem no momento da execução da prescrição de enfermagem.

Segundo Brunner & Suddarth (1998) o processo de enfermagem é considerado a essência da enfermagem, trata-se de um sistema deliberado para identificação e resolução dos problemas de saúde no sentido de atender aos problemas de saúde da pessoa e às necessidades da enfermagem.

As etapas para o desenvolvimento do Processo de Enfermagem diferenciam-se conforme a delimitação dos autores, alguns estão envolvidos diretamente com as teorias de enfermagem, todavia a componentes comuns citados:
•    Histórico de enfermagem: coleta sistemática de dados para determinar o estado de saúde do paciente e identificar quaisquer problemas de saúde atuais ou potenciais;
•    Diagnóstico: identificação dos dois tipos de problemas do paciente. Diagnóstico de enfermagem, problemas de saúde atuais ou potenciais que podem ser manuseados pelas intervenções de enfermagem independentes.Problemas Interdependentes, certas complicações fisiológicas que as enfermeiras monitorizam para detectar o início ou a evolução da condição;
•    Planejamento: desenvolvimento de metas e um plano de cuidados designado para assistir o paciente na resolução dos problemas diagnosticados;
•    Implementação: atualização do plano de cuidados através da prescrição de enfermagem;
•    Evolução: determinação das respostas do paciente às prescrições de enfermagem e da extensão do alcance das metas estabelecidas.

Em quaisquer umas das etapas citadas são necessárias as anotações e/ou registros dos dados encontrados, o que permite uma facilitação e clareza na comunicação entre os membros da equipe. A utilização do Processo de Enfermagem permite sistematizar a assistência de enfermagem norteando a caracterização dos recursos humanos e materiais, facilitando a avaliação da assistência prestada e oferecendo contribuição aos indicadores de custos e rendimentos, indicando também áreas que requeiram aprimoramento.

Para Kurcgant (1991) a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é importante, como:
•    Agente de comunicação, pois o seu registro serve de intercomunicação para toda equipe prestar o atendimento individualizado;
•    Agente na educação contínua, pois na reunião de informações junto à equipe o enfermeiro identifica as dúvidas e acrescenta conhecimento não somente para equipe como para si próprio;
•    Catalisadora de Atividades, pois com o planejamento seguro de suas atividades a equipe terá mais tempo para executar a assistência, se todas as ações de enfermagem estão registradas, isto é, prescritas para cada paciente, isso dispensará outros registros;
•    Indicadora de Controle e Avaliação, pois além de retratar a qualidade do atendimento que é dado ao paciente, reflete o grau de preparo da equipe, fornece elementos para a pesquisa, sendo também um instrumento de supervisão.

A operacionalização da SAE em âmbito hospitalar é limitada, muitas vezes, pela falta de estrutura organizada seja no número de profissionais enfermeiros, conhecimento dos enfermeiros quanto ao planejamento da assistência, complexidade do atendimento, rotatividade dos pacientes ou falta de interesse da esfera administrativa em discutir o tema.

Com isso, em algumas instituições, não há utilização do Processo de Enfermagem em todas as suas etapas e para todos os seus pacientes (ou pelo menos não há registros); mas sim, a realização da Prescrição de Enfermagem – Fase Implementação – geralmente realizada em Unidades de Cuidadados Intensivos e Cuidados Prolongados e/ou demais clínicas com especialidades restritas.

As consequências são exigências de anotações pela equipe de enfermagem diante de todos os procedimentos realizados no momento em que é executado, o que ainda é uma das grandes dificuldades da maioria das instituições. Os problemas organizacionais acabam por prejudicar a própria instituição, pois além de não haver subsídios para avaliar a qualidade do serviço prestado (anotações de enfermagem) também concorre a perda econômica da instituição que não pode realizar a cobrança de alguns procedimentos pela falta de registros de enfermagem.

As ações do enfermeiro auditor dentro da instituição hospitalar ainda são limitadas pela escassez dos registros de enfermagem o que dificulta e atrasa a realização das cobranças e avaliação do cuidado. È imprescindível que os profissionais de saúde se conscientizem a cerca da comprovação de seus atos.
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